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domingo, 4 de março de 2012

Na cozinha da Copa

Só em filmes vimos um pé na bunda! Um tratamento dado aqueles que estão abaixo da linha da dignidade. Um pé na bunda é demais! Lembram os filmes do Charles Chaplin quando destratado por poderosos. Ou o Carlitos bêbado e aprontando das suas em lugares inadequados, para depois ser expulso com um certeiro pé na bunda.

A nossa fama é antiga. “O Brasil não é um país sério”, a frase atribuída ao General De Gaulle em 1960, presidente da França, na ocasião de um conflito diplomático com o Brasil, por conta da pesca de crustáceos. De Gaulle nunca assumiu a autoria, mas ficou e pegou.  Agora vem um cartola da Fifa e diz que o Brasil precisa levar um pontapé na bunda...

É irritante ouvir as justificativas das autoridades brasileiras. Sempre alegando que não é bem assim, que tudo está sob controle, que sabem, que estão providenciando, que estão planejando, que na semana que vem vai começar... E vão barrigando. Frases evasivas e nitidamente falsas.  Porque esse temor de consentir que algo não tá funcionando, não está bem? Seria mais fácil e honesto admitirem, o que todos estão vendo. Aceitar a crítica, agir, buscar informações, sugestões etc. E corrigir o que está errado, com dignidade.

Antes de levar um pé na bunda...

após o pé na bunda!

Não se trata de tomar o partido da Fifa, essa poderosa instituição internacional que tá mais “suja que puleiro de galinheiro” e anda pisando na bola, cujos interesses são questionados e questionáveis, e com razão.  Em relação à Copa no Brasil é complicado falarmos de outras cidades sedes, embora a mídia ande noticiando frequentemente muitos problemas que deverão dificultar a conclusão das obras para a Copa de 2014.

Campanha da Diesel

para quem merece um chute no traseiro

Mas é escancarado como o assunto vem sendo tratado aqui. A Agecopa/Secopa tem se mostrado um imenso cabide de empregos para políticos, que perderam cargos eletivos e/ou prestígio, com raras exceções. A indicação não teve outro critério e foram contemplados com status e altos salários. Conhecimento e competência técnica: nenhuma. Ou se a têm, não mostraram. Essa pendenga começou no governo passado e foi avalizada pelo atual. Decisões sobre o melhor transporte, demolição do antigo estádio e construção do novo foram decisões questionadas e demoradas. Histórias mal contadas. Teve até um ridículo relógio que marcava a contagem regressiva para a chegada da Copa. E que reloginho caro esse. E Mato Grosso saiu novamente na mídia nacional. Ficou mal no filme como sempre acontece quando se trata de nossos dirigentes políticos.

Políticos incompetentes

Piriguetes a perigo

O VLT pra Copa, já disseram que não ficará pronto. O mesmo dizem agora da Arena Pantanal, que teve uma boa largada em sua obra, mas, agora... A última conversa é que para que as obras da Arena ficarem prontas em tempo, seria necessário que o número de trabalhadores da construção civil que estão na obra atualmente fosse multiplicado por dois.


Charlatões de plantão

Perua sem noção

Aí, vem o cartola lá da Fifa e dá essa “carcada” nos brasileiros. Aparece do nada o Aldo Rebelo, Ministro dos Esportes, com aquela falinha lenta sem convencer ninguém. A postura dele demonstra sua larga experiência em assuntos esportivos. E se mostrou magoado com o dirigente da Fifa, Jérôme Valcke, pela menção ao chute no traseiro para tirar o atraso. Tirar o atraso das obras, que fique claro. Olha, pensando bem, um pé na bunda até que não seria de todo ruim esse pé na bunda dos brasileiros responsáveis (?) por “tocar“ as obras da Copa. É que os otimistas acreditam que um pé na bunda serve para acordar e/ou para dar um passo a frente.  Pra falar a verdade, eu mesmo gostaria de dar um pé na bunda em um monte de político que tem por aí... E vai dizer que você não tem essa vontade???

Jogo duro!

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Jovem é outro papo


Jovelino Venceslau dos Santos: O Jovem
“Jovem é outro papo”... Agora é lei: brasileiro(a) de 15 a 29 anos, é jovem!!!!! O Congresso Brasileiro aprovou o “Estatuto da Juventude”, para promover políticas públicas para essa imensa parcela da população brasileira. E tá dando pano pra manga!
O tal Estatuto garante aos jovens estudantes o direito à meia passagem em ônibus intermunicipais e interestaduais e à meia entrada em eventos artísticos, de entretenimento e lazer, em todo o território nacional. A meia-entrada é regulamentada por leis estaduais e estipula também que o jovem não será discriminado por etnia, raça, cor da pele, cultura, origem, idade, sexo, por orientação sexual, idioma ou religião, por suas opiniões, condição social e aptidões físicas.

Até aí tudo bem, raciocinando em nível de que a população jovem, pelo menos teoricamente, ainda estuda, investindo em sua formação e, portanto, não tem todo o tempo disponível para trabalhar e ganhar dinheiro. No geral, essa lei federal, que já passou pelos deputados e agora é avaliada pelos senadores, é bem vinda, segundo a nossa avaliação.

Deputada Federal Manuela D'avila: Relatora do Estatuto da Juventude

Como toda lei, esta tem lá seus simpatizantes e seus contrários. Vimos um comentário de um artista ou produtor cultural, destacando que esse tipo de benefício implica diretamente num sangramento das finanças na cadeia produtiva das artes. E que em outros setores, não se pensa ou se atreve a dar descontos à população jovem. O assunto, pensando bem, precisa ser mais e melhor debatido e avaliado.


Mas essa história da meia entrada tá pegando pra valer é por conta da cafifenta da Fifa. Fifa... que Fifa? Ora, a Fifa, a Federação Internacional de Futebol Association, uma espécie de governo paralelo para assuntos futebolísticos que se instalou (ou instaurou)  no Brasil, por conta da Copa do Mundo de 2014. Pra quem estava encafifado com a Agecopa, que até de nome já trocou, aí está a Fifa. Ela mesma, que não abre mão dos volumes financeiros que satisfazem sua ganância: necas de pitibiriba de meia entrada para os jogos de futebol na Copa de 2014!!!! Que coisa mais Fifa da mãe!



O dono da bola é o dono do jogo?????

E ela, a cafifenta, com seu voraz apetite no rico dinheirinho brasileiro, manda avisar que, se insistirem com a meia entrada, vai dobrar o valor dos ingressos. Quer dizer alguém pagará o pato. A Fifa não admite perdas nas suas contas. Pensando na população brasileira que precisa muito sediar uma Copa, e em aplacar o mau humor da Fifa, de mau humor, o Governo Federal investe seus esforços (?) em aprovar a Lei da Copa talvez pra moralizar esse... esse... Esse sei lá o que, conforme sugeriu o nosso Departamento de Assessoria de Advogados Conglomerados, na tentativa de respaldar moderadamente nosso poder de fogo.


Resumindo, é muita lei... Mais uma lei que, pelo jeito, uma vez aprovada no Senado e depois sancionada pela presidente, tem jeito que não será cumprida. Lei que já tem exceções... É brincadeira! 

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Cuiabandonada


Alalaô ooô ooô
Cuiabandonada. Palavra inventada na hora, na lata, na raiva de ver a cidade desse jeito. E “diz que” a Copa do Mundo vai ter vez aqui. Quá... Mas vai ter mesmo. Vejamos pois, daqui a três anos e meio, malemá. Quando começo a pensar (e escrever) sobre Cuiabá, sinto raiva de ter saudades do passado. Um passado recente, quando ainda não havia essa putaria de amarelinhos desembananando o tráfego e Zé Bolo Flor, poeta popular, comandava os carros nas esquinas cuiabanas. “Eu acredito no semáforo, no avião, mas hoje é sexta-feira e o céu borrou a cor”.


Zé Bolo Flor (Dalva de Barros, 1989)
Meu pai já disse que meus escritos me revelam um saudosista. Acho que é porque sou movido por alguns sentimentos, como a raiva e a saudade, por exemplo, quando me ponho a falar da cidade que escolhi para viver, pelo menos até agora. Um lugar que não era assim – e era bom pra se viver – quando cheguei aqui em 1970. Daí foi piorando, piorando, piorando... E nem sei onde vai parar de tanto que piora.

Não falo da cuiabania autêntica nem tampouco dos “paus fincados”, porque todo mundo que vem prá cá logo vira um cuiabano, perde os trejeitos e os ares metropolitanos impessoais, pra ser gente boa e simples. Bem que uns demoram quase uma vida, mas viram cuiabanos, nem se for debaixo de sete palmos.

A conversa hoje é mesmo, infelizmente, falar mal da nossa cidade. Que está ruim, feia, abandonada... E cada vez mais quente. Haja sombra de mangueira pra tanto mormaço e haja grana pra climatizar nossas vidas, seja em casa, no trabalho, “na rua, na chuva, na fazenda ou numa casinha de sapê”.

Junto com o calor de rachar, fazem a gente transpirar também (de raiva) os problemas de infraestrutura e as questões sociais, que trazem no bojo a criminalidade. Essa tem me parecido a Cuiabá do século XXI. De 2000 pra cá, ferro na boneca e o povo, povão mesmo, só que dança. Dizem que por aqui rola muito dinheiro. Acredito. Vejo cada carrão na rua e vejo casas que não são bem casas: são palacetes. No Brasil, parece que tem que ser assim: contraste. Se miséria e riqueza não conviverem, não é Brasil. É. Parece que Cuiabá se torna uma espécie de superlativo da imagem do Brasil.

Ano passado, quando a gente conheceu o Velho Mundo, muitas pessoas nos questionavam sobre como era o Brasil, que eles apontavam como a quinta economia do mundo ou coisa que o valha. Nem sempre eu sabia o que responder... A corrupção e o descaso com o erário público, sintomas da nossa sociedade viciada (não adianta jogar a culpa só nos políticos), também eram temas que me colocavam em xeque. Mas, voltemos a Cuiabá.

Uma cidade que ficou feia, que viu seus córregos e rios serem transformados em canal de esgoto, a maioria a céu aberto, viu suas ruas e calçadas sendo esburacadas, suas árvores sendo derrubadas,  vê o crime nos espreitando a cada esquina e o seu povo ser abandonado pela precariedade dos serviços públicos básicos: a educação e  saúde foram pro beleléu. E “diz que” vai sediar a Copa do Mundo.

Nem lambari de esgoto, extinto 
E depois vem o meu pai e me descobre saudosista. Sou mesmo. Ganhei outro dia um presente curioso de um amigo: um DVD com três episódios daquela antiga série “Túnel do Tempo”. Queria ser um daqueles caras que viajavam pelo tempo, pra poder re-experimentar coisas da Cuiabá antiga. Pode ser aquela dos anos 70, quando cheguei aqui. Algo bem simples, assim, como um picolé de groselha do Sinfrônio.    

“lembrança velha:
a vermelha groselha
me dá na telha”
(Haikai, inspirado no picole de groselha do Sinfrônio)