Somos seres distintos e assim deve ser. Mas temos uma capacidade (que podemos chamar também de tolerância, camaradagem, cumplicidade), de criar e produzir juntos, especialmente na área cultural. Alimentar o Tyrannus Melancholicus diariamente está longe de ser nosso primeiro projeto a quatro mãos e duas cabeças. Teatro, literatura, artes plásticas, happenings, produções culturais, festas, audiovisual, canto coral, viagens (em todos os sentidos), vagabundagem, ociosidade tudo isso e muito mais faz parte da nossa vida. Nessas invencionices, além de nós, muitos amigos também participam e participaram. O prazer de lidar com os saberes e fazeres da cultura é coisa que só quem já experimentou sabe o que é. E recomendamos.
A diferença entre o Tyrannus e as outras armações é que o blog está muito mais duradouro. Na rede há mais de um ano, feito exclusivamente por nós. Algo que já escrevemos aqui e que repetimos hoje é que nossos posts não são do Lorenzo e nem da Fátima, porque a gente nem sabe mais direito o que um ou o que o outro escreveu, já que em todos os textos, o que acontece é que um começa, o outro termina, o outro vai e muda, aí vem um e mexe de novo, até haver um relativo consenso. Lógico que há concessões, olhares enviesados e aquela coisa toda que envolve um trabalho em conjunto. Bem, enfim, o Tyrannus é isso, um blog de duas cabeças que descobriu seu estilo próprio e, claro, está acima destes dois escrevinhadores.
"Você tem escrito mais que o Lorenzo, parece um texto mais feminino", disse um amigo ontem para a Fátima. Fiquei sabendo depois e me lembrei que, resguardadas as proporções, sou que nem o Fernando Pessoa, uma alma feminina, numa inteligência de homem (ui!).
Conversamos tanto, mas tanto, sobre esta empreitada e nunca chegamos a algo definitivo, em matéria de linha editorial. Linha editorial, aliás, é um troço muito careta pra quem busca um estilo que combina o híbrido com o original, na maneira de se comunicar. Xô, longe daqui, jornalismo pasteurizado. Preocupamo-nos, ainda, em não enaltecer nossas vidas pessoais, apesar de expormos o que de melhor vivenciamos, seja através de palavras e/ou imagens (vai entender!).
Por enquanto, uma definição mais coerente seria associar nossos textos com crônicas sinceras onde não faltam temperos como o humor e a poesia e, ainda, pitadas de criticidade, às vezes dissimuladas, noutras escancaradamente.
Hoje bateu essa neura identitária. De vez em vez é bom checar pra ver o rumo que está se tomando, ou está se deixando levar, ou se está à deriva. O Tyrannus gosta de tocar nesse assunto (discutir a re/alação), é uma questão de sobrevivência.


