segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Abobrinhas recheadas


"Cachorro é um ser humano como qualquer outro" (Rogério Magri)
Desde que o mundo é mundo, e o homem começou a se comunicar, um monte de besteirada vem sendo dita. Pessoas, com larga exposição na mídia, dizem isso ou aquilo e às vezes são infelizes. Viram motivo de chacota pela exposição ao ridículo e a galera vai à loucura. Outras coisas ditas, não se pode dizer que são besteiras, dividem opiniões e dependem do ponto de vista.
O velho de Gaulle, ex-presidente francês, irritadíssimo com o Brasil, na década de 60, não aguentou e tascou: “O Brasil não é um país sério”. Bateu duro. O motivo era o conflito diplomático por causa da pesca da lagosta e de outros crustáceos. “Assim começou a tragédia no fundo do mar”. Mas a coisa foi feia, segundo lemos na internet. E a frase sobre o Brasil que, convenhamos, ainda não se mostra um país tão sério, martela até hoje. Foi um desabafo e, ao mesmo tempo, uma ofensa ao Brasil.

"90% dos políticos dão aos 10% restantes uma péssima
 reputação." (Henry Kissinger) 


Besteira mesmo, foi o que disse Maria Antonieta, rainha da França durante 15 anos: “Se não têm pão, que comam brioches”. A frase foi uma afronta aos plebeus franceses e foi o estopim para a Revolução Francesa. É assim que funciona. Expressões mal colocadas de quem tem poder político, também têm poder explosivo. Ou implosivo, podem arrebentar o próprio autor.
Dois irmãos americanos, Ross e Kathryn Petras, lançaram uma obra que agora saiu em português, “Livro das Maiores Besteiras Já Ditas”. Essa vertente vem sendo explorada pela dupla desde 1993. Algumas publicações já rolaram e foram bem vendidas, mas, nesta última, eles compilaram as abobrinhas em lista de “As Dez Mais”, separando por categorias.
"Os políticos e as fraldas são semelhantes,
 possuem o mesmo conteúdo." (Eça de Queiroz)
 Alguns brasileiros foram contemplados, um deles o FHC, ex-presidente, escritor e intelectual, que já fumou maconha, mas não tragou. Ele figura na categoria “Coisas Mais Inacreditavelmente Irritantes Ditas Por Pessoas Ricas”. Em 1998 FHC deixou escapar esta profundidade: “Vida de rico em geral é muito chata”.
"As grandes nações sempre têm atuado como assaltantes,
e as nações pequenas como prostitutas." (Kubrick)
Outro ex-presidente, João Batista Figueiredo, também se fez presente com: “Vou fazer desse país uma democracia, e se alguém for contra eu prendo e arrebento”. A frase faz parte da categoria “Mais Idiotas Repetições Ideológicas”. Em outra categoria, “Desculpas Menos Convincentes e Explicações Que Não Colam”, está o inesquecível ex-deputado João Alves que, diante de um CPI em 1993, explicou o seu estranho enriquecimento da seguinte forma: “Fácil. Ganhei tudo na loteria. Ganhei 123 vezes nos últimos dois anos”.
Ronaldo Nazário, ex-craque, hoje meio quase cartola, nos seus tempos de jogador, soltou uma frase emblemática ao explicar uma derrota: “Perdemos porque não ganhamos”. Foi parar na categoria “Não Dá Pra Discutir com Estas Declarações”. A maior parte das frases é de autoria de personalidades americanas. Ainda não tivemos acesso ao livro, mas fazemos pelo menos uma exigência. A obra estará incompleta se lá não constar a maravilha semântica expressada pelo nobre George Bush: “Nossos inimigos são inovadores e engenhosos, e nós também. Eles nunca param de pensar em novas maneiras de prejudicar nosso país e nosso povo, e nós também não.”

"É pro Fantástico?" (Itamar Franco)
Por falar em ex-presidente, vai uma braba aqui do Lula... Essa ele disse sem saber que os microfones estavam ligados, em plena campanha eleitoral: “Pelotas é cidade pólo, né? Exportadora de viado”. E assim vamos fechando o post. Melhor, ele permanece em aberto, porque besteiras e abobrinhas sempre são bem vindas neste blog, que é sério ou que quer ser ou que definitivamente não é sério.

"Queen Elizabeth Taylor." (Primeiro ministro tailandês, Banharn Silpa-archa,
referindo-se a rainha inglesa)

domingo, 4 de dezembro de 2011

Dr. meu coração é corinthiano

"Doutor, eu não me engano, meu coração é corinthiano"
“Ah! tá, já sei!”. Quatro palavras, nove letras que, juntas, formam um frase curta, lacônica, com duas exclamações, uma vírgula, uma interjeição, um advérbio de tempo, dois verbos (um em forma sincopada). Sujeito oculto (?), objeto direto... Morfologia, sintaxe. Quanto ao significado da frase, ah! aí já não sei! Falta-lhe um complemento. Dependo do contexto. Difícil entender a totalidade de seu sentido, pois o saber é imensurável. A frase por si só não leva a nada.
Vai certa prepotência de quem a diz e muitas vezes cai no ridículo, logo em seguida. Já sei! Afinal, o que sabemos realmente nessa vida?  Para responder à pergunta, emprestemos a sabedoria do filósofo: “só sei que nada sei”. Afirmar taxativamente saber, é algo meio temeroso. Os mais sábios comungam com essa filosofia, talvez por isso sejam sábios. Mas os sabidos, ah... esses não têm medo: “Ah! tá, já sei!”
Final do Brasileirão: Corínthians X Palmeiras

Essas palavras aladas saíram da boca de Marcos Valério, aquele mesmo, criador e principal articulador e mantenedor do “valerioduto”. Nem menos, nem mais, carregada de significado, de compreensão, de assentimento.  O dito cujo já está às voltas, de novo, com a contravenção. A polícia chegou e deu  ordem de prisão.  “Ah tá, já sei!”, foi a sua reação, sem contestação. Ele sabia de verdade! Foi em cana. Se ainda está ou não encarcerado... Ah, tá, não sabemos.
Naquele camburão alí: Ah! tá, já sei

Acordamos neste domingo com a notícia: “O Sócrates morreu”. “Ah! tá, já sei!”... O Corínthians vai ser campeão. Pode ser que Deus tenha levado o “doutor”, mas, em troca, deu o título ao Coringão. E o grande jogador, dentro e fora de campo, se mandou mesmo. Fica sua imagem de craque elegante, nada espalhafatoso nos movimentos, sem pedaladas e exibicionismos. Até os toques de calcanhar, nos quais era mestre, eram usados mais pela necessidade da situação, do que para embelezar o lance. Sócrates era estiloso na sua intimidade com a pelota. Líder, inteligente e coletivo. Muuuiiito acima da média, em nível de intelecto, do que a maioria absoluta dos jogadores de futebol brasileiros.




Antes da rodada final do campeonato brasileiro, na televisão e na internet, acompanhamos fragmentos da vida desse magrão barbudo, respeitado no mundo inteiro. Alguns textos belos, emocionantes e, pelo menos um, bastante curioso, pois, além de emocional, muito bem humorado. Coisa do Xico Sá, notável escritor e jornalista. Xico, que era amigo de Sócrates, como o “doutor”, nunca foi um protótipo de beleza masculina. “Te assusta não, Xicão, a gente veio de longe e tá é no lucro! Aqui na terra num tem boniteza que dê jeito... e olhe que somos lindos”!
Corínthians é penta!
”Ah! tá, já sei!” O Corínthians é penta campeão; o ministro do trabalho, deu trabalho, mas pediu demissão; Havelange abandona o COI, alegando dodói, pra não ser investigado pelo Comitê de Ética; Fátima Bernardes sai do JN e vai fazer programa... ”Ah! tá, já sei!”.


Noite dos bacanas

Dusek acompanhado pela Copacabanda
“Meu filho, se algum dia a vida lhe der as costas, passe a mão na bunda dela”. A pérola é de Eduardo Dusek, num breve stand up, antes das poucas músicas que cantou em mega evento na última sexta. Foi o contraponto ideal para despachar o caráter cerimonioso do lançamento do resort Malui no Centro de Eventos Pantanal. Uma guinada radical nos rumos da recepção, que levou uma multidão de bacanas ao local.
Convidados para o lançamento por um dos empreendedores, “seo” Jair Serratel, a dupla Tyrannus compareceu, não chiques no último, mas tentando. Serratel é proprietário de uma belíssima área próxima da Usina de Manso, onde fica o imponente Morro do Chapéu. Foi lá que, cerca de dez anos atrás, os passarinhos entraram em nossa vida de forma mais significativa, por conta de estudos ecológicos na área acadêmica. E vocês sabem: Tyrannus Melancholicus é o nome científico de um passarinho. Desde a primeira vez que ouvimos essa nominação, algo ficou em aberto nas nossas mentes. Quando a ideia do blog surgiu, o nome foi sugerido e aceito de imediato.

Renata (com todos os) Fan 


Voltemos à noite dos bacanas. A super loira de rara beleza, Renata Fan, foi a apresentadora. Mulherão (que presença de palco!) que deu conta do recado. Mas... foi chamando gente para o palco, autoridades ligadas ao empreendimento, dando pinta de que iam discursar. Fugimos da plateia.  Abominamos qualquer tipo de falação de político. E, definitivamente, não estávamos a fim de passar contrariedades.


Depois entrou Eduardo Dusek. O artista carioca começou frisando a presença da nata da sociedade cuiabana para prestigiar o evento e o seu show, que acontece do Oiapoque ao Chuí. Um no Oiapoque, outro no Chuí, e mais esse em Cuiabá. Disse que entre o público presente, além de “gente de bem”, estavam cafajestes e outras raça similares. E que tinha convidado garotas de programa, além de gogoboys saradões. O público gostou. Ele entoou três de seus antigos sucessos, como “Rock da Cachorra” e “Cantando no Banheiro”. Fugiu de nossas memórias a terceira música.

E foi a vez da trupe circense, Universo Casuo, comandada por Marcos Casuo. Casuo, ex- Circo du Soleil, mostrou porque o notável humor da palhaçada atravessa séculos sem perder o frescor (claro que é preciso talento para segurar o público). Os malabarismos, contorcionismos, bicicleta virtuose, música sintetizada, figurino futurista e projeções com alta tecnologia ficaram no chinelo, se comparadas à performance de Casuo.




Voltamos para o interior do Centro de Eventos, já que no palco, improvisado lá fora, aquele calor das noites cuiabanas também dava seu showzinho. Ah, e quando tem buffet da Leila Maluf, as investigações gastronômicas são recomendáveis. Petiscar, beber e prosear com os amigos é coisa boa. A gente fez até uma foto do Raimundo Reis, ao lado da Adriana e do Carlinhos. O Rai é um dos melhores fotógrafos aqui da terra, mas ainda tem muito que aprender com nossa arrojada técnica fotográfica.


Já nos preparávamos pra zarpar, quando o colunista Valdomiro Arruda me chama. Fez a gentileza de me apresentar ao Eduardo Dusek, no camarim. Conversei com Dusek meio timidamente. Aprecio o jeitão como compõe, teatral e bem humorado, dessacralizando a música. Voz bonita e é um artista inspirado. Sou fã de seu trabalho desde quando conheci, lá pelos anos 80. Confesso que foi mais ou menos uma tietagem. E a noite ficou de bom tamanho.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Prêmios pra lá e pra cá

Deu Ferreira Gullar e Laurentino Gomes no Prêmio Jabuti/2011. A gente precisou se debruçar no computador pra entender melhor: normas mudadas (depois do quiprocó do ano passado); premiação também (só levam os 30.000 os melhores do ano na categoria ficção e não-ficção), e os outros primeiros lugares em todas as categorias levam 3.000.  E tem mais mudança para o ano que vem. Para postulantes ao prêmio, cuja obra, não esteja perfeitamente de acordo com o que diz o regulamento (promete o curador do prêmio com tom ameaçador): vai ter punição. Estranho. E a gente ficou pensando se seria uma punição física (chibatadas, cascudos ou pau de arara), ou uma punição financeira mesmo, que tem vezes que dói muito mais. Dói no bolso. O bolso, conforme dizem por aí, costuma ser uma das partes mais sensíveis do corpo humano.
Mesmo depois desse relativo esforço na internet para entender mais o Jabuti, ainda ficamos com dúvidas. Deixa pra lá. São 29 categorias e, entre os concorrentes, o livro mato-grossense “Macp - animação cultural e inventário do acervo de Arte e de Cultura Popular da UFMT”, organizado por Aline Figueiredo e Humberto Espíndola, da Editora Entrelinhas. O livro concorreu na categoria Artes, mas não levou. Por falar na Entrelinhas, esta não é a primeira vez que ela recebe indicação para essa láurea. Sim, láurea. Optamos por essa palavra pra não repetir prêmio e, tampouco, usar galardão. Porque galardão é um termo, praticamente, com o prazo de validade vencido. A Entrelinhas chegou quase lá com o livro “Igreja Nossa Sra. do Rosário e Capela de São Benedito”, de Nauk Maria de Jesus e Leilla Borges de Lacerda. É legal ver os produtos culturais daqui se sobressaindo.
Aline e Humberto autografando "Macp"

O primeiro a ser indicado da Entrelinhas

Essa história de prêmio tem sempre a tal da pegada polêmica. Se não tiver, é porque faltou algo.  “O júri é muito simpático, mas é incompetente”. Alguém disse, talvez, nos tempos em que a música brasileira era feita de festivais. Três obras desclassificadas neste Jabuti prometem recorrer.
“Em alguma parte alguma”, da Editora José Olympio Ltda, é o nome do livro de poesias de Gullar que faturou o prêmio de melhor Livro do Ano (categoria ficção). E “1822” (reportagem), de Laurentino, da Editora Nova Fronteira, ganhou o prêmio melhor Livro do Ano (categoria não-ficção). Cada um dos vencedores das outras categorias recebeu a merreca de 3 mil reais. Uma quantia com a qual pode se dar uma entrada para adquirir um carro popular de segunda mão. Ajuda sim. Só que foi menos que a quantia aprovada no MinC para subsidiar a tradução do livro “Leite Derramado” (cerca de 7 mil reais), de Chico Buarque, vencedor do Jabuti no ano passado, apesar da polêmica lascada que rolou.

Ficamos pensando: que pão dura essa ministra da Cultura, Ana de Hollanda. Destinar só isso pro seu irmão. Antigamente não era assim. Gente importante como ministro, senador, governador, deputado etc, sempre ajudava mais a parentaiada. O Brasil está mudando. Mesmo que a passo de cágado, ou de jabuti. Sei lá. E nós aqui, que nem bicho preguiça. Ah, se o mundo pudesse acabar em barranco... que maravilha!
Teve mais gente de Mato Grosso premiada em certames culturais por aí. Vibramos com a premiação do filme “Depois da queda”, de Bruno Bini, lá no Festival de Petrópolis. E também tivemos o prazer de cumprimentar o fotógrafo Sílvio Esgalha, radicado em Cuiabá, que recentemente foi um dos ganhadores do Prêmio Arne Sucksdorf de fotografia, concorrendo com profissionais de várias regiões brasileiras. O arquiteto José Afonso Botura Portocarrero, lançou o livro “Tecnologia Indígena em Mato Grosso: Habitação”, Editora Entrelinhas, e ficou em segundo lugar na edição deste ano do Prêmio Desing Museu da Casa Brasileira. Não somos bairristas, mas torcemos pra que os empreendedores culturais de nossa região se dêem bem. Ou seja: somos bairristas. Quer dizer, mais ou menos.
"Depois da queda" venceu 
 
Silvio, ganhou mas não com essa...



E então, né, vamos ficando com isto para hoje. De última hora, nos lembramos que em nossa discreta biblioteca está alojado um outro vencedor do Jabuti deste ano: “Ribamar”, de José Castello. Foi obra vencedora na categoria romance. Já estive com esse livro nas mãos para ler algumas vezes, mas nunca encarei... Não sei bem por que. Talvez pelo seu nome que me remeta a algo ou alguém desagradável. Ribamar... quem será? Sei lá, é melhor esquecer.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Puritanismo e liberdade de expressão

Dois anos organizando uma exposição com uma artista de projeção internacional. O trabalho de curadoria é exaustivo. São muitos senões e detalhes, e obviamente muita responsabilidade.  Passo a passo, palmo a palmo, quilômetros e quilômetros, tempo... tempo... e muito tato, são essas as medidas nas mediações com o artista, empresário, seguradoras, transportadoras, embaixadas e muitos outros envolvidos e questões que não têm nada a ver com a arte, propriamente dita. É que a montagem de uma mostra passa por tudo isso.


São infindáveis idas e vindas antes de acertar e concretizar, enfim, o evento. E quando está faltando pouco mais de um mês, a coisa desanda, a exposição é cancelada, sumariamente. Não dizem vetada! Mas é o que parece! E foi o que aconteceu com a exposição da fotógrafa americana, Nan Goldin, com abertura prevista para nove de janeiro de 2012, no espaço da Oi Futuro Flamengo (RJ). Não rola mais! O assunto está dando o que falar, com grande estardalhaço na mídia e indignação da curadora, Lígia Canongia, de artistas e dos admiradores da fotógrafa.
Autoretrato de Mapplethorpe
Aqui no blog comentamos meses atrás o filme americano “Fotos Proibidas”, baseado em fatos reais, em torno de uma mostra fotográfica de Robert Mapplethorpe censurada em Cincinatti. A situação que envolve Nan Goldin tem a ver, já que também há fotos de nus de crianças. “Minhas fotos também são para crianças. Muitas já assistiram meus slideshows e gostaram. Crianças que fotografei há mais de dez anos são hoje minhas amigas e têm orgulho de estar na obra”, disse Nan, em entrevista ao jornal O Globo.


Parece muito estranha a postura da Oi Futuro, ao banir a exposição. A empresa de comunicação, tudo leva a crer, está meio perdida em relação a como agir. Talvez não esperasse que ia pegar tão mal "repelir" a exposição. Pelo menos, não tem se manifestado de forma claramente definida quando é questionada sobre o tema. Também há aquela história de que tudo que venha a arranhar ou, possivelmente, macular a imagem de uma empresa ou corporação, deve ser evitado, como o diabo foge da cruz. Afinal, a imagem de uma empresa, instituição ou pessoa, segundo o marketing, é o que há de mais sagrado no mundo. Quanta lorota prega e propõe esse tal de marketing. Quanta enganação. Mas, é assim mesmo.


Bom, tudo isso cheira a moralismo e puritanismo, de preferência, com o prefixo pseudo, antecedendo. É uma lástima que Nan Goldin, artista cujas obras estão no acervo dos principais museus do mundo, tenha uma exposição cancelada no Brasil. Em alguns casos, acontecimentos equivocados como este episódio acabam gerando reações e movimentos na contramão de posturas atrasadas. Será? É o que resta esperar.




A exposição denominada Scopophilia, reproduções de obras do Louvre, agora vai para o MAM-RJ, a partir de 12 de fevereiro. Menos mal.
"Eles me pediram que retirassem imagens de crianças usando fraldas"

terça-feira, 29 de novembro de 2011

A vida é

Estamos secos. Talvez falte a chuva que até tem caído, mas não hoje sobre nossas palavras. E molhar a palavra é essencial para que o raciocínio escorra e se transforme no verbo. Mas, enquanto o texto vai sendo parido a fórceps, nunca se deve descartar a esperança de que vai rolar. Não vale enrolar. “Antigamente você tinha histórias engraçadas, hoje...”. Sou advertido. Isso que dá deixar de ser divertido. Faço aquela boca que surge como um traço retilíneo nas caricaturas. Aquela boca que combina com cara de tacho, acho. Mas não acho, ou não achei ainda, o fio da meada que vai nortear o post. Lá se vai o primeiro parágrafo.
E essa água que não cai!!!!
Gostamos de fugir do jornalismo contumaz, livrar-se das pré-pautas, buscar (ou deixar de buscar) alguma linha editorial que defina o estilo do blog. Isso tem nos soado como regras. As regras existem e a existência delas implica na necessidade de que sejam quebradas.  
Formigueiro: 25 de Março
Apesar de escrevermos com tanta frequência e concentradíssimos nos textos, a última coisa que queremos é que essa produção em série assuma proporções industriais. Não escrevemos para vender e não nos permitimos concessões. Tem dado certo, os acessos ao Tyrannus são crescentes. Acreditamos que o caminho escolhido se apresenta verdadeiro e agradável. Escrever é batalha diária. Dá prazer. Como também é prazeroso o ato de compartilhar. Mas dá trabalho. 
Ministérios iluminados???
Enquanto isso, o calor acrescido ao cansaço, mais a chegada do final do ano, com menos de 30 dias, ou melhor, 15 ou 20 dias úteis, deve ter contribuído para baixar a nossa verve ou “vibe”, como se diz hoje. E um turbilhão, uma avalanche de eventos de toda a natureza, além das festas e comemorações de amigos/inimigos ocultos e declarados estão em curso. Ufa!
Clareou no Rio de Janeiro
Há muita gente já despreocupada com o presente, a cabeça tá na viagem planejada, nos presentes que têm que comprar ou nos presentes que deseja ganhar. Pra essas pessoas o ano acabou. Gavetas fechadas! Só no ano que vem!

Paris sempre em chamas!

Mas há outro grupo de pessoas, onde estamos inseridos, que vislumbra o pesadelo que está por vir, a maratona que terá que enfrentar, pois pretendem cumprir com os compromissos assumidos. A letargia que tomou conta, talvez reflita em nossa conversa de hoje diagnosticada pela loucura que estes blogueiros ainda estão e estarão empreendendo. É coisa que não acaba mais... O eu lírico do Tyrannus, coitado, que sofre com os problemas e afazeres pessoais de seus fazedores, precisava mesmo aflorar. Sim, parece que estamos ouvindo a sua voz dizer: “Eu estou um pouco louco!”  
E eu aqui, cansado....
 
Papai Noel vê se você tem a felicidade pra você nos dar!

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

E se...

“Cessa tudo que a antiga musa canta que outro valor mais alto se alevanta”. O autor destes versos, mesmo tendo um só olho, enxergava muito. Exposto o verso, vamos hoje de reviravoltas. Aquelas repentinas guinadas que mudam a rota, o andamento, o destino, de maneira inesperada, de um segundo pra outro. Isso quer dizer também que poderemos mudar de assunto abruptamente. Pode ser que hoje seja assim... sintam-se avisados.
Esse tipo de argumento é muito utilizado e dizem que causa impacto numa história. Syd Field, considerado um dos maiores “script doctors” de Holywwod, escreveu em 1979 o livro: “Manual do Roteiro”. Para ele “todo drama é conflito. Sem conflito não há personagem; sem personagem; não há ação; sem ação; não há história; e sem história não há roteiro”. E os “plot points”, ou as reviravoltas, são essenciais para manter o interesse do leitor, espectador ou ouvinte.

Syd Field, Mr. Plot Points

odete Roitman mô...rreu
Não é querer desmerecer o autor e o livro que, inclusive, faz parte da nossa humilde biblioteca. É que o buraco é bem mais embaixo. Ora, não é nenhuma novidade a técnica apresentada. A estrutura aristotélica do drama, que era praticada na Era Cristã, passeava por aí.

O drama é dionisíaco
Mas essa conversação toda, de escrever e criar para prender/vender, assegurar o interesse do público, significa concessão. O artista, então, deve se submeter a isso, desprezando a liberdade criativa e centrando-se nos fins comerciais ou mercantilistas? Ao se praticar essa suposta fórmula de sucesso, incorre-se num aspecto limitador, onde a vala comum serve para todos. Há um nivelamento mediano, para não dizer medíocre, para onde todos vão. Essa estratégia serve bem para o entretenimento, mas na arte ela é castradora. A imprevisibilidade que torna tudo mais emocionante, seja na vida real ou na ficção, vai pra onde? Pro bebeléu!  
Field valeu para Laura Esquivel em "Como água para chocolate"
Um filme, peça de teatro ou livro, cá pra nós, não deve ter sua qualidade mais notória nos rumos da história que é narrada. É na narrativa, na forma como a história é contada, onde o artista, o verdadeiro artista, vai mostrar seu talento e sua capacidade empreendedora lidando com ferramentas como a inspiração e a disciplina. Regra é coisa fora de moda. Cada um assiste o que quer e se diverte e alimenta a alma da forma que achar mais adequada.
Estrutura do drama grego e shaskespereano,
 segundo Gustav Freytag
"Reviravolta" de Oliver Stone

Viver é viver com o imprevisível. E não é fácil. Gente muito louca gosta disso, ou finge que gosta, ou não pensa no futuro. Não é segredo pra ninguém que planejar a vida gera resultados mais confortáveis. Mesmo que a sensaboria venha junto. Mas... o inesperado existe, acontece e causa reviravoltas que podem ser boas, outras nem tanto e outras muito ruins. Perder um vôo por besteira dá uma raiva danada, mas ao saber que foi salvo por esse inesperado contratempo... é um alívio, é nascer de novo. Uma diverticulite, no presidente que ia tomar posse faz o país cair em mãos inesperadas. E aí fica a instigante pergunta: “e se...” “e se...”   “e se...”   Aí, seria outra história.