terça-feira, 29 de novembro de 2011

A vida é

Estamos secos. Talvez falte a chuva que até tem caído, mas não hoje sobre nossas palavras. E molhar a palavra é essencial para que o raciocínio escorra e se transforme no verbo. Mas, enquanto o texto vai sendo parido a fórceps, nunca se deve descartar a esperança de que vai rolar. Não vale enrolar. “Antigamente você tinha histórias engraçadas, hoje...”. Sou advertido. Isso que dá deixar de ser divertido. Faço aquela boca que surge como um traço retilíneo nas caricaturas. Aquela boca que combina com cara de tacho, acho. Mas não acho, ou não achei ainda, o fio da meada que vai nortear o post. Lá se vai o primeiro parágrafo.
E essa água que não cai!!!!
Gostamos de fugir do jornalismo contumaz, livrar-se das pré-pautas, buscar (ou deixar de buscar) alguma linha editorial que defina o estilo do blog. Isso tem nos soado como regras. As regras existem e a existência delas implica na necessidade de que sejam quebradas.  
Formigueiro: 25 de Março
Apesar de escrevermos com tanta frequência e concentradíssimos nos textos, a última coisa que queremos é que essa produção em série assuma proporções industriais. Não escrevemos para vender e não nos permitimos concessões. Tem dado certo, os acessos ao Tyrannus são crescentes. Acreditamos que o caminho escolhido se apresenta verdadeiro e agradável. Escrever é batalha diária. Dá prazer. Como também é prazeroso o ato de compartilhar. Mas dá trabalho. 
Ministérios iluminados???
Enquanto isso, o calor acrescido ao cansaço, mais a chegada do final do ano, com menos de 30 dias, ou melhor, 15 ou 20 dias úteis, deve ter contribuído para baixar a nossa verve ou “vibe”, como se diz hoje. E um turbilhão, uma avalanche de eventos de toda a natureza, além das festas e comemorações de amigos/inimigos ocultos e declarados estão em curso. Ufa!
Clareou no Rio de Janeiro
Há muita gente já despreocupada com o presente, a cabeça tá na viagem planejada, nos presentes que têm que comprar ou nos presentes que deseja ganhar. Pra essas pessoas o ano acabou. Gavetas fechadas! Só no ano que vem!

Paris sempre em chamas!

Mas há outro grupo de pessoas, onde estamos inseridos, que vislumbra o pesadelo que está por vir, a maratona que terá que enfrentar, pois pretendem cumprir com os compromissos assumidos. A letargia que tomou conta, talvez reflita em nossa conversa de hoje diagnosticada pela loucura que estes blogueiros ainda estão e estarão empreendendo. É coisa que não acaba mais... O eu lírico do Tyrannus, coitado, que sofre com os problemas e afazeres pessoais de seus fazedores, precisava mesmo aflorar. Sim, parece que estamos ouvindo a sua voz dizer: “Eu estou um pouco louco!”  
E eu aqui, cansado....
 
Papai Noel vê se você tem a felicidade pra você nos dar!

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

E se...

“Cessa tudo que a antiga musa canta que outro valor mais alto se alevanta”. O autor destes versos, mesmo tendo um só olho, enxergava muito. Exposto o verso, vamos hoje de reviravoltas. Aquelas repentinas guinadas que mudam a rota, o andamento, o destino, de maneira inesperada, de um segundo pra outro. Isso quer dizer também que poderemos mudar de assunto abruptamente. Pode ser que hoje seja assim... sintam-se avisados.
Esse tipo de argumento é muito utilizado e dizem que causa impacto numa história. Syd Field, considerado um dos maiores “script doctors” de Holywwod, escreveu em 1979 o livro: “Manual do Roteiro”. Para ele “todo drama é conflito. Sem conflito não há personagem; sem personagem; não há ação; sem ação; não há história; e sem história não há roteiro”. E os “plot points”, ou as reviravoltas, são essenciais para manter o interesse do leitor, espectador ou ouvinte.

Syd Field, Mr. Plot Points

odete Roitman mô...rreu
Não é querer desmerecer o autor e o livro que, inclusive, faz parte da nossa humilde biblioteca. É que o buraco é bem mais embaixo. Ora, não é nenhuma novidade a técnica apresentada. A estrutura aristotélica do drama, que era praticada na Era Cristã, passeava por aí.

O drama é dionisíaco
Mas essa conversação toda, de escrever e criar para prender/vender, assegurar o interesse do público, significa concessão. O artista, então, deve se submeter a isso, desprezando a liberdade criativa e centrando-se nos fins comerciais ou mercantilistas? Ao se praticar essa suposta fórmula de sucesso, incorre-se num aspecto limitador, onde a vala comum serve para todos. Há um nivelamento mediano, para não dizer medíocre, para onde todos vão. Essa estratégia serve bem para o entretenimento, mas na arte ela é castradora. A imprevisibilidade que torna tudo mais emocionante, seja na vida real ou na ficção, vai pra onde? Pro bebeléu!  
Field valeu para Laura Esquivel em "Como água para chocolate"
Um filme, peça de teatro ou livro, cá pra nós, não deve ter sua qualidade mais notória nos rumos da história que é narrada. É na narrativa, na forma como a história é contada, onde o artista, o verdadeiro artista, vai mostrar seu talento e sua capacidade empreendedora lidando com ferramentas como a inspiração e a disciplina. Regra é coisa fora de moda. Cada um assiste o que quer e se diverte e alimenta a alma da forma que achar mais adequada.
Estrutura do drama grego e shaskespereano,
 segundo Gustav Freytag
"Reviravolta" de Oliver Stone

Viver é viver com o imprevisível. E não é fácil. Gente muito louca gosta disso, ou finge que gosta, ou não pensa no futuro. Não é segredo pra ninguém que planejar a vida gera resultados mais confortáveis. Mesmo que a sensaboria venha junto. Mas... o inesperado existe, acontece e causa reviravoltas que podem ser boas, outras nem tanto e outras muito ruins. Perder um vôo por besteira dá uma raiva danada, mas ao saber que foi salvo por esse inesperado contratempo... é um alívio, é nascer de novo. Uma diverticulite, no presidente que ia tomar posse faz o país cair em mãos inesperadas. E aí fica a instigante pergunta: “e se...” “e se...”   “e se...”   Aí, seria outra história.

domingo, 27 de novembro de 2011

A árvore

Assistir ao filme “Árvore da Vida”, que levou a Palma de Ouro no Festival de Cannes de 2011, deu chororô aqui em casa. Lágrimas discretas e aquela coisa que incomoda. Uma sensação de aperto, de um nó arrochando a garganta e o coração. Não é um filme qualquer e ninguém fica incólume. Depois da sessão cinema em casa que começou lá pela 1h da matina de sábado pra domingo, fomos dormir, mais pensando do que falando sobre o filme. Ao despertar, a primeira conversa recorreu ao filme e não poderia deixar de ser. Não fomos imunizados das indagações e inquietudes levantadas, que mexeram e fizeram emergir conhecidos espectros.

A premiação do filme em Cannes dividiu. Nem todos acharam justo que o filme do americano Terrence Malick levasse o prêmio máximo do festival francês. Talvez porque Malick, que estreou como cineasta com um curta em 1969, tenha realizado apenas cinco longas metragens, incluindo a “A Árvore da Vida”. Também roteirista, o trabalho do cineasta tem muito mais a ver com qualidade do que com quantidade. Mestre Kubrick é outro que assim era.

Direção premiada


O filme narra recordações de uma família de classe média americana, formada por um casal e três filhos. Uma família normal, com os problemas corriqueiros. O transcorrer da vida parece ser igual para todos, sem distinção: amor de mãe é incondicional; o amor de pai é comedido; amor de filho é entremeado de dúvidas, amarguras, ciúmes, posse, incompreensão e o amor fraterno é sádico e cheio de afeto.



O diretor turbina sua narrativa de forma vigorosa, partindo da discreta família, para a criação do planeta Terra, com cenas explícitas da força da natureza que constrói condições para se fazer a vida. Um mergulho metafísico amparado muito mais nas imagens esplendorosas com bela trilha sonora, do que nas palavras propriamente ditas. A trilha é do compositor francês Alexander Desplat, incluindo músicas Berlioz, Mahler, Respighi, Mussorgski e Mozart, entre outros.
Repleto de alegorias e simbolismos, “A Árvore da Vida” vai deslizando, encantando e emocionando, enquanto fazemos um esforço em vão para tentar entender o filme em sua totalidade. Bobagem. A estrutura da narrativa é totalmente subvertida e o que vale é se deixar levar.


Atores experientes e consagrados como Brad Pitt e Sean Penn estão no elenco, além de Jessica Chastain, de quem jamais ouvimos falar. Estão convincentes, mas, quem rouba a cena é o garoto Hunter MacCracken, numa atuação impressionante como o filho primogênito. No mais, é dizer que o cinema sofisticado de Terrence Malick é arte pura. Sendo arte, é a ciência do belo, como bem definiu o filósofo, escritor e poeta francês, Paul Valéry.  





sábado, 26 de novembro de 2011

O magnífico sete!

Parque Nacional do Iguaçu
Sábado é o sétimo dia da semana. Viajemos nesse número com a promessa de pintar e bordar o sete.  Segundo a Bíblia, o sete é um número perfeito. Está na escritura sagrada: “No princípio, Deus criou os céus e a terra”. Essa frase, em hebraico, língua original do santo livro, tem sete palavras. Deus criou o mundo em sete dias e ele que nos perdoe, por não sermos muito religiosos, mas por lembrar que sete é número de mentiroso.
Sete são os pecados capitais, as pragas enviadas ao Egito, as artes, os continentes, os chacras, as virtudes humanas e aqueles baixinhos que acompanhavam a Branca de Neve. No Apocalipse de São João encontramos: 7 Estrelas, 7 Igrejas, 7 cornos, 7 Selos, 7 Candelabros, 7 Anjos, 7 Trombetas, 7 coroas, 7 Trovões e 7 Taças.

Mas ainda falta a gente descobrir segredos que estão guardados a sete chaves que, talvez, nos ensinem a tornar este mundão desporteirado melhor pra se viver. Sobre isso, nada consta, ao que tudo indica, nos escritos que nos deixaram Thales, Bias, Cleopulo, Mison, Quilon, Pitaco e Sólon, os sete sábios da Grécia. Procuramos desesperadamente uma imagem de Pitacos. Não achamos. De onde concluímos que essa história de ficar dando pitacos não leva a nada.  


As cores do arco-íris, as notas musicais, os mares e os buracos das nossas cabeças também são sete. O cinema, a sétima arte, apresenta “Os sete samurais”, clássico de Akira Kurosawa. Quem conhece o filme e se lembra da história, há de convir que eles eram, na verdade, seis. Um entrou meio que de carona. Tudo bem. Afinal de contas, os três mosqueteiros eram quatro.

Os justiceiros de Kurosawa

São também sete as maravilhas do mundo antigo (Colosso de Rodes, Pirâmides de Quéops, Farol de Alexandria, Jardim Suspenso da Babilônia, Estatua de Zeus em Olímpia, Templo de Artemis em Efeso, Mausoléu de Halicarnasso), sete novas maravilhas (Cristo Redentor, Ruínas de Petra, Grande Muralha da China, Machu Pichu, Chizen Itza, Coliseu, Taj Mahal).  

Colosso de Rodes, aguentou só 55 anos, mas entrou na lista!

Neste mês foi divulgada a lista das sete maravilhas naturais, Amazônia, Cataratas do Iguaçu, Ilhas de Jeju, Ilha de komodo, Montanha da Mesa África do Sul, Baía de Halong, Vietnã, Parque Nacional do Rio Subterrâneo, Filipinas. Duas dessas maravilhas estão aqui no Brasil!!!!!!

Baía de Halong

Justiça seja feita, a Argentina está sempre no nosso caminho. Dividimos com ela uma das belezas naturais recém eleitas: as cataratas do Iguaçu (no idioma dos hermanos Cataratas del Iguazú).

Em 2011 o planeta alcançou o fenomenal numero de sete bilhões de habitantes.
"The magnificent seven", com The Clash, amamos!

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Amor em 5 tempos

O que dizer de uma história contada a partir do final do relacionamento até o início? Parece que desta forma o expectador fica incólume, ao invés de se acostumar e envolver-se as agruras e alegrias do casal, é possível, dessa forma, pensar isoladamente cada momento contado, e ser na medida do possível imparcial.
Em “Amor em 5 tempos” não há cafajeste nem coitada, tampouco o contrário. Mas os personagens oscilam entre ser isso ou aquilo. Às vezes são “canalhas” simultaneamente. Depende da circunstância e, também do ponto de vista. O diretor francês, François Ozon, nos deixa bem a vontade para escolher quem foi que pisou na bola nesta ou naquela situação.



Ozon vale-se do ditado: “em briga de casal, não meto minha colher de pau”. E mostra-se um bom contador de história, embora, às vezes, fique a sensação que o filme poderia ser mais vibrante. Falamos em brigas, mas elas não chegam a acontecer escancaradamente. Apenas aquelas cobranças (ou falta delas) que permeiam as relações entre casais, e que dão o tempero da coisa.



Pense bem e conte, pode ser mentalmente, uma história sua do final para o início. Dessa forma a primeira sensação será de tristeza, sofrimento ou alívio (sentimentos relacionados a perda), e a última imagem ou lembrança, certamente, será de alegria ou frescor, que só a descoberta ou conquista da paixão pode proporcionar. O meio do relacionamento – o amor - é o melhor-pior que só o dia-a-dia, o cotidiano e a rotina podem acomodar.  

Sob as lentes de Ozon

A trilha sonora é composta por muitas canções italianas, super românticas, quase bregas, mas que não dão clima de dramalhão. ”Una lagrima sul viso” e ”Sapore di sale”, entre outras, enternecem nossos corações saudosistas. Escolha certeira, porque parece impossível compor um clima de amor- desamor-amor com as músicas francesas. Elas não têm o ardor das canções italianas.
Nós temos a mania de querer adivinhar a cena final de cada filme que assistimos. Neste aqui, foi barbada. Agora que você já leu tudo isto sobre “Amor em 5 tempos”, esqueça essa conversa de cena final. Tente adivinhar o início deste. Não vale dizer que é o divórcio... Pense em algo assim... mais caliente.  
A bela Valeria Bruni Tedeschi

O não menos belo, Stéphanie Friess

Filosofia + ócio = felicidade

Nosso post hoje é motivacional. Queremos estimular a quem nos lê a enfrentar tarefas árduas, que implicam em encarar com garbo e coragem o calor cuiabano. E quebrar a rotina. Fazer algo diferente, inusitado, debaixo desse sol estarrecedor que cozinha nossas cabeças. Muita gente que nos encontra, pergunta como é que conseguimos tantos assuntos. Ora, esta dupla aqui está sempre indo à luta. Em busca de estímulos e experiências que valham a pena.

E confessamos: hoje cometemos um exagero. Submetemo-nos a usar os próprios fazedores do blog a um atrevimento, talvez, descabido para alguns. Nos propusemos a ser verdadeiras cobaias humanas, dessa experiência. Aceleramos nossos afazeres matinais e, logo no início da tarde, rumamos para um discreto curso d’água, 40 km, malemá, de Cuiabá, na direção que leva a Chapada dos Guimarães. E vivenciamos com incrível voracidade o causticante sol a pino. Na bagagem filtro solar, sunga e biquíni, nos pés o bambolê (havaiana), toalha de banho, uma dessas água mineral H2O (ô trem sem graça) e o que mais? Ah, sim. Nossa máquina fotográfica indefectível, que só no caminho percebemos que estava sem a bateria.



Sei lá há quantos anos não íamos nesse lugar. A pequena ponte que passa sobre o Rio Claro era um mero local de passagem. Desta vez, lá paramos. Grande expectativa a nossa. Como estaria o local? Como essa arrojada pauta repercutiria em nosso texto? Quem ou quantas pessoas lá encontraríamos? Essas e muitas outras perguntas, nossos visitantes terão que descobrir por conta própria no decorrer das palavras e imagens que aqui estão. Vocês sabem que o Tyrannus não costuma se preocupar muito em deixar tudo tão (rio) claro. E temíamos pelas imagens captadas, já que todas foram feitas por nossos celulares.


Bom, o que vimos e experimentamos, foi bom. Muito bom. Ótimo. Quase excelente. Recomendamos, que de vez em quando façam algo assim. É difícil sair da rotina. Mas faça por você! Tomar um banho de rio... num ambiente tranquilo, refrescante, com suas águas cristalinas e frias. Ficar de bobeira olhando os cardumes de lambaris, riscadinhas e piquiras alvoroçados nos farelos de petiscos e sentir e rir com seus beliscões pelo corpo. Tem ainda de lambuja o murmúrio das águas e canto de passarinhos na mata.  




Nesse ambiente tranquilo de puro lazer deu até vontade de filosofar, porque vocês sabem que a filosofia é filha da utilidade e o pai da ciência é o ócio.
Filosofia + ócio =
 
Tchibuuummmmm