quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Férias...


Solidão
Parece que trouxemos um pouquinho do sol para o Rio. Mas isso teve lá o seu preço. Aeroportos, filas, cartões de embarque, bagagens, escalas, aterrissagens e decolagens, confinamentos, banheiros do tamanho de uma geladeira, nuvens, táxis, portas em automático e aquela mensagem maravilhosa: “procurem relaxar e aproveitem o nosso voo”. Dá vontade de responder: “Ora ora, vá pentear macaco”. Aproveitar o que nesse espaçamento exíguo, onde me sinto que nem um bicho-fuçador numa carroceria de caminhão até na tampa de família-suínos.
A ambiência dos aeroportos, apesar de estarem quase todos cheios, faz lembrar aqueles quadros do Edward Hopper. Um ar de vazio existencial, com aquela gente tipo não estou nem aí pra você, é o que prepondera.  E qualquer bebidinha ou comida, altas cifras. “Sou obrigado a concordar com o senhor”, disse-me um garçom, no implacável aeroporto Juscelino Kubitschek de Brasília, quando comentamos sobre os altos preços cobrados nesses locais. Dá vontade de levar uma farofinha de frango pra bater o rango de viagem e comprar só o refri, pra ajudar a descer, porque não se deve brincar com farofa. Que nada, melhor levar a parte líquida da refeição também: uma água tônica pela bagatela de 4,50 reais é que faz repensar o conteúdo da matula.
Água tônica? 4,50.
Enfim, chegamos. Mas há uma via crucis a ser cumprida: a procura de taxi que nos levará ao bairro Botafogo. Tem os txs azuis (especiais), uma grana; os amarelinhos que ficam bem na porta de saída, outra grana.  E tem outros amarelinhos que ficam a 20 metros, na pista do meio. Nesses, paga-se o que der o taxímetro. Os tx’s especiai têm  preço alto pra caramba. Os mais próximos, segundo nos informaram, de 55,00 a 99,00. Um taxista oferece fazer o trajeto por 99,00, percebe o desinteresse e propõe logo um desconto: 90 e não se fala mais do assunto. Pegamos o amarelinho da faixa central  com a condição de pagar o taxímetro.  

Trajeto longo do Galeão até o Botafogo. Rolou fácil uma conversa agradável que é uma característica do povo daqui: educado, gentil, conversador, antenado com o que acontece na cidade, saca das malandragens, dá dicas valiosas... isso é o saber receber ao estilo carioca!
A história é sobre a lei seca. O Rio tá batendo duro. Um copo de cerveja (melhor chopp, o que mais aqui), se o bafômetro acusar, bafão. Multa na certa. Se o provável infrator se negar a gerar uma prova (submeter-se ao bafômetro) terá a carteira presa, o carro guinchado e pontos marcados na carteira, mas com direito a recorrer na justiça.  Segundo o taxista, essa ação reduziu o número de acidentes e mudou o hábito do pessoal que tá optando em curtir os botecos perto de casa.  Mas a rapaziada aqui não é mole não. Os tuiteiros entraram em ação, avisando os locais onde haveria blitz.  Saída para a direita! Mas a polícia aqui também é esperta, sacou a artimanha. Estão tuitando também.  Saída para a esquerda! Mobilização e desmobilização geral! E chegamos ao destino sem perceber. A corrida? R$ 45,00 paus.

São Jorge, ma medida do possível
Mal chegamos e amanhã decolamos novamente. Mais aeroportos e aviões. Com destino a Foz do Iguaçu e a Serra Gaúcha. Nada de reclamações, porque claro que a viagem, em si, não é confortável, mas é uma experiência afetiva e repositora das energias gastas ao longo de 2011. Teremos a companhia de familiares e de pessoas queridas de anos de amizade e convivência. Vai ter muita risada, muito falatório, pegação no pé, pagação geral... Qualquer deslize é motivo para um bom tempo de gozação e de lembranças que serão recordadas nos anos seguintes.

É ele
E assim começam as crônicas de viagem de férias do Tyrannus, que está voando mais longe. Longe é um lugar que não existe. Então tá, perto. Perto do selvagem coração da vida. Vida boa. Agora e sempre.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Jornalismo arriscado!


Hitch, sempre incomodando

Tá morrendo muito jornalista ultimamente... Tanto que a profissão foi classificada pela Organização das Nações Unidas como uma das mais perigosas do mundo. Em 2010 foram 57 mortos, em 2011, 66 mortos e 1044 presos trabalhando, segundo a Ong Repórteres sem Fronteira (RSF). São números que dizem respeito a mortes e retaliações como consequência do exercício da profissão.  Um jornalista, ético e comprometido com valores positivos da sociedade, é um sujeito que incomoda muita gente poderosa. Se arrisca e nem sempre tem o apoio da empresa e tem que aguentar o tranco sozinho. Alguns acabaram pagando com a própria vida.

Daniel Piza fará falta no jornalismo cultural

Reportar guerras e investigar desmandos e descalabros políticos é campo minado. É muito comum que classes dominantes de vários países optem pelo silêncio e pela não transparência de suas ações nefastas. Comandar e executar ações questionáveis na surdina é uma estratégia em pleno vigor neste século XXI. É difícil aceitar essa verdade nua e crua.
“Acho que o secretismo é a maior ameaça à liberdade de expressão e à imprensa no País”. A frase é do Rubens Valente, um dos mais vigorosos jornalistas investigativos do Brasil, ganhador de vários prêmios. Valente não só no nome, ele praticamente começou sua trajetória aqui em Cuiabá. Trabalhamos juntos e nos tornamos amigos. De vez em quando me encontro com ele e conversamos bastante. Há alguns anos, num papo descontraído, ele me confessou que um de seus sonhos era atuar na Faixa de Gaza. Torço para que abandone essa idéia porque gosto muito dele e também acho que aqui no Brasil ele já tem “diversão” suficiente. No meu entendimento, Valente vai contribuir muito para melhorar a sociedade brasileira, graças a sua lisura e a qualidade de seu trabalho.

Rubens, Valente até no nome
O final de 2011 registrou o game over de outro profissional que incomodava. No dia 15 passado Christopher Hitchens, “Hitch” para os íntimos, uma das figuras mais importantes do jornalismo contemporâneo, expoente do moderno ateísmo, crítico incomparável, faleceu de câncer. O polêmico Hitch iniciou a carreira, na década de 70, como jornalista de esquerda, na Grã Bretanha. Em 80 mudou-se par aos USA e... converteu para a direita apoiando a Guerra contra o Iraque.  Escreveu 17 livros dentre eles “Deus não é grande: como a religião envenena tudo” (2007). Sua metralhadora mirou e expeliu suas idéias para vários alvos, entre eles a monarquia inglesa, Henry Kissinger (“O julgamento de Henry Kissinger”, 2001) e Madre Tereza de Calcutá (“A posição do Missionário: Madre Tereza na Teoria e na Prática”, 1995). “O mundo sem Hitch tornou-se um lugar mais acolhedor para tiranos e censores”, disseram.

Hitch, baforadas no banho

Jornalistas costumam ser pessoas conhecidas e populares. Quando partem, são lembrados. No último final de semana, por exemplo, Cuiabá perdeu “seu” Eugênio de Carvalho, um dos pioneiros da comunicação mato-grossense. Trabalhei com ele na Assembleia Legislativa e na Revista Contato. “Seu” Eugênio sempre tinha conversa pra mais de metro. No corre corre que é a vida jornalística, gostava de trocar ideias com ele.  Também nesta virada de ano, a morte de outro jornalista nos surpreendeu. Daniel Piza, jornalista e escritor, profissional importante no meio cultural brasileiro, saiu de cena por causa de um AVC. Ele tinha só 41 anos.  Certa vez mediei uma conversação entre ele e o Matinas Suzuki, explorando o tema jornalismo literário.


Enquanto alguns jornalistas morrem, outros deixam a gente morrendo de vergonha. Ou não. Sei lá. Jornalistas se mostram a toda hora através de palavras e imagens e, ainda, em situações inusitadas. O ano promete. Um dos assuntos mais “in” no twitter nestes primeiros dias de 2012 foi a piada do Evaristo Costa, ancora global. Piada de fruta... ! “Sandra (Annenberg), você gosta de mamão. – Gosto sim, Evaristo. Então toma a minha mão”. Sem graça demais!

Uma mão ou um mamão????

E ainda um episódio regional. O discurso de final de ano do senador Pedro Taques deu uma derrapada, quando ele convocou a população a ser resistente na luta contra o estado de direito... ops! E teve blogueiro que nadou de braçada com essa escorregadela e... derrapou também. Procuramos o texto hoje no blog e... ops! Ué...? É, tá diferente. 

domingo, 1 de janeiro de 2012

Prenúncio de um bom ano!!!!


Inaugurar o ano, quanta responsa. Que nada. É só mais um dia pra jogar conversa adentro. Esperamos o século XXI emplacar seu primeiro engradado de anos na temperatura fresquinha de Chapada, com direito a um aguaceiro lascado. Receita boa para uma boa “virada”: estar junto a pessoas queridas e eternamente importantes, comer e beber do bom e do melhor, trocar palavras, carinhos e afetos. E quanto mais a gente rir, melhor. Alegria e emoção. Quanta curtição. Bom demais.
Sossego. Um desnegócio importante para tais ocasiões. O que esperar de uma cidade pequena invadida por alguns milhares de pessoas que ali buscam seu lugar de festa? Outra coisa, menos paz e tranquilidade. Mas e aí, vai encanar com isso? Não, nadinha. A vida é improviso, que nem jazz. Funk pancadão não, é diferente. Phoda!  Um passeio pelo mirante, pra curtir a paisagem anunciadora do “as águas vão rolar”; mais o retorno estratégico no meio da tarde domingueira tiveram essa insuportável trilha sonora. Decibéis acima da capacidade tolerada.
Povo mal educado encosta o carro com o som no último volume em locais públicos, não importando se quem não pagou quis ouvir. Essas situações, que já foram muito mais presentes lá nos Guimarães, se repetiram no último final de semana. Triste é ouvir liderança política desculpando os abusados com essa: desculpe, mas nem todo mundo é educado como você!!!!! Da próxima vez levarei uma plaquinha para sinalizar o ambiente e colaborar com a coletividade.  “Espaço reservado para imbecis. Caia fora!”

A comemoração despropositada também caiu pros lados dos rojões e morteiros, nas mãos de "sem senso". Um perigo! Nem as operações pacificadoras nas favelas do Rio fazem tanto barulho. Estrondos que provocavam um susto atrás do outro. Cães desesperados procurando os debaixo das camas, alarmes de carros disparando, sirenes de ambulância. Muito barulho por nada?
A troca de ano, momento pra ritualizar, claro que teve muito mais momentos agradáveis. Ledo engano achar que a barulheira infernal faria sucumbir o percurso de horas tão importantes. A concentração e o esforço nesse sentido venceram. Estamos, e nossos amigos também, preparados pra enfrentar a baixaria. Evoluímos. Tudo na vida evolui, menos a baixaria.
E no meio de todo esse clima, de toda essa agitação, adrenalina a mil, nada como reparar e registrar as bonitezas da vida. Essa mesma, a nossa, que vai passando diante de nossos olhos, se esvaindo, como a nos provocar para que façamos dela o que bem entendemos. No nosso caso, registrar, seja em fotos ou escritos.
Dezesseis minutos após a entrada de 2012 um toró desabou. Água pra que te quero. Não teve como resistir. Quem estava na praça preparado pra entortar o caneco, desistiu. Foi pra casa. Se continuou ou não com a farra não sabemos, mas, no aconchego do lar, com a chuva caindo a cântaros e molhando pra valer, teve ânimo arrefecido e encostado num canto do sofá ou com a cabeça deitada sobre uma mesa. Dormir até o dia raiar. Santa chuva, muitos pais e mães devem agradecer... seu filhinho(a) tá de boa! A natureza, sempre sábia, amainou o ambiente que tendia pra alguma coisa, que não ia ser legal.

A partir daí a entrada do ano foi calma e gostosa, como merecemos. O despertar no primeiro dia de 2012 foi com um cocoricó soberbo. O galo do vizinho soltou a voz do alto de um muro, prestes a desabar. A terra encharcada, as plantas verdes e felizes, quantidades de manga, goiaba, folhas e flores nas calçadas e ruas. Foi um deu certo “que o mundo compreendeu e o dia amanheceu em paz!”




quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Questão de imagem

Alguns filmes vão nos pegando devagarinho. À medida que os minutos vão passando, sem nem perceber, já estamos gostando. Com “Questão de Imagem”, filme francês de 2004, foi assim. Não há nada de especial e de exuberante no que se vê, mas o conjunto apresentado, especialmente, a forma como a história é contada e o tratamento realista para com os personagens apresenta um resultado redondinho, fechadíssimo. A impressão que fica é a de um filme perfeito. Perfeito, dentro de sua simplicidade. Sem viagens, sem enrolação nem ambiguidades, a história é passada de forma retilínea.
Dois escritores, um famoso e um em busca da fama, mas ambos problemáticos. Duas mulheres que se revelam generosas e fortes, ao ponto de suportar a chatice de seus maridos artistas. A filha do escritor famoso, fora dos padrões estéticos e boa cantora, ainda estudando pra melhorar sua performance vocal, tem problemas de auto estima por causa do corpo rechonchudo e da fama do pai.


A partir de agora, estou proibido de dar mais pistas em torno dos personagens e da própria história. Vamos passar direto ao trabalho da diretora, Agnès Jaoui. Este foi o seu segundo filme nessa função, porque como atriz e roteirista possui um currículo mais extenso. “Questão de Imagem”, aliás, venceu o prêmio de melhor roteiro em Cannes. A premiação foi dividida com o marido, Jean-Pierre Bacri, que também atua como ator neste filme.

A personagem central é a aspirante ao canto lírico Marilou Berry. O jogo de interesses que move o mundo das relações interpessoais é o pano de fundo de “Questão de Imagem”. Egoísmo, falsidade, desprezo, arrogância, pessimismo... por aí vai o desfile de qualidades humanas negativas expostas no filme, mas tudo sem forçar a barra. As situações apresentadas no filme são, por vezes, tão corriqueiras, que o espectador haverá de se sentir como uma espécie de personagem secundário.


Chega a ser curioso como essa artista polivalente do cinema, que é Agnès Jaoui, consegue explorar tanto a mediocridade (mais para o sentido de medianos, do que para o pejorativo) de seus personagens e, ao mesmo tempo usar uma linguagem tão simples, mas, em momento algum o filme esbarra no medíocre. Passa ao largo disso, com seu roteiro inteligente e divertido.
Não diria que o filme passa uma mensagem ou dá uma lição de moral. Cada um que tire suas conclusões. E que o espectador saiba tirar proveito dessa conversa em torno da questão da imagem. Com a imagem, eu, tu, ele... qualquer um, pinta e borda. Maquiar não é difícil. Tem gente que não sabe diferenciar imagem de reputação, mas aí já é outra história.
Uma imagem diz mais que mil palavras.


quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Tô de volta

Tô de volta... Esse "tô de volta" é tão agradável de ouvir. Não tem nada a ver com o velho e antigo sonho da possibilidade de voltar o tempo. Refere-se a voltar ou volver a um espaço, a uma afetividade, a uma questão... Nos últimos dias ouvimos esse "tô de volta" saboreando o efeito do som reverberando. Como é gostoso ouvir de alguém que foi embora, debandou, mudou, saiu, pegou rumo por estar feliz, ou desesperançoso, magoado, desencantado, ansioso, curioso... "n" motivos: voltar.

Como assim... "voltar"? E ficamos conversando ainda um tempinho até que algo mais pragmático roubou nossa atenção. Abrimos outra janela, mas o arquivo iniciado ficou "suspenso" e quando retomamos o assunto, não foi preciso voltar à estaca zero. Porque a memória é assim e a gente vive voltando. Talvez, por que o mundo, que é muito maior do que nós, dê voltas; ou simplesmente porque, volta e meia, é preciso mesmo voltar. Assuntos e lugares, por exemplo, são palavras que exigem uma extensão praticamente infinita. E geram situações recorrentes em nossas vidas. A vida é um ciclo com eventos cíclicos. Ou não.


O ano está terminando e o novo se inicia. O ritual é o mesmo do ano anterior, dos anteriores... Na casa de cicrano, na casa de fulano, lá é mais animado..., ou na casa de sei lá quem. Todo mundo quer se programar pra passar o ano numa ocasião especial. Taí mais uma situação que sempre volta. O nosso estado de espírito e a relativa ansiosidade que bate, quando o 31 de dezembro tá quase estourando. E teremos um ano novo com várias voltas, retornos...



Voltar é carta marcada no cancioneiro universal. E geralmente, pelo menos nas canções brasileiras, surge em versos que refletem algum entrevero amoroso que foi solucionado ou, pelo menos, teve sua solução anunciada. Desde bem pequenitos, sabemos que quem parte leva saudades de alguém que fica chorando de dor. Ah... ai que sardades daquele tempo bão, que não vorta mais.



Será que ele Voltaire?

Nossas cabeças de vento voltou. Aterrissar numa conversa semi-onírica, desentranhada da poesia que abarca a música brasileira e eis que surge uma colcha de retalhos onde versos de várias canções dão pinta de um diálogo. Um casal brasileiro morava nos Estados Unidos, esgota a relação após anos a fio de balada em balada. Vida dura essa. Eles brigam e ela decide voltar para o Brasil. Ele lá, ela cá... Na base das mensagens cifradas. Quem volta, quem não volta?

(Ela): Disseram que eu voltei americanizada.
(Ele): Mas se ela voltar, se ela voltar que coisa linda, que coisa louca...
(Ela): Vou pedir pra você voltar.
(Ele): Vou voltar, sei que ainda vou voltar...
(Ela): Volta, vem viver outra vez ao meu lado.
(Ele): Pode ir armando o coreto e preparando aquele feijão preto, eu tô voltando...
(Ela): Você voltou, meu amor. Alegria que me deu.
(Ele):Eu voltei, agora é pra ficar...
(Ela):Voltou às quatro horas da manhã, mas só na quarta-feira.
(Ele):Voltei pra você...
(Ela):Ele voltou, o boêmio voltou novamente.
(Ele):Voltei pra rever os amigos que um dia...






Então, gente boa, tá aí quase prontinho. Agora é dar um final na historia... "ou levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima" ou sai, compra e volta com um "voltarem". Porque tão bonito quanto os que foram e voltaram é a volta dos que não foram...

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Inacreditável!

Difícil de acreditar... Inacreditável. É isso. Eis o assunto de hoje. As coisas vão acontecendo, parecem estranhas às vezes, mas vamos desconfiando à medida que os fatos constatam que não é bem assim ou assado. Deu na televisão, saiu no jornal e na internet. E o povo vai falando e a gente vai tenteando pra crer.

É difícil de acreditar quando o Mantega alardeia com a informação de que o Brasil é a 6ª economia do mundo. Mas, dá pra engolir, porque, afinal, são números e trata-se de uma ciência exata. Só que é quase impossível acreditar que esse crescimento da economia vai reverter em melhorias na educação, saúde e segurança públicas, no mínimo!!! E a desigualdade social, a qualidade de vida, o índice de desenvolvimento humano? Veja bem: eu tô te explicando pra te confundir. Obrigado Tom Zé, agora entendi.

"tá mais ou menos desse tamanho assim..."

É difícil acreditar no legislativo onde os legisladores legislam em causa própria ou de interesse de grupos. Quando a mais alta corte da justiça brasileira mostra-se encafifada com outra instituição, o Conselho Nacional de Justiça, que foi criada justamente para aperfeiçoar e fiscalizar o serviço público na prestação da justiça. Fica difícil acreditar na nossa justiça e saber que esse Judiciário que aí está é um poder encastelado que, às vezes, mostra-se acima do bem e do mal.


A paladina, Eliana Calmon X bandidos togados 

Ainda na esfera pública e aqui na nossa cozinha, em Cuiabá. Até outro dia, a discussão sobre o transporte público pra copa em Cuiabá era um disse-me-disse só. Agora, já estão assumindo que o tal do VLT não fica pronto pra 2014 e sugeriram, pra tal da mobilidade urbana, o uso de "bicicreta", dá pra acreditar?

É difícil de engolir... por exemplo, o caso do Adriano. Dá pra crer que um homem que sai da boate às 6 horas da matina, mamado, senta no banco da frente do seu carrão com o seu amigo e guarda costa, e deixa as três moçoilas no banco de trás? Que que é isso companheiro? Quem anda assim não são os paulistas? (putz! Será que o Adriano assimilou rapidinho assim o jeitão paulista de se acomodar nos carros?). Um tiro. Quem foi o autor? A moça, diz Adriano. Adriano, diz a vítima (?), vai saber... Mas tá difícil de acreditar, tá!!!


É assim: home na frente e as muié atrás.
Quem chegar por último é a muié do padre! Fui!

E já tem corintiano dizendo que a culpa é do Rio de Janeiro. Não deve ser burrice, deve ser por esse amor tarado que avassala os fiéis. Só isso mesmo pra não entender que Adriano e Sr. Encrenca são homônimos. Trago na memória outro disparo dele(?), também certeiro. Em 2004 na Copa América, contra os argentinos.

E o FHC na mídia, discutindo abertamente sobre a maconha, pode até ser um marketing para esse intelectual. Como também pode estar imbuído das melhores intenções. Mas fica cada vez mais difícil acreditar no que ele disse, quando estava em campanha presidencial na era do tucanato, "fumei maconha, mas não traguei". Pra que fumou então, Marcolino!

Tá rolando que o Pedro Bial vai lançar um livro. Um livro com os textos que ele faz pros BBB’s que estão emparedados... prolixos (vale também pro lixo). Não garantimos que vai rolar essa compilação em livro, ou se é uma "pagação" do irrequieto Marcelo Mirisola em uma de suas divertidas e ásperas crônicas. Comprar nunca! Mas é moleza crer que baboseiras do Bial estarão, por várias semanas, nas listas dos mais vendidos.


Mirisola: BBB de Bial é blá, blá, blá!


O povo brasileiro com essa cara de bonzinho é macaco véio, faz que acredita mas, não acredita cegamente em muita coisa que é dita, escrita, prometida, jurada e desconjurada. Por isso, não fica nessa de cobrança porque sabia de antemão que o que tem muito é conversa pra boi dormir, conversa fiada, muito pó de traque (que faz um fumacê danado e o estalo é fraquinho, fraquinho...). Bom não é. É um jeito de levar a vida sem problema, de evitar confronto, de desavenças, de perder amizade, uma boquinha, o bonde, a hora, a oportunidade de ficar calado, a vergonha na cara, a esperança de que as coisas mudem, ou a própria memória... Memória???!!! Do que é que a gente tava falando mesmo?



 

domingo, 25 de dezembro de 2011

Natal é pop!


Natividade segundo Rubem
Ele chegou e passou. O Natal. E a gente ficou sem palavras pra focar especificamente nessa data. Dia mais família do que esse tá difícil. Aqui no Tyrannus ocorreu um capotamento. Fazia parte dos planos um post novo, no sábado à noite, após o encontro com Papai Noel. O que aconteceu: a cervejinha que rolou e a ceia, que desta vez ficou mais tarde. A culpa da comida, que estava muito interessante, mais o embalo das bebidas, provocaram exageros gastronômicos. Com a pança cheia, ficou difícil de escrever. A digestão convocou, parece, todos os esforços do corpo. O cérebro ficou esquecido lá em cima. O jeito foi “bodar” mesmo. Atirar-se na cama e praticar o sono, apesar do risco de um pesadelo. Pesadelo em noite de Natal?




 Um amigo lá em Chapada aplicou o golpe na esposa, que queria prorrogar o horário da ceia, deixando-a para mais próximo da exata hora em que o menino Jesus nasceu. Não sei se é verdade ou não o que ele disse, mas sei que a nossa amiga acreditou ou, pelo menos, contemporizou com a questão do horário do rango. “Querida, nove horas da noite aqui no Brasil já é meia noite lá em Belém”. Ceia liberada para mais cedo. Esperto ele, e mais esperta ainda ela, porque são esses pequenos acordos e entendimentos diários que fazem um casal viver feliz para sempre.

Billy Bob Thorton in "Papai Noel às avessas"

E depois da correria já anunciada aqui dias atrás, dessa coisa nervosa que chega com a finalização do ano, ufa, ainda bem, começamos a maneirar. Só mais uma semana e uns poucos compromissos a serem cumpridos. Já é possível botar o pé no freio e relaxar um pouco. Porque também é conveniente deixar afazeres para o próximo ano. Responsabilidade demais pode gerar stress.
Mas, para esta semana, camaradas e caramado(a)s, algo imprescindível precisa ser feito ainda pelo seu próprio bem. Nada formal, nem informal. Espiritual, digamos. Um banho de cachoeira ou de rio mesmo, que seja, todo mundo sabe, faz bem para renovar o espírito e quarar o corpo, deixando-o apto e receptivo para as energias positivas que estão por vir.
E comecemos a contagem regressiva porque 2012 vem que vem. E se Papai Noel ainda não passou por você, não desanime. Para nós aqui do Tyrannus é sempre um grande prazer estar presente diante de seus olhos e de seu coração. Com carinho!!!
Capote e Warhol: Natal é pop!

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

O que te possui


“O que você pensa possuir é que te possui”. Por isso, vá ligeiro vasculhar as gavetas, armários, sapateiras, açucareiros e sei lá mais o que pra ver o que realmente  lhe pertence. Mexer em coisas guardadas é remexer com lembranças. Nessas horas é um chororô só. 
Aproveite essa emoção da hora, mas radicalize. Passe um pente fino nesses resquícios do passado, onde se acumulam colônias de ácaros e fungos e microorganismos imensuráveis, e dê um fim nessa coisarada véia. Faça isso. Seja forte. Liberte-se. Porque senão – e pense bem nisso, daqui a mais um tempo você vai ter que montar o seu museu particular de lembranças (incluindo lambanças) de outrora, umbilicalmente encordoadas, que de nada mais lhe servem.

De uma coisa sabemos: precisamos muito mais que o necessário pra viver. Não, não é verdade, não precisamos muito mais que o necessário pra viver. Acostumamos com essa ideia de armários entulhados, gavetas abarrotadas, sapatos empilhados, caixas até nas grimpas e papéis e mais papéis guardados e sendo guardados. Não permita que ninguém faça isso à sua revelia. Faça você mesmo. Faça a coisa certa. Pense bem e seja racional: vai dizer que não sabe pra onde vai tudo isso quando você subir no telhado?
O ano vai se esvaindo e tá na hora da tal faxina. Reoriente a platibanda e aprume o norte do seu túnel do tempo. Porque é assim: tempo bão, a gente sabe que não vorta mais. Agora, o que vem pela frente é que é misterioso e a vida precisa dessas coisas. Faça-faxina. Mas contenha-se. Primeiro as suas coisas, depois estimule quem compartilha o mesmo teto a fazer a sua parte. Tão fácil quanto perigoso é classificar os pertences alheios e dar um destino a eles, né?

Preste atenção no seu estado de espírito momentâneo. Se estiver num daqueles dias de melancolia, não mexa nas suas coisas velhas, porque só vai revirar, mudar de lugar e deixar tudo na maior bagunça... Não fará absolutamente nada. Se estiver com raiva do mundo, é melhor deixar pra outro dia, porque há de se arrepender das coisas que desfez. O desapego é uma condição para renovar.
Toda vez que está por terminar um ano e começar outro, fazemos planos, sonhamos e queremos um rito de passagem. Nada melhor que uma cachoeira com água gelada, a água salgada do mar, ou as águas correntes de um rio pra levar a “inhaca” vencida e começar “zero bala”.

Então...  2012 revigorados, sem as quinquilharias que estão amontoadas e não são nada. Lembrança não é matéria. Lembrança é sentimento, que não amarela, não amassa, nem perde o perfume.