sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Ca(u)sou e mudou!

Quer saber...? Sem nenhum saco pra discorrer sobre “mais” essa história/pretensão/vontade(?) de extinção da secretaria de estado de cultura. Antes do carnaval, a boataria era sobre o fim dessa pasta em nível municipal. Cuiabá é que ficaria sem secretaria de cultura. Só falta algum visionário propor o sepultamento do Ministério da Cultura. Aí sim, a corda e a caçamba vão pro buraco juntas. E fica assim: ficaremos mudos, calados, espantados/chocados diante de tal possibilidade. Não falaremos mais sobre esse assunto. Vamos deixá-lo pra trás e, enquanto nos afastamos, olhemos pelo retrovisor para ver algo que pode ser definido como a mistura de assim caminha a humanidade com triste fim de policarpo quaresma.



Vamos mudar de assunto. Mudar... taí uma palavra na qual vale a pena investir. Verbo que remete a algum tipo de ação, mas cuidado. "As plantas não falam, mas só enquanto são mudinhas". Sabedoria do comediante Ronald Golias. Pra quem preferir algo mais erudito, peguemos o túnel do tempo e vamos de Heráclito lá pras bandas da Grécia Antiga. Ele sentenciou que a única coisa permanente é a mudança.




Mudemos, pois. Mas não é só sair falando que mudou. Eu, por exemplo, confesso que mudei a partir do momento em que assumi que gosto de Roberto Carlos. Quer dizer: gosto de algumas músicas dele, desde que cantadas por outras pessoas. Não me lembro quando foi que isso aconteceu, mas aconteceu. De repente, meu Deus do céu, será que vai chegar um dia em que vou gostar do próprio Roberto cantando que as baleias estão desaparecendo por falta de escrúpulos comerciais?

A mudança no sentido de quebrar paradigmas é importante. Ela vem cheia de ideologias e, muitas vezes, chuta pra longe preconceitos e outros vícios comportamentais. É coisa do bem, acreditamos. Já a mudança física, da transformação do corpo de criança para adolescente e depois para adulto, de um lugar para outro, de uma casa pra outra, normalmente é um transtorno. O risco é de se quebrar... um espelho e ser amaldiçoado com a falta de sorte é uma provável consequência drástica nesse tipo de mudança. Ou não. Essa guinada que é sair de um espaço e ir para o outro é uma situação tão complexa que, sob determinada abordagem, pode ser conceituada pelo ditado popular: “fulano está mais perdido do que cachorro em dia de mudança”.



Já no campo espiritual, ou da fé, como queiram, uma mudança radical pode significar um certo (des)equilíbrio. Entrar numas de cabeça, sair bradando e defendendo com unhas e dentes um novo credo à revelia do que foi vivido e consentido, sei lá. É estranho. Bom, talvez seja preciso considerar a minha intolerância ao supor isto. Se assim for, que Deus me perdoe.

E as mudanças, desde que substanciadas e resultantes de alterações em padrões morais e comportamentais, são necessárias, mas dão trabalho para antropólogos, psicólogos, psicanalistas... E até pra polícia. Enquanto este texto vai nascendo aqui, um constante interlocutor do Tyrannus – a televisão, transmite uma entrevista com Laerte, o cartunista que se veste de mulher e se assume como bissexual. Inevitável não mencionar as mudanças comportamentais que a humanidade já experimentou em relação ao sexo. Pode tudo, não pode nada, vai e vem. E nos lembramos do comentário de um amigo a respeito da história do gay que, de uma hora pra outra, passa a se dizer heterossexual: “Vidro que já guardou pimenta nunca perde o ardor”. Tem coisas que não mudam!    


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Danos imorais

Ele me olhou com uma cara de poucos amigos e respondeu: “Sou autoridade, não dou entrevista”, e foi descendo a ladeira na Praça Alencastro. Eu era só um jornalista que trabalhava para uma emissora de televisão, “enqueteando”’ algum assunto da hora nos anos 80. Mais um sapo engolido na minha coleção. Não sei bem que “autoridade” ele era, se juiz, vereador, doutor ou coisa que o valha. Ficou uma raivinha, que guardo até hoje, mas não ao ponto de gerar câncer ou infarto. Coisas do passado.

Passado rememorado por um motivo justo. Entre os sites que merecem a nossa atenção está o Congresso em Foco. Jornalistas especiais, escritores e intelectuais discorrem ali livremente sobre temas emergentes num nível bem acima da média. Se pensar já é difícil, imagina entender as coisas. Mas, o site citado publicou um texto a respeito de funcionários públicos privilegiados em Brasília. O suficiente para receber uma avalanche de ações na Justiça. Os denunciados por causa dos generosos (acima do teto legal) proventos se sentiram incomodados e no direito de acionar judicialmente o site, por leviandade(?).


A notícia mais recente sobre esse episódio menciona a decisão judicial de rejeitar um pedido de indenização que os altos funcionários do Senado moveram contra o Congresso em Foco, por divulgar nominalmente os envolvidos e os seus respectivos salários. Uma das marajás disse que se sentiu constrangida e que sua privacidade sofreu um golpe invasivo (...ui...). Também, né!? Onde já se viu tornar público um fato dessa natureza? Pra quê? Muita obviedade em tão poucas perguntas. O sábio juiz sugeriu que os 44 processos deveriam ser aglutinados em um só e rejeitados em bloco (até 19/02 essa decisão não tinha acontecido).


A indenização pedida para aplacar a ira e para recompor a imagem e a idoneidade desses senhores e senhoras, que se sentiram lesados e fragilizados pela exposição pública, foi orçada em mais de 1 milhão de reais. Se acontecer uma reviravolta e os servidores ganharem a causa, o site em questão, fatalmente, sucumbirá por ter divulgado uma informação que partiu do próprio Tribunal de Contas da União. Não queremos acreditar nessa possibilidade.




Essa notícia entrou por um ouvido (ou por um olho) e não saiu pelo outro. Ficou encalacrada, aprisionada em nossas mentes, e aí o remédio foi botar pra fora. Casos semelhantes acontecem por aí, no Brasil e no mundo. Muitos profissionais foram obrigados a se afastar do seu trabalho, de suas famílias e do convívio social ou tiveram que se calar, por força da força mesmo ou de processos jurídicos. Houve tempos que a verdade era muito “maquiada”, mas parece-nos que esses tempos estão ficando cada vez mais distantes.


Cena montada: suicídio de Vladimir Herzog

Lembramos da triste sorte do jornalista Paulo Francis, cuja saúde não aguentou a barra que foi uma ação movida contra ele, por diretores da Petrobras. O jornalista denunciou e não tinha como provar, nada. Mas, falou! Francis saiu de cena em 1977 e nunca mais a sociedade brasileira foi abalada pelo seu humor ranzinza: "Não vi e não gostei".

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Procura-se

Nunca tive grana suficiente pra fazer/ter tudo o que sonhei. Queria muito ser rica e por conta disso sonhava com situações “absurdas”, mas que ainda acredito possíveis de acontecer. Imaginava pegando meu extrato no banco e perceber um depósito considerável na minha conta. E ao indagar incrédula ao gerente o que significava, ele me diria muito secretamente: “não podemos dizer nada, foi alguém que quis ajudá-la a realizar seus sonhos”.  Quando criança eu e meus irmãos inventávamos histórias: um pedinte, que tínhamos saciado sua fome e sede revelava sua verdadeira identidade: um milionário... ou Jesus, o Cristo mesmo, nos recompensando (creio, que aqui nessa vida) por sermos tão boas crianças. Outras vezes o pedinte era um ser extraterrestre que ao receber estupefato um copo d’água, nos daria em troca ou retribuição um imenso diamante. Segundo ele, a água em seu planeta tinha um valor imensurável enquanto o diamante, não tinha valor. E assim... realizaríamos os nossos sonhos terrestres.

Ainda hoje brincamos ao chegar em casa com a possibilidade de encontrar um bilhetinho: Lorenzo, você é um cara muito legal por isso estou deixando...  pra você e Fátima, claro!

Vocé é o cara....
Mas, não nos empenhamos muito pra ficar ricos não fizemos/deixamos de fazer muitas coisas: jogar na loteria, na megasena, concorrer a prêmios ofertados pelos bancos, investir em bolsa de valores, comprar terrenos e casas, poupar.... Ao invés disso, trabalhamos. Única opção que seguimos praticando. Não reclamamos. Temos muita sorte na vida, com amigos e parentes que nos presenteiam e ajudam muito. Conseguimos realizar alguns dos nossos mais desejados e melhores sonhos e projetos, porque também os planejamos. Não os de consumo que, verdade verdadeira, não são tão importantes assim.

A vontade de ser rico ainda existe. Imagine fretar um avião e levar para uma viagem pessoas que você sabe que iriam adorar conhecer outros países, culturas e costumes! Ajudar quem precisa de um carro pra poder trabalhar, uma casa pra ter sossego, pagar escola/faculdade, plano de saúde, apostar em talentos... Estamos falando em poder, não de ter o poder, embora, nem sempre as duas coisas possam ser dissociadas.

Minha casa... fone...
 Gostaria de ser rico pra ser um mecenas ou um investidor. Dinheiro não é tudo, mas que ele facilita, facilita. No filme “A Rede Social” (David Fincher-2010), que reporta a vida de Mark Zuckerberg, o criador do Facebook, em determinada altura, surge a figura de um “investidor anjo”. Alguém que tenha muuuiiito dinheiro, e que pode investir em seu talento e/ou nas suas boas ideias.


Olá, sou um investidor anjo
Em nossa viagem pela Europa, em 2011, estivemos bem próximos de alguém com esse perfil, mas não era um ser “mais” vivente. Era apenas uma estátua, um monumento de Lourenço de Médici (Lorenzo, Il Magnífico). Foi lá em Florença, na Itália, e esse Lorenzo (1449-1492) foi um poeta e estadista italiano, figura chave do Renascimento e apoiador de artistas contemporâneos seus como Michelangelo e Botticelli, entre outros. Era poderoso e rico e rejeitava a religião e a vertente escolástica, em busca da valorização e da pesquisa em busca do sentido da vida. É legal registrar que Lourenço (ou Lorenzo), não era apenas um apoiador cultural. Ele tinha uma participação intelectual ativa nas atividades que promovia.




Para ele, o homem era o centro de tudo. Lógico que enfrentou muitos problemas por conta disso, mas entrou pra história da humanidade como um personagem que fez ela, a humanidade, andar pra frente e se libertar de arquétipos e conceitos que precisavam mesmo ser ultrapassados. Porque a fila anda.



Então, resta encompridar só mais um pouquinho mais essa conversa pra dizer que aqui no Tyrannus tem um xará do Lorenzo, cujo bolso ou algibeira, são totalmente incompatíveis com o do italiano célebre. E assim termina nosso papo de hoje que, discretamente, esbarra no sonho/vontade de ser/encontrar um investidor anjo. Pois acreditamos que eles existem.

E ao encontrar um, como anjos têm asas, torcemos pra não ouvir o farfalhar de seus membros emplumados quando chegar essa hora.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Bloco do Tyrannus

Comessão de frente:arroz com pequi, costelinha e almeirão

O carnaval do Rio de Janeiro é a maior ópera do mundo! Mas, a Bundesliga... vai dar que falar! Não, não vem de bunda. E a transmissão do carnaval carioca neste ano não se mostra mais tão generosa em termos de abundância.  A transmissão ao vivo proporcionou altas gargalhadas. Uma aconteceu por causa daquelas entrevistas rápidas que rolam antes da escola sair. Uma pergunta para a biba, que cuida do visual dos destaques, ela começa a falar com empolgação peculiar, são seus segundos de glória global, só gesticulação! Putz, que falta de sorte, o equipamento de som falhou!

"O abre alas: o abre alas que eu quero passar"

A apresentadora do desfile, empolgada com a Imperatriz Leopoldinense, que homenageou Jorge Amado, refere-se à esposa do escritor e solta um Zélia Catai (seria Gattai). É carnaval, não tem tanta importância assim. Antes da Imperatriz a Portela também passeou pela Bahia com o seu enredo, com Paulinho da Viola e Marisa Monte no carro abre alas, com uma águia dourada. A Imperatriz veio com Daniela Mercuri e Vanessa da Mata e os moleques de Capitães de Areia (Jorge Amado) voam num chapéu mexicano na comissão de frente. Parece que o carnaval carioca nunca foi tão baiano.

Paradinha da bateria
E com a pegada menos ‘bundalelê’, o espetáculo da Sapucaí, assistido no mundo inteiro, recebe contornos mais culturais. Bacana. A escola que abriu o desfile, Renascer, explorou as cores de Romero Brito. E a Mocidade Independente de Padre Miguel, a última que conseguimos assistir (até certo ponto), antes de despencar no sono, foi de Cândido Portinari. A gente aproveitou a paradinha da bateria da Padre Miguel, migrou pro quarto e bodou geral. Mas vale recordar a história da  “paradinha”. Ela foi inventada ocasionalmente (nos anos 60) em 1958, quando Mestre André fincou e virou em plena avenida e a bateria, atônita, deu uma paradinha, para logo em seguida retomar o ritmo. A partir daí surgiu o mito da “bateria nota 10”. O acidente, o acaso, jamais pode ser abolido. É como um lance de dados.  


E vem chuva ...

 Um estrondo colossal caiu dos céus aqui pertinho de casa. Um raio, a sorte é que ele não cai duas vezes no mesmo lugar. É a iminência de mais uma chuva de verão. O raio veio avisar do breve temporal que São Pedro está prestes a desabar. É a segunda-feira de carnaval, essa entidade profana, que vai passando, passando, passando...  

Enredo: faltou samba no pé

Bundesliga de volta. O Bayern, tradicional time alemão, enfrenta o pequeno Freiburg na cidade do time menor. E a torcida apóia com gana o Freiburg, um dos últimos colocados no campeonato alemão, o Bundesliga. E que música a torcida faz ecoar pela arquibancada? Ari Barroso na cabeça: “Aquarela do Brasil”. Como é que pode... Lá no Velho Mundo, numa cidadezinha germana rufando na voz de milhares de pessoas. Em Armsterdã, na quinta-feira, deu Michel Teló:  “Ah, se eu te pego”. A música tocada no estádio com algumas dezenas de milhares de pessoas, a maioria holandeses, que assistiam Ajax e Manchester United. Se eu tivesse lá, teria complementado no “Ah, se eu te pego”... EU TE ESGANO, Michel Teló!!!!

Michel semdó

Ô Michel, tem dó (Ari Barroso) 
Assistir o desfile das escolas do Rio pela TV é tradição pra equipe Tyrannus. Mas é duro ficar a mercê da emissora que transmite. Na segundona, por exemplo, quando mais seis escolas vão desfilar, a sagrada novela e o BBB não saíram da grade de programação da emissora e por conta desse monopólio a gente perdeu o desfile da São Clemente, logo ela que homenageou os grandes musicais no enredo! Assim não dá: já perdemos quatro escolas e um pouco da paciência.

Mestre André, Nota 10

A União da Ilha está entrando na Sapucaí. Vai trazer Londres pra avenida. Cadê minha cerveja...? Hora de largar e ver como a Ilha vai mandar essa história. Mais tarde, tem Estação Primeira. Conforme a animação, a gente vai ver a Mangueira entrar.

Canhain, canhain...

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Libelo ao amor

Na contramão do clima carnavalesco quando ficar e beijar de forma múltipla e destabelada faz parte do show, enquanto o corpo vai saracoteando ao rufar dos tambores, fomos impregnados por um romantismo quase patológico. Que coisa! A culpa é do Louis Malle (1932-1995) com o seu “Os Amantes” (1958). E a beleza e cumplicidade de Jeanne Moreau. Assistimos à noite... amanhecemos com o filme. Será um amor de carnaval?



Uma história de amor bem contada pega mesmo. Jeanne é uma mulher casada, burguesa que vive numa suntuosa casa em Dijon. Enquanto o marido está envolvidíssimo com o trabalho ela leva uma vida entediante. Para se distrair vai seguidamente à Cidade Luz onde substitui o tédio pela futilidade e ócio, na companhia de uma amiga de infância. Claro que uma mulher belíssima como Jeanne não passaria despercebida e, inevitavelmente, envolve-se com um playboy jogador de pólo. Mesmo assim sua vida é um vazio existencial espetacular! Está cercada pelas aparências da burguesia e não disfarça sua infelicidade. Sabe que não é feliz. De resto não tem certeza de nada, porque a vida é assim mesmo.






Voltando de Paris para casa onde receberá a amiga e o amante para um jantar, por imposição do marido, que honra a predestinação de ser o último a saber que está sendo traído (será que é assim no mundo inteiro?); seu carrão enguiça na estrada e aparece a carona de um jovem arqueólogo (Alain Cuny). É visível a diferença entre eles. Sabe essas diferenças que aproximam as pessoas? Daí pra frente, a obviedade toma conta, mas, curiosamente, o filme fica mais charmoso e interessante. Afinal, não é a história em si que interessa, mas sim, a forma e intensidade como é narrada.

A coragem dos amantes chega a ser constrangedora para o espectador. Você fica torcendo para que eles não sejam flagrados, enquanto o cineasta manipula esse casal entorpecido diante de nossos olhos sob a luz do luar ou na luminosidade do sol que está nascendo. Tudo é paixão que se transforma em poesia fílmica. Jeanne descobre a felicidade e seu amante está no mesmo barco, inclusive, literalmente. Aos outros personagens da história, esses pobres coitados, sobra apenas a impotência.




“Os Amantes” tem uma impressionante riqueza literária. Impossível não se recordar de livros como “Madame Bovary” (Gustave Flaubert), ou “O Amante de Lady Chatterley” (David Herbert Lawrence). Não se trata de associar as histórias e mencionar semelhanças ou personagens. É questão apenas de considerar que são obras grandiosas e que merecem ser apreciadas.

Enfim, os filósofos dizem que amamos o desejo, não o desejado. Cremos que amamos a felicidade de amar.




Em branco

Dizem que Cézanne
quando certa vez pintou um quadro
deixando inacabada parte de uma maçã
pintou apenas a parte da maçã
que compreendia.
É por isso
meu amor
que eu dedico a você
este poema
em branco.
(Ana Martins Marques)

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

É com esse que eu vou

Não pode mais cair na farra do carnaval quem tem ficha suja. A casa caiu! É coisa séria o que vai ter de gente com cara de ratazana nos bailes de máscaras. Lógico que cara de pau também serve. Não me diga mais quem é você... é festa/farra, vitamina pra alimentar a alma e vamos de samba do “afro descendente crazy”. Dá licença, seu Momo??!!

Quando tinha jogos estudantis aqui em Cuiabá e um atleta estava ensebando, vacilando, a galera, nas arquibancadas, não perdoava e: “pede pra cagar e sai”. Engraçado, né... bem cuiabano. Vamos nessa gente: Ô Ricardo Teixeira “...” e leva sua renca. A casa tá caindo!!!! E ele quer ficar, e tem apoio do Ronaldo (o femôneno) que já é membro do Conselho de Administração do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo-COL de 2014. Pô, Ronaldo (fenêmono) tá escorregando que nem bagre ensaboado!




Num último suspiro (melhor, golpe), o cartola Teixeirão jogou o anzol e pescou o Bebeto (o danado é deputado estadual/RJ), aquele mesmo com carinha de bom menino/rapaz, cracão, que jogou ao lado do bad boy, Romário. Eles armavam altas jogadas, dentro de campo. Pelo que parece Bebeto e Romário, estão em times diferentes. 1 X 0 pro “peixe”. Detalhe, o velho Cafú, sempre nos surpreende, ele recusou o convite do Ricardo Teixeira pra ser membro do COL. E Bebeto aceitou. Golaço Cafú! Será que a turma da Secopa tá apoiando o Ricardo Teixeira?




 Ficha limpa. Era isso. Ficha suja é caminho errado. A explicação do ministro do STF, Gilmar Mendes, mato-grossense, para seu voto contra, não convence: “...é um equivoco usar as expressões vontade do povo e opinião pública para se relativizar o princípio da presunção de inocência no âmbito do sistema de inelegibilidades do direito eleitoral... não se deve esquecer que essa tal opinião pública é a mesma que elege os chamados candidatos ficha suja.” O voto do povo brasileiro...infelizmente... Mas se há regras para os cidadãos que queiram se tornar “pessoas públicas”, fica menos fácil pro cidadão errar no voto e mais difícil pro ficha suja entrar e se manter no poder. Porque poderoso sujo, fica tão imundo, que torna-se difícil limpar a lambança.


Nesse caso, acho que temos a quem recorrer. O ministro é de Diamantino, a mesma terra do poeta Nicolas Behr. Os dois moram em Brasília. Quem sabe o Nicolas, com sua generosidade lembre ao Mendes que somos todos humanos, demasiadamente humanos, e o faça ser menos “supremo”. Coitado do Nicolas... poeta tão espontâneo e criativo, incumbido de uma tarefa dessa envergadura, mas ele é tão engajado politicamente que aceitaria essa missão!

Ando mesmo com a memória péssima. Será que eu tô misturando as coisas? Será que sou mais uma vítima do excesso de informações? É que andei tendo febre esses dias. Dengue? Virose? Febres acompanhadas por alucinações. A gente fica variando. Mas, tô sarado... o paracetamol e os dias acamados deram conta do meu mal. Sem recaídas no carnaval, assim espero.



Bom, fora essas coisas que andaram cercando a gente, algo muito interessante aconteceu sem estardalhaço na mídia que, normalmente, prefere notícias ruins. Nem vamos estender muito a conversa sobre a moça que teve seu celular roubado e nele tinha fotos, vamos dizer sensuais. O malaco botou tudo no “face”. E olha só o que seus amigos (da moça) fizeram tchan...tchan tchan tchan... Criaram um blog (“meu sorriso do gato de Alice”) e postaram suas fotos de nus (sensuais). Vai lá, confere essa prova de amizade e carinho e veja que coisa bacana é dar a volta por cima.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Pra te sintonizar

Num passado recente era comum ver alguém aloitando com um rádio, tentando sintonizar uma estação. E não era fácil, não! Para conseguir, dependendo do lugar, era uma luta. Pra executar tal façanha era necessário tato fino, apurado... um tantinho pra esquerda ou direita e perdia-se a sintonia.

Era comum crianças, mulheres, jovens, homens e velhos girando os botões dos rádios (a pilha ou elétrico) procurando sua estação preferida. Alguns com calma, paciência... outros, num rompante de ira,  espatifavam os rádios nas paredes ou jogavam o ingrato no terreiro, pra dormir no sereno, junto com as galinhas. Ainda hoje, nesses sertões ermos de meu Deus, alguém na boca da noite, tá bicando uma cachacinha, ou de madrugadinha, coando seu café, busca sintonizar uma 'rádia', como se dizia antigamente.



Sintonia, sintonizado, sintonizando tava na boca de todos era palavra corriqueira... Algumas rádios a usavam, dando ênfase em cada sílaba pra chamar a atenção dos ouvintes: Rádio Matão, em total sintonia com você!

Mas a modernidade não para, tá sempre arranjando coisas novas,  às vezes completamente inútil e desnecessária. É a tal da inovação (pras coisas ficarem mais caras)... E apareceram nos botões de sintonizar uns  acessórios, naquilo que já nos era tão familiar! Um detalhe besta, que diferenciava de marca pra marca, que era pra buscar a tal da sintonia fina. Aí fudeu... nunca mais!




"Por isso colo o meu ouvido, no radinho de pilha"


Percebo que naqueles tempos o significado de sintonia restringia-se ao ato rastrear uma emissora e a dar qualidade do som. É, verdade seja dita, hoje sintonia é quase uma palavra em desuso, mas seu sentido e significância parece-me muito maior, tá mais próximo de reciprocidade, mesma frequência,  mesma vibe, em correspondência de... ou harmonia com o meio. E é bem melhor!


"Pra te sintonizar"

Sintonizado com a informação o jornalista Anderson Pinho, ganhou o Prêmio Destaque Senai em Jornalismo 2012, com a radioreportagem “Torneiro Mecânico”. O rádio é uma onda de energia boa, que ainda tá rolando.


"Sozinho numa ilha" Valeu Anderson!

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Criaturas e filme estranhos


Íamos conversando sobre o filme “Tio Boonmee que se lembra de suas vidas passadas”, ganhador da Palma de Ouro, de 2010 quando a conversa descambou para a figura mitológica do Mapinguari, criatura vivente das florestas.


O Mapinguari é descrito como uma criatura de aproximadamente dois metros de altura; tem o corpo recoberto por longos pelos que o tornam invulnerável à balas; os pés são de burro, virados para traz; as mãos possuem garras imensas; a boca se abre na vertical e vai do peito até a barriga; e exala um cheiro horrível (mistura de fezes e carne podre). Seu único ponto fraco é o umbigo. Segundo gente que já o viu, filmou e ouviu seus berros (que é parecido com o dos caçadores), ele é terrível e sanguinário. Mata as pessoas e as despreza devorando-lhe somente a cabeça.





David Oren, ornitólogo americano, ex-diretor do renomado Museu Goeldi, acredita na existência da criatura. Ouviu centenas de pessoas que não conseguiram chegar mais perto da criatura porque ficaram desnorteadas pelo seu fedor.  Oren diz que o Mapinguari pode ser um fóssil vivo que habita algum lugar da densa floresta amazônica, uma preguiça gigante, parente das atuais, que foram extintas a mais de 10.000 anos.



Mas o que tem a ver o filme “Tio Boonmee que se lembra...” com o nosso Mapinguari? O ambiente, sem dúvidas... É um filme que fala de pessoas que vivem na floresta tropical e que têm familiaridade com os seres que nela habitam. E aí, pode ser que culturas diferentes, gente de origens diferentes, se aproximem nesse mundo fantástico.  Sendo a Tailândia um país de ambiência tropical, naturalmente, há pontos em comum com o Brasil. Em “Tio Boonmee...”, volta e meia, seres estranhos ou animais surgem em cena com a mesma força de personagens humanos. Por exemplo, o “Macaco Fantasma”, que era parente do Tio Boonmee e por opção virou bicho do mato e vive com seu bando na floresta. O Macaco Fantasma lá dos tailandeses, ninguém tira da nossa cabeça, é o nosso Mapinguari, daqui. Criatura que em Mato Grosso também é conhecida como Pé de Garrafa.




Dirigido por um cineasta de nome complicado (queria o quê, o sujeito é da Tailândia, complicado é alguém se chamar Zé, lá pras bandas da Tailândia), não vamos ousar dizer aqui que o filme é chato. Quer dizer, é chato num certo sentido, mas... vamos pular essa parte. O que não dá pra negar é que a técnica de Apichatpong Weerasethakul é perfeita. Escreveu e dirigiu seu filme, com uma narrativa que passeia pelo onírico, o espiritual e o filosófico, naquele ritmo devagar quase parando. Andaram dizendo que o filme ganhou a Palma de Ouro da chatice, num ano em que Tim Burton presidiu o júri.





As imagens são de babar. O cineasta, pelo que entendemos, fez um passeio pela cultura tailandesa e contrapôs valores tradicionais com o moderno e com a ocidentalização, mas sem nunca abrir mão das raízes culturais daquele país do oriente.



Numa certa altura do filme, surgiu um comentário: “Porque que filmes brasileiros não vencem em Cannes”. Erro. O Brasil já nhapou a Palma de Ouro, sim senhor, com “O Pagador de Promessas” (1962).