domingo, 11 de março de 2012

Vai passar...

Como é que pode uma noite maravilhosa transformar-se num amanhecer horroroso? Uma noite regada a goles de cerveja e/ou vinho e... o dia seguinte. Ah! aquele problema: a quente e estrelada noite anterior , como num passe de mágica, transforma-se em ressaca, no dia seguinte. Tentar identificar o exato momento da dose (das doses) extras que botaram tudo a perder é besteira. Já foi. Foi, mas deixou lembranças assim de gosto amargo. Que ressaca!!!

Ressaca pode ser encarada de formas diferentes. Uma delas, a primeira, eu diria, é desobedecer o salva-vidas e partir de encontro àquelas ondas monstruosas que só um mar em TPM pode provocar. Outro jeito de enfrentar a ressaca é arrepender-se imediatamente de alguma imoralidade cometida, porque auto perdoar-se também vale neste mundo. E tem aquela outra ressaca que só combatemos com pacoteiras farmacêuticas, mandingas e coisas assim pra lá de fitoterápicas. Orégano não vale.



Se o mar quando quebra na praia é bonito, é bonito... quando ele tá de ressaca é superlativo. Netuno em toda a sua brabeza. P da vida, talvez, com mudanças climáticas. É quando o mar não está nem pra peixe, imagina pra nós; humanos. Uma pessoa que conheço desde uma vida inteira, quando criança e tinha febre, seus delírios eram ver-se perdido na rebentação da praia, com aquelas ondas colossais desabando sobre sua cabeça.

A ressaca moral pode nos acometer. Muitas vezes nem precisamos ou sabemos identificá-la, mas passamos por aquele desconforto psicológico. Uma história me vem a mente é sobre um caso de ressaca moral que fiquei sabendo. Uma amiga aguardava atendimento na sala de espera de um médico, lotado. Sua senha era a de número 136. De repente, uma mulher, provavelmente cansada de aguardar pelo fatídico atendimento ou por outro motivo, desiste e ao sair deixa o se papelzinho sobre o balcão. É a senha. Minha amiga apropriou-se da senha abandonada. Surpresa! Tem dez a menos na sua frente. Levou melhor, a famosa lei de Gerson, levou vantagem.


Pra ressaca moral... não tem remédio!

O que acontece é que na espera que se segue, ela põe-se a pensar se sua atitude foi certa ou errada. E conversamos sobre isso durante um tempo, chegamos à conclusão de que o correto seria pegar a senha abandonada e inutilizá-la. Mas não foi isso que ela fez. Ainda perguntei-lhe se ela estava sentada na frente ou mais atrás na sala. “Por quê?”, indagou-me. Respondi: “Se você estava na frente, certamente, muita gente reparou no que você fez...”. Ela ficou lívida. Foi o clímax, creio, de sua ressaca moral.

Uma outra história de ressaca, pois bem, neste segundo caso, duas mulheres faziam uma viagem e de repente tiveram que pernoitar numa cidade chamada Paredão... Não, pensando bem, era General Carneiro, porque em Paredão não devia existir frigobar naqueles anos. Mas é coisa de pouco tempo atrás. E as duas amigas que viajavam juntas saíram pra noite na cidadela e eis que tomaram todas. Uma delas, na verdade, acabou dando trabalho.



Depois de uma cervejada (tava meio quente) a mais beberrona voltou em estado deplorável ao hotel. Louca pela bededeira e também louca para fazer um xixi, entrou às pressas no quarto do hotel, abriu a porta do frigobar e verteu ali dentro mesmo. É... a marvada faz cada coisa com a gente. Não é preciso dizer que acordou em péssimo estado. Aquela dor de cabeça que parece que vai sair a tampa da cabeça, que nem duas neosaldinas de pancada controlam. No caso ai foram duas ressacas: a moral e a orgânica!


Mictório portátil de Marcel Duchamp


Ressaca aqui em Mato Grosso, pelo menos na região da baixada cuiabana, significa, ainda, uma grota ou depressão (de outro tipo) na superfície de uma área. Esse significado, que também é dicionarizado, já ouvi sair da boca de humildes habitantes do meio rural destas bandas. E agora, dá licença. Hora de tomar mais um estomazil ou coisa que o valha, porque ainda não estou 100% recuperado e preciso sair desse buraco!


sexta-feira, 9 de março de 2012

1 2 3 de Oliveira 4



RG, CPF, CEP, telefones, conta bancária, datas de aniversários, número da sua casa... senhas e mais senhas, que a gente vive esquecendo...  Ah, e as contas a pagar. Só posso constatar que Pitágoras estava certo: “todas as coisas são números, ou podem ser representadas por números”.
Conceitualmente número é algo simplesmente abstrato e intuitivo. Número, na verdade, é a ideia de quantidade quando mentalmente contamos, ordenamos e medimos. Já o numeral é a representação de um número, seja escrito ou falado. E algarismo é todo símbolo numérico que usamos para formar os numerais escritos. O número é objeto da matemática e de pensadores e filósofos em todos os tempos.  

A dolorosa tarefa de equilibrar o que se gasta com o que se ganha. A frieza dos números está presente em nossas vidas. Fazer a numerologia dessa numeraiada toda é tora. Sem números, nada feito. Não teríamos como organizar-nos. Sequer existiríamos, burocraticamente falando. Sim, eles são importantes. Há quem os julgue exageradamente presentes.

Gênese do algaríimo: cada um tem o número de ângulo que contém





“A matemática é a loucura do raciocínio” (Clarice Lispector em Água Viva). A história dos números na humanidade fascina. É possível rastreá-la a três mil anos antes de Cristo. O número é ancestral. E não seria improvável afirmar que ele já existia antes do surgimento do homem.


Olmecas ancestrais dos Maias emplacaram o zero

Fascinante mesmo essa conversação em torno dos números. Eles, às vezes, se misturam com as letras. Lembrar-se de coisas como a fórmula de baskara aterroriza algumas pessoas. A relação entre constantes e variáveis já foi pesadelo pra muitos. Só o que não se pode é não reconhecer a transcendência numeral. Mesmo pra quem admite se dar melhor com as letras.

Por usarmos os numerais arábicos fomos em busca das incríveis fábulas matemáticas de  Malba Tahan, e que descoberta. Seu nome verdadeiro: Julio Cesar de Melo e Souza. O cara era brasileiro, carioca da gema. Foi  escritor e matemático e com o pseudônimo de Ali Yezid Izz-Eddin Ibn Salim Hank Malba Tahan, deu vida a um escritor nascido próximo a Meca e que viajou e conheceu o mundo. Em homenagem a Malba Tahan, o Rio de Janeiro adotou a data de seu nascimento como o dia da matemática (6 de maio).


Malba Tahan: O homem que calculava


Dito tudo isso sobre os números, vamos às letras. As combinações de um alfabeto podem produzir resultados incríveis. Tão infinitos, quanto as possibilidades numéricas. Uma letra é só ela. Algumas letras são uma palavra e várias letras formam uma frase. E assim por diante. Vão muito além de um texto, dentro de um contexto. Tem horas que uma palavrinha cabe muito mais que um número.

Ficamos sabendo outro dia que o nome de rua mais comum em todo o Brasil é “Rua Dois”. E que Cuiabá é a cidade que mais tem ruas dois. O Tyrannus, inclusive, tem seu endereço físico numa rua 2. E não é que uma emissora de televisão veio aqui em nosso pedaço pra fazer matéria sobre isso e eu fui vitimado? Atendi ao repórter e dei a entrevista dizendo o que sentia por morar numa rua dois, nome bem popular. Foi o momento de lembrar-me que há vários anos os moradores aqui do Recanto dos Pássaros, um bairro periférico de Cuiabá (na beiradinha do cerrado), se articulam para propor a alteração dos nomes das nossas ruas. É mais bonito e justo nominar as vias deste bairro lembrando os passarinhos, os habitantes alados do cerrado, que ainda nos visitam diariamente vocalizando seus cantos entre árvores, telhados, fiações, muros etc. Siriri, sabiá, assanhaço, bem- te-vi, beija flor, ana-cocar, joão de barro e muitos outros...

O homem  que não calculava


Nossa proposta já foi até encaminhada para a Câmara dos Vereadores. Lá, não foi pra frente. Quem sabe, como estamos num ano eleitoral, se encaminharmos aos nobres edis os números de nossos títulos de eleitor, a coisa há de vingar. 


Tyrannus Melancholicus = siriri (Foto: Tati Colombo)
  

quinta-feira, 8 de março de 2012

Sem título

Dentro da noite veloz? Longa jornada noite adentro? Serve mais a primeira pergunta, poesia de Gular, por conta da necessidade de fluir o texto, de postar com rapidez, por causa da folga de ontem. Longa jornada... , peça de Eugene O’Neill, não serve pra esta quinta. Sexta ainda é dia de batente e, depois, se passar da meia noite já era o dia da mulher. Mas nada de escrever sobre isso... dia internacional da mulher. Fugimos desses temas. E, vez por outra, caímos neles.

O problema dessas datas é que elas chegam embrulhadas em pacotes de marketing. É tudo hipocrisia. Falsidade. E geralmente esse oba oba em torno dos dias comemorativos tem a função de louvar o grande e poderoso deus destes tempos modernos... Quem? Quem? O dinheiro, porra. É ele quem manda e desmanda no planeta neste século XXI. Adeus ideologias, ícones, ídolos, engajamentos, bandeiras e congêneres. O negócio é grana. Olha, e essa constatação não é cosa nostra, aqui do Tyrannus. Foi um filósofo que disse no ano passado. E claro que esquecemos do nome dele.

ah! vai o Karl mesmo!!!!

1a. greve em NY liderada por mulheres (08/03/1857)

A lua tá cheia (só ela?), soberana celestial. Lá nas grimpas do firmamento. Daquelas que dá até torcicolo de tanto olhar pra ela, hipnotizados. Mas o sol fez jogo duro e se apresentou nessa quinta-feira. Depois de percorrer um dia e meio no espaço, uma enorme nuvem carregada de partículas chegou à Terra. Foi a maior tempestade geomagnética dos últimos cinco anos. A previsão é que estaremos sob efeito dessa imensa nuvem até a sexta-feira. E pode acontecer que as redes de eletricidade, equipamentos que se utilizam de satélites e vôos tenham o famoso tilt. Os danos? Só Deus sabe.  


Lua fria e impávida


Sol quente e temperamental (Foto:NASA)

Agora mais essa, o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição - Ecad quer cobrar taxa mensal de blogs que utilizam vídeos do Youtube. Aiai!!! olha só a sopa de pipa tupiniquim aí minha gente!!!!!.

E não consigo me desligar por muito tempo da televisão. É a praga do futebol. Desde ontem, quarta. É Copa do Brasil, Libertadores, campeonatos estaduais. Enquanto acelero o ritmo aqui, está rolando Cuiabá X Portuguesa (SP), pela Copa do Brasil. Direto do Dutrinha, no Sport TV. E à tarde, num desses programas esportivos onde jornalistas e comentaristas ficam enrolando, eles até ameaçaram falar sobre esse jogo aqui em Cuia. Um deles disse que a Portuguesa ainda não está com o seu time encaixado, mas mesmo assim, era favorita. Um outro perguntou: “Mas você sabe se o Cuiabá já está com o time encaixado?”. Foi só risada.


E no Dutrinha a gorduchinha rolou...

Engraçado, mas pode se assemelhar a uma tremenda falta de respeito. Esses caras não sabem de nada do futebol cuiabano. Nunca ouviram falar de Ruíter, Bife, Mão de Onça. O comentarista de Cuiabá e Portuguesa fala mal do gramado do Dutrinha. É o excesso de jogos, por conta das obras na Arena Pantanal. Disse também que, além das partidas oficiais do campeonato mato-grossense, funcionários públicos também fazem a sua tradicional pelada no Dutrinha.  Esse povo devia de ir lá pro Campo do Bode.



O cuiabano Eurico Gaspar Dutra, presidente do Brasil,
liberou a grana pra construir o Dutrinha, mas... 
O futebol na televisão anda me tirando do sério. Bom, sempre é assim quando meu time joga. Mas o problema agora é outro. A maioria dos jogos da Libertadores não está sendo transmitida, porque a Fox comprou o direito que era da Globo, só que quem dançou nessa história fomos nós, consumidores. Porque a cobertura Sky da Libertadores tá um fiasco. Uma putaria só! Aí é preciso recorrer à internet e assistir às partidas, sempre sujeitas àquelas paradinhas, quando não flui a transmissão. E chega, chega. Porque já tá um a zero pra Portuguesa. Deus ajuda que não seja uma goleada.



E depois de muitos blá, blá, blá, distribuição de flores, vasinho com sache, caixinhas vazias... para comemorar o dia das mulheres, vai esse presentinho: “O governo brasileiro desistiu de sancionar projeto que equipara os salários de homens e mulheres que ocupam as mesmas funções em uma empresa.” Vai ficar mais pra frente. “O tempo passou na janela, só Carolina não viu”

terça-feira, 6 de março de 2012

Esses filmes são de morte!


Um prato cheio para a ficção é a “indesejada” ou o “ceifeiro”. Tem gente que só de pensar, bate na madeira. Isola, isola. “Bendita a morte que é o fim de todos os milagres”, versejou Manuel Bandeira. A morte é pau pra toda obra... de arte. Nos últimos dias, dois filmes que flagramos passaram/passearam pelo tema: “O estranho caso de Angélica” (2010) e “O sétimo selo” (1957).

Mas, antes de falar sobre eles, uma breve citação a “All that jazz” (1979), que é um dos filmes mais lindos (opinião pessoal) sobre a morte. O cineasta Bob Fosse faz um relato sincero, apaixonado e baseado na realidade. Só que para escrever sobre ele, como convém, precisaria revê-lo.

O show deve continuar, até quando der


Começaremos por “...Angélica”, do centenário diretor português, Manoel de Oliveira. Filminho arrastado, lento, que lembra o cinema de arte dos anos 80, quando Manoel já era velho. Curti bastante. A história é rica e bem contada. Um fotógrafo é chamado às pressas para clicar um velório e eis que quando está trabalhando a jovem e bela finada lhe sorri. Pronto. Está armada a confusão na cabeça do moço que, claro, apaixona-se pela falecida.




O cineasta recorre ao realismo fantástico para incrementar a beleza das cenas do filme, enquanto os atores e os diálogos são distantes e dispersos... avoados. Mas o enredo se desenvolve na força do que vemos e nas metáforas que rolam. O filme todo tem um clima muito estranho.





Quando o fotógrafo começa a demonstrar fixação pelos trabalhadores rurais da região: ceifadores (ceifador...  hummmm), tudo se torna muito evidente. Não bastava ele se apaixonar pelos encantos da defunta. Não que isso denigra o filme e é certo que o cineasta não está nem aí para essa previsibilidade. A postura dos atores, não é nada natural na representação, muito pelo contrário: é explícito que é uma encenação, dramatização, ou não... Pode ser que simplesmente não houve direção de atores (sei lá...), mas contribui para criar um clima muito estranho...

Discorrer sobre uma obra prima da envergadura do Sétimo Selo (1957), de Ingmar Bergman é mais do que difícil, porque tudo já foi dito. Mas parece que há algo ainda para se dizer, algo que ficou engasgado ou que as palavras são insuficientes para expressar. O filme é a referência cinematográfica da ceifadora de vidas. Impossível, depois de Bengt Ekerot, outro ator ousar personificar a morte. Como lhe coube sobe medida tal personagem!   

A clássica cena do jogo de xadrez 

Ingmar Bergman e...,  estranho, muito estranho!

segunda-feira, 5 de março de 2012

Coisas que incomodam

Gostamos de filósofos desde que o mundo é mundo. A partir do momento que o conhecimento e a cultura passaram a ser registrados, os grandes pensadores se têm se apresentado como personagens que falam, desvendam, descobrem e redescobrem; fazendo o velho parecer-nos novo e o novo... possibilidades!  Ah, e como isso tem incomodado. Filosofia é problema. Talvez seja uma área onde não é possível penetrar nos dias de hoje, se a gente não der o sinal pra que esse trem doido da vida moderna dê uma paradinha. Estátua!!!!!

Tá difícil parar. Porque aqui em Cuiabá neste início do mês de março é assim: mosquitos invadem a cidade, as casas... Chegaram e estão atacando. Não dá pra ficar parado. Nem imaginávamos que mosquitos e filosofia eram assim tão incompatíveis. Nossa raquete eletrocutadora de mosquitos está ligada e entra em ação. Os estalos registram a matança, que parece não surtir efeito. Eles estão em bando. É covardia. Como tentar escrever que, nesta terça, seis de março, lá se vão cinco anos que Jean Baudrillard morreu?



Instantes atrás eu, com a raquete na mão, observava um mosquito que voava bem na minha frente. Esperava o momento ideal para acabar com a vida dele. E ele sumiu. Fiquei estático, procurando localizá-lo, movendo somente os olhos circularmente. Eis que o vejo assentado em meu próprio braço e já sugando do meu sangue. Vampirinho duma figa!

Lá pelos anos de 2003 ou 2002 minha atenção foi capturada pela televisão. Era uma entrevista com um senhor de idade avançada que arrastava o seu francês. “A política é a arte de inserir o mal na ordem natural das coisas”. Essa colocação baniu minha vontade de acionar o controle remoto. Sentei-me e passei a devorar com olhos e ouvidos as palavras aladas que brotavam daquela boca murcha. Como que em transe assisti a longa entrevista de Jean Baudrillard. Mais de uma hora e meia escutando o filósofo, poeta e fotógrafo. Suas ideias e explicações sobre estes tempos futuristas me hipnotizaram.


Avisamos, como recomenda a sabedoria cuiabana, que nesta época do ano é importante fechar as janelas e portas das casas, antes do escurecer. É melhor prevenir do que ficar raquetando a noite inteira ou ficar num ambiente hermeticamente fechado a base de citronela, ou queimando pastilhas e líquido naqueles aparelhinhos elétricos. Ou queimar dinheiro pagando essa energia caríssima por causa do ar condicionado ou ventilador ligados a mil. A não ser que você prefira queimar bosta de vaca na sala da sua casa, ou então, sair se arrastando pelos cômodos da casa que nem uma alma penada, com um mosquiteiro em torno de seu corpo.

Mas Jean Baudrillard tem sido um grande ídolo desde o primeiro encontro. Quando ele morreu em 2007 só percebi 3 ou 4 dias depois e fiquei frustrado, por não ter noticiado sua partida logo em seguida. “A realidade já não existe e vivemos um permanente e conspiratório espetáculo de mídia”, disse ele. O filme “Matrix” (1999), uma criação dos irmãos Wachowski, foi influenciado pelo livro “Simulacros e Simulação” (1981), de Baudrillard.

Neo (Keanu Reeves) nos olhos de Morpheu (Laurence Fishburne)
Há um certo fascínio nesse papo de equacionar comunicação e tecnologia em busca de resultados. A filosofia tem caminhado por aí desde o século passado, com mais exatidão. Um mosquito explora a sensibilidade da formatação de minha orelha esquerda. Ouço o seu zumbido e sei que os mosquitos machos, que zumbem, não picam. Mas incomodam, e muito. É o fim da picada!   



 Horkheimer & Adorno: bases da Escola de Frankfurt

domingo, 4 de março de 2012

Na cozinha da Copa

Só em filmes vimos um pé na bunda! Um tratamento dado aqueles que estão abaixo da linha da dignidade. Um pé na bunda é demais! Lembram os filmes do Charles Chaplin quando destratado por poderosos. Ou o Carlitos bêbado e aprontando das suas em lugares inadequados, para depois ser expulso com um certeiro pé na bunda.

A nossa fama é antiga. “O Brasil não é um país sério”, a frase atribuída ao General De Gaulle em 1960, presidente da França, na ocasião de um conflito diplomático com o Brasil, por conta da pesca de crustáceos. De Gaulle nunca assumiu a autoria, mas ficou e pegou.  Agora vem um cartola da Fifa e diz que o Brasil precisa levar um pontapé na bunda...

É irritante ouvir as justificativas das autoridades brasileiras. Sempre alegando que não é bem assim, que tudo está sob controle, que sabem, que estão providenciando, que estão planejando, que na semana que vem vai começar... E vão barrigando. Frases evasivas e nitidamente falsas.  Porque esse temor de consentir que algo não tá funcionando, não está bem? Seria mais fácil e honesto admitirem, o que todos estão vendo. Aceitar a crítica, agir, buscar informações, sugestões etc. E corrigir o que está errado, com dignidade.

Antes de levar um pé na bunda...

após o pé na bunda!

Não se trata de tomar o partido da Fifa, essa poderosa instituição internacional que tá mais “suja que puleiro de galinheiro” e anda pisando na bola, cujos interesses são questionados e questionáveis, e com razão.  Em relação à Copa no Brasil é complicado falarmos de outras cidades sedes, embora a mídia ande noticiando frequentemente muitos problemas que deverão dificultar a conclusão das obras para a Copa de 2014.

Campanha da Diesel

para quem merece um chute no traseiro

Mas é escancarado como o assunto vem sendo tratado aqui. A Agecopa/Secopa tem se mostrado um imenso cabide de empregos para políticos, que perderam cargos eletivos e/ou prestígio, com raras exceções. A indicação não teve outro critério e foram contemplados com status e altos salários. Conhecimento e competência técnica: nenhuma. Ou se a têm, não mostraram. Essa pendenga começou no governo passado e foi avalizada pelo atual. Decisões sobre o melhor transporte, demolição do antigo estádio e construção do novo foram decisões questionadas e demoradas. Histórias mal contadas. Teve até um ridículo relógio que marcava a contagem regressiva para a chegada da Copa. E que reloginho caro esse. E Mato Grosso saiu novamente na mídia nacional. Ficou mal no filme como sempre acontece quando se trata de nossos dirigentes políticos.

Políticos incompetentes

Piriguetes a perigo

O VLT pra Copa, já disseram que não ficará pronto. O mesmo dizem agora da Arena Pantanal, que teve uma boa largada em sua obra, mas, agora... A última conversa é que para que as obras da Arena ficarem prontas em tempo, seria necessário que o número de trabalhadores da construção civil que estão na obra atualmente fosse multiplicado por dois.


Charlatões de plantão

Perua sem noção

Aí, vem o cartola lá da Fifa e dá essa “carcada” nos brasileiros. Aparece do nada o Aldo Rebelo, Ministro dos Esportes, com aquela falinha lenta sem convencer ninguém. A postura dele demonstra sua larga experiência em assuntos esportivos. E se mostrou magoado com o dirigente da Fifa, Jérôme Valcke, pela menção ao chute no traseiro para tirar o atraso. Tirar o atraso das obras, que fique claro. Olha, pensando bem, um pé na bunda até que não seria de todo ruim esse pé na bunda dos brasileiros responsáveis (?) por “tocar“ as obras da Copa. É que os otimistas acreditam que um pé na bunda serve para acordar e/ou para dar um passo a frente.  Pra falar a verdade, eu mesmo gostaria de dar um pé na bunda em um monte de político que tem por aí... E vai dizer que você não tem essa vontade???

Jogo duro!

sábado, 3 de março de 2012

Peixe frito


Martim pescador... podia ir pro Ministério
“Assassinaram o camarão. Assim começou a tragédia no fundo do mar...” Meu Deus do céu!!!  O mar não tá pra peixe! Ficamos estupefatos ao ouvir parte do discurso de posse do novo Ministro da Pesca, Marcelo Crivella. O ministro é pastor e deve exercer na Igreja a mesma função que Jesus designou a Pedro: pescar homens.  Até aí, tá nos conformes (parece). Desconhecer as peculiaridades dessa atividade que envolve diferentes grupos sociais e econômicos, que vai da pesca de sobrevivência até a forte e poderosa indústria pesqueira, é complicado mesmo. Agora, dizer que colocar minhoca no anzol é fácil, e difícil é pensar nas pessoas! Shiii, canoa furada...

Originais do Samba: Assassinaram o camarão 

Vôte, cobra d’água. “Malandro foi o peixe galo, bateu asas e voou...”. Mas, quem voou mesmo foi o ex-ministro. E saiu com pompas, porque a presidenta, mesmo tentando disfarçar os olhos marejados, verteu uma furtiva lágrima. A nossa dama de ferro engasgada com uma espinha de peixe?

"Chorei, não procurei esconder"

 O Nhonhô, tio e compadre, tem muitas histórias, incluindo as de pescarias. Pergunta pros pescadores que vão prosear no seu comércio se eles sabem pescar com ovo? Não? É assim, você “põe a clara no anzol e gema na vara”. Nhonhô é uma figura. A última é que foi notícia no site G1, por causa de um aviso que colocou no seu portão aos malandros que ficam de olho no seu negócio: “Mexeu, morreu!”

Mas, voltando à troca ministerial, o lance teve motivação política. Dilma pescou Crivella que estava naquela: “quem dera ser um peixe, para em teu límpido aquário navegar...” Não temos bola de cristal pra saber no que vai dar essa pescaria. Vai rolar um peixe grande e suas histórias maravilhosas, ou vai ficar naquele papo de dar banho em minhoca?



Quem é peixe e quem é isca nessa manobra? É que o quadro político em São Paulo tá enrolado e promete ficar mais ainda. Até o Tiririca, o deputado federal mais votado do Brasil, tá pegando a marola e pensa em sair candidato a prefeito. Olha, sei não... O que sabemos é que esses acertos e acordos políticos são meio complicados. Nem sempre dão no resultado que se pretendia. Transferir voto, por exemplo, é um tabu na história política brasileira. Às vezes, em vez de peixe, o que rola é enrosco. E já que estamos falando de ictiologia, traíra é um nome de peixe que tem a ver nesta hora.

A coligação faz a força!

O circo está armado. Ano de eleição é assim mesmo. Na água doce da cuiabania a notícia também corre solta. “Curimbatá, lambari mandou dizer que a piava tá doente com saudades de você”. “Piraputanga rei dos peixes, peixes da beira do rio. Quem não sabe trovar trova, vai pra pqp!”. Esse mar é meu, leva seu barco pra lá. Peixe, pescaria e política são assuntos correlatos. Olha só: não queremos dar o peixe pra ninguém. O certo é ensinar a pescar. E respeitar a piracema.   

Em “O Velho e o Mar”, de Ernest Hemingway, um pescador experiente fisga  em alto mar um peixe enorme. O duelo entre o homem e o peixe é a beleza desse romance. A luta é trazê-lo a bordo de seu pequeno barco. No final, exausto, consegue içar o pescado e vê que resta-lhe apenas o esqueleto do troféu, que havia sido devorado por outros peixes. Faz sentido a história de Hemingway. Tem uma pegada filosófica aí.

Spencer Tracy em "O velho e o mar"

Como pode o peixe vivo viver fora da água fria? Dilma ficou estressada... quer um conselho? Vai pescar, é bom.  E o Crivella que entrou nesse mar revolto deve estar cantarolando: “se Deus quiser, quando eu voltar do mar, um peixe bom, eu vou trazer.”

Desafetos não faltam em tais ocasiões, mas, como o assunto é muito recente, “até hoje eu não sei como a briga terminou”. Piquira morde???

Qué sabe mesmo?????? Vem cá, meu bem