quinta-feira, 19 de abril de 2012

Money, money

“Não me amarra dinheiro não.
Mas formosura.
Dinheiro não.”  

Dinheiro é Deus pra muita gente. Talvez seja a coisa mais importante do mundo, superando ideologias e a própria fé. Cruz credo! Ouvimos isso da boca de um conceituado filósofo lá do leste europeu. Seu nome, entretanto... esquecemos. Mas não precisa ser filósofo pra concluir isso, um raciocínio pragmático. O reflexo do apego ao capital é a avareza, pecado capital.

Ei!
Você aí
Me dá um dinheiro aí!

Aqui como em qualquer lugar do mundo, dinheiro é sempre bem vindo. Como não!!!! Mas é um prazer robusto quando o poder econômico cai por terra diante do imprevisível. Sorte e talento. Sobre a sorte é difícil de falar, porque faz parte de um mundo cujos desígnios não temos nenhuma influência. É como os músculos involuntários que temos no corpo, sobre os quais não temos controle nenhum. O coração, por exemplo. O talento ou dom trata-se de habilidade inata. Entretanto, há estudos que dizem que essas habilidades inatas podem ser desenvolvidas com motivação e técnicas apropriadas.




Apostamos na sorte e acreditamos no talento! Cada um deles ou ambos pode surpreender a voracidade da selvageria capitalista. Uma partida de futebol onde a zebra entra em campo e o sucesso de um filme de baixo orçamento estraçalham o paradigma financeiro.

“Dinheiro na mão é vendaval
É vendaval
Na vida de um sonhador”


"Vivo esperando e procurando, um trevo no meu jardim"

Essa história de diferenças sociais e nas contas bancárias já rendeu muita grana, pelo menos na ficção. Histórias de amor entre um muito rico e outro muito pobre venderam muitos bilhetes nos guichês de cinemas.  E como faziam sucesso (e ainda fazem), levando multidões a se debulhar em lágrimas: “A princesa e o plebeu”, “Uma linda mulher”, “Love story”. Na vida real, lembramos do casamento do príncipe Charles com Diana (não durou muito) e não teve um final feliz.   

“Dinheiro, dinheiro, dinheiro, dinheiro  
Mim quer tocar
Mim gosta ganhar dinheiro (dinheiro!)”


"A princesa e o plebeu"


O que o dinheiro não compra? Pensamos, pensamos, matutamos... muitas coisas. Mas, essa coisarada que não tem preço parece que vai ficando meio piegas e/ou com prazo de validade vencido. Se der zebra numa partida de futebol, pode ser porque faltou negociação. E se uma grande produção cinematográfica não fizer o sucesso que estava programado, vai ver que o babaca do diretor fez um filme de arte.

“Eu aprendi... que dinheiro não compra classe” (Shakespeare).
“O dinheiro não nos traz necessariamente a felicidade. Uma pessoa que tem dez milhões de dólares não é mais feliz do que a que tem só nove milhões.” (David Lee Roth)
Há tantas coisas na vida mais importantes que o dinheiro! Mas, custam tanto”. (Groucho Max)  
“A riqueza não traz felicidade. A pobreza muito menos.” (Millôr Fernandes)


"E depois que inventaram
O tal dinheiro
Dinheiro
Eu não sou mais eu
Nem você é mais você"




Papo de ocioso


Bordadeiras da Chapada
 Lá se vão uns 12 anos que o italiano Domenico de Masi lançou seu livro “Ócio Criativo”. A obra do sociólogo tasca uma nova ordem, uma forma diferente de encarar o tempo em que a gente fica “à toa”. Não ter nada pra fazer é o sonho de muita gente. Num antigo filme brasileiro, “Chuvas de verão”, um dos personagens, interpretado pelo magnífico Jofre Soares, anuncia a um amigo com expressão de felicidade a sua aposentadoria: “Eu nunca mais vou tirar o pijama”. Mas, qualquer um que parar pra pensar em torno desse “não fazer nada” chegará a genérica conclusão de que não é bem assim. Que dó!

Mirian Pires e Jofre em "Chuvas de Verão"

De Masi, antes de organizar seu pensamento futurista e colocá-lo num livro, era um workaholic. Uma daquelas pessoas que não tinha tempo para a família, os amigos e outras paradas sociais (seu nome era trabalho!). Desconfiamos que ele pensou, num instante de puro ócio, e descobriu o óbvio: o ócio, necessariamente, não é uma coisa do mal, como muita gente pensa. E tem mais uma, ele não teve esse momento de ócio, porque pensar, escrever... produzir é trabalho. E depois saiu peregrinando pelo mundo vendendo seus livros e a ideia que o ócio é necessário.



Nossa sociedade escravagista prega que só o trabalho leva ao céu, que o trabalho enobrece. E o ócio é preguiça, quem não trabalha é do mau. O ócio perigoso, pois “cabeça vazia, oficina do gramunhão”. Ficar a toa, de bobeira não é ficar sem fazer absolutamente nada. De repente lê um livro, faz um sanduichizinho, molha as plantas, dá uma olhada naquela roupa sem botão, faz um brigadeiro, passa um creme nos cabelos, come uma cenourinha, pinta o 7, vai pintar e bordar, tomar um banho de rio, dá uma zapeada na TV (procura algo diferenciado), uns telefonemas ou MSNs espertos , um cineminha, toma uma cervejinha com papo pra cima, deita numa rede e fica olhando pro céu: será que chove? Pensa na vida. Filosofa, ô meu!!! Torne seu ócio gostoso, porque ele faz bem pra alma e pro coração!





Mocidade ociosa, velhice vergonhosa. Diz um antigo provérbio português que está saindo da moda. Se analisarmos o mundo moderno com toda a sua tecnologia que se expande vertiginosamente e compararmos isso com o trabalho humano, dá automatização na cabeça. É um raciocínio lógico. Uma imensa gama de ações mecânicas que nós, seres humanos, fazíamos diariamente, pra ganhar o pão nosso de cada dia, é executada hoje por máquinas e esse processo é irreversível.





Tudo indica que o ser humano, nas funções mais básicas e corriqueiras, será substituído pela tecnologia. Preparar-se para o futuro que está batendo na porta do século XXI (quase arrombando-a) tem a ver com guinadas na forma de encarar e de se comportar diante da vida. Os saberes e fazeres que se relacionam com tempo ocioso ao qual todos temos direito precisam estar associados à criatividade. Ou pegamos carona nessa onda, ou perderemos essa espaçonave.   
     

Preparada para a invasão marciana

terça-feira, 17 de abril de 2012

Sobre a rua, sob a água

Um catatau de filmes apresenta enredos com personagens que vão se interligando enquanto a história é desnudada diante de nossos olhos, que podem ficar mais, ou menos perplexos, na medida em que transcorre o tempo. E o grau de perplexidade, necessariamente, não está relacionado com a qualidade do filme. A famosa “teoria dos 6 de graus de separação”, que diz que são precisos seis laços de amizades para que duas pessoas quaisquer estejam ligadas.






“Sobre a rua, sob a água” (2009), filme dinamarquês, vai por esse caminho comum ao cinema para conquistar seu público sem grandes surpresas. Em nosso cineminha doméstico, no conforto do sofá da sala, fez o maior sucesso. Há de convencer aqueles que se sentirem contagiados com nossos comentários e observações de apaixonados por cinema, a assistir esse filme.


Charlotte Sieling
A culpa desse encantamento todo é da cineasta Charlotte Sieling. Ou a maior parte da culpa. Um filme tão redondinho, daqueles que emociona e diverte, e que envolve o espectador, não surge assim do acaso. É intencional e só pode partir de uma cabeça que sabe o que quer e aonde quer chegar. “O cinema lê pensamento”, explicou Denise Fraga para definir sua satisfação para com “Sobre a rua, sob a água”, num breve bate papo que antecedeu a exibição.

As belas imagens da capital dinamarquesa e a caracterização apropriada dos seis personagens (que já encontraram/nasceram sem ranços autorais) protagonistas da história fecham uma teia de relações humanizadas ao melhor estilo “cada qual com seus problemas”. Tudo bem, há coincidências na forma como acontece a aproximação entre eles, mas, em momento algum, sobressai-se a impressão de que foi algo forçado e antinatural.




Um contexto dramático cresce e aparece respeitando a individualidade dessas pessoas que engendram o roteiro. A história, gira em torno de uma atriz em dia de première de uma peça teatral: Hamlet. E nesse nervoso dia, que desabou sobre sua cabeça, ela terá que resolver suas questões particulares que vão desde a quase inevitável (ou não) separação, até a tarefa de buscar o filho pequeno numa escola que ela nem sabe onde fica.

À parte isso, os outros personagens se chafurdam nos problemas existenciais inerentes a uma sociedade moderna e secular, instalada entre rios, ruas enviesadas e uma arquitetura tão antiga quanto contemporânea. Música e fotografia ótimas. O final dá pistas de que nada está em condições de ser resolvido de forma definitiva. A vida continua... sobre a rua, sob a água, e a delicada e solitária sereia a olhar pro mar.



segunda-feira, 16 de abril de 2012

Sem noção

Sem comentários
Algumas expressões adquirem tal grandeza que merecem ser analisadas e de um tempo para discorrer sobre elas, sobre o seu poder de mando e de fogo. “Sem noção”, você não tá entendendo!!!  

Optamos por uma abordagem genérica, mais coletiva do que individual, conforme a sugestão da nossa equipe de advogados e consultores associados que nos prestam serviço na área da assessoria jurídica que, até este momento, tem dado conta do recado, já que ainda não fomos vitimados por nenhum tipo de questionamento jurídico. E assim pretendemos dar continuidade em nossa discreta e elegante forma de enfocar acontecimentos, mesmo que eles suscitem fatos da mais aguda e profunda estranheza.

Há alguns anos, quando alguém se via ultrajado por outra pessoa, para questionar e anunciar um possível contra ataque, era comum retrucar: “Você perdeu a noção de perigo?”. E o sujeito ou sujeita logo entendia. Mais recentemente, aboliram a parte final da frase – “de perigo”, e, concordamos, ficou bacana e o sentido mais amplo. Bastando simplesmente um “você não tem noção!” ou “o sujeito é sem noção!”. E tudo está dito ou foi dito; sem discussão; entendido! Não ouse pedir explicações, porque um “sem noção”, não precisa de complementos. Sem noção é sem noção.




E a expressão assume complexidade de tal natureza, que seu real sentido depende mais do livre arbítrio de quem fala e de quem ouve, do que de qualquer outra questão semântica ou circunstancial. Ou seja, “sem noção” é a falta de clareza e de ressignificância pré-estabelecida.

Estamos explicando isso pra vocês que não têm noção do poder dessas duas palavras unidas. Para um bom entendedor, “um sem noção” é tudo. Dizem que a expressão superou a máxima da comunicação, “diz mais que uma imagem”.


Não viu o sol, seu sem noção?


Baloneiro é...


Pesquisamos a etimologia da palavra noção e vimos que a origem é do latim: notione, que significa conhecimento, ideia...   Pensamos que talvez “sem noção” tenha originado do “nós são”, que com o passar dos anos adquiriu a forma sincopada. Mas isso, claro, ainda precisa ser checado no capítulo dos prolegômenos idiomáticos, coisa que não tivemos tempo (e nem saco) pra fazer.  

Os meios de comunicação têm abordado o comportamento humano, valorizando pessoas pelas suas atitudes positivas. “Gente que faz”, “gente que acontece”, “gente de expressão”. Em nossa dupla memória que, somadas, já ultrapassam um século de história e de malhação, achamos que os “sem noção” merecem... ops... pensando bem, tem muito programa sem noção e muito sem noção por aí falando, se apresentando, comandando, propondo.




São milhões de sem noção ou histórias sem noção. Sabemos de um caso onde alguém, após ser classificado como sem noção, partiu para as vias de fato.  Vocês não têm noção... a pendenga foi para o campo jurídico. O mundo dos “sem noção” é cada vez mais populoso, é o mundo dos lacônicos, “com certeza”. Danou-se!  você não tá entendendo, por isso fizemos este post, sem noção...

sábado, 14 de abril de 2012

Amassos


Maiakovski, segundo os burocratas, era
incompreensível para as massas 
"E para a massa
flutuam
dádivas de letrados –
lírios,
delírios,
trinos dulcificados."

Física é uma ciência dos eleitos. E não deveria pois ela tem como essência compreender e descrever a natureza, seus fenômenos e tudo que nela existe.

Antes dela tudo era explicado como vontade ou manipulação dos deuses: o dia; a noite; estações do ano... Essas explicações deixaram de ser convincentes quando o homem passou a utilizar, para entender a natureza, seus fenômenos, o comportamento da matéria, a energia etc; um método científico associado ao pensamento lógico, tendo a matemática como linguagem. Assim nasceu a física, antes, filosofia natural, a mais antiga das ciências que atua em níveis inimagináveis, do mícron (ou algo menor se houver) às dimensões galácticas.

Aristóteles: geocentrismo, gravidade...

Não avançaremos mais porque não fomos eleitos com esse dom. Adentrar-se na física de cabeça e ir além dos seus conceitos mais básicos, é aí que gente para. A educação que nos é oferecida não tem interesse, que deveria haver, em torno da física. Deixa pra lá, porque fomos projetados para ser pequenos nesse sentido. Mesmo assim, entretanto, o mais importante é que os princípios apreendidos têm validade para o nosso cotidiano: o movimento e o repouso dos corpos; calor, acústica, ótica e eletricidade. E a Física, claro, vai de massa!  

O assunto delongou... Na verdade, queríamos falar sobre massa. Que é uma grandeza física, que significa quantidade de matéria. A massa é igual ao peso dividido pela gravidade, segundo os ensinamentos escolares. E vamos crescendo, vivendo e aprendendo (física e outras coisas), comendo massa, massificando e fazemos parte da massa... Tem a tal da massa acéfala, que é de onde queremos fugir e ir parar um outro lugar, porque da massa sai o tal do biscoito fino. Tudo é massa e massa é tudo.  








Macarrão, ravióli, pão, pizza, nhoque... massa. O maravilhoso e perigoso carboidrato, que mandamos pra dentro. Até se empanturrar. Ao longo dos anos, uma alimentação a base de massas, pra quem leva uma vida sedentária, pode se transformar num desastre pra saúde. Pois é, a massa está na física, mas quem não pratica a física e vai de massa... pro beleléu!

E chegamos às massas. Estamos com a mão na massa. Massa palavra, massabarro, massaroca, massapê, amassa a massa e bate nela que ela cresce. Uma vez perguntaram para um amigo se ele era maçom. “Não, sou massinha”, contra atacou.



Chegar na massa, flertar livremente com o povão. Sonho e/ou preocupação de muitos artistas, enquanto outros não estão nem aí pra isso. Sem juízo de valores. Não entraremos nesse mérito. Só o que é preciso e importante é não desprezar a massa e não tripudiar em cima dela, mesmo que ela não esteja preparada para o vosso biscoito fino, ó artista refinado, erudito e hermético.


Sergio Vaz, "as pedras não falam, mas quebram vidraças"
fino biscoito das massas
Argamassa sim, arghmassa, não... Ah, e tem também aquela outra massa, coisa boa que quando não é boa, é palha!!!!! Asas da imaginação. Massa!!!       

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Whisky com Vodka e... guaraná

Whisky com vodga... ic... com vodka, melhor dizendo... Não dá muito certo misturar bebidas, pois a rebordosa, pode-se preparar, é traumática. Whisky, vodka... palavrinhas conhecidas e conhecido também é o alto teor alcoólico e os estragos do dia seguinte. Bebedor de whisky tem que ter estilo, pois a fogueira, para os inexperientes, é de arrebentar e o resultado, no dia seguinte, é desastroso. A vodka ela te cozinha em fogo brando, não se percebe nada, mas ao se levantar... o mundo gira e você (se não se segurar) cai aos seus pés. Já a ressaca é mais confortável. Dá até pra encarar uma reunião chata. Sem máculas e sem hálito.

Se for nome de filme, é meio esquisito, mas tudo bem. Contanto que tenha um personagem que encare com garbo essas doses e overdoses. No mundo glamouroso do cinema, o que não falta é artista com queda pela manguaça (se fosse só nesse metier, va lá!). E se o filme narrar os bastidores de uma produção cinematográfica, na qual, o ator principal tem problema com bebidas, pronto. Tá perfeito. Um alto percentual de verossimilhança já está garantido.

Vai por aí o segundo filme de Andreas Dresen, cineasta alemão que já deixou de ser promessa, apesar de poucos longas realizados. A história de “Whisky com Vodka” (2009) retrata a performance decadente de um ídolo do cinema alemão, Otto, interpretado de forma brilhante por Henry Rübchen. Quem tem experiência de cena sabe muito bem que não é fácil interpretar um alcoólatra. O que acontece é que Rübchen parece se sentir tão a vontade na pele de seu personagem pinguço, que tudo leva a crer que ele também gosta da coisa. Sua interpretação é muito natural.

Jovem e promissor diretor

Mas, no filme em questão (o filme dentro do filme, metalinguagem saca???), o problema se avoluma. A produção decide contratar um outro ator, mais jovem, e desconhecido, e passam a gravar as cenas em dose dupla. Assim, surge na vida de Otto o outro ator, Arno. O duelo e a ciumeira entre os dois é inevitável e este é um dos aspectos mais interessantes no decorrer do filme.



Não que o roteiro seja absolutamente centrado nessa disputa. A câmera inteligente e sensível de Dresen explora com requinte todos os detalhes e valoriza todos os personagens, brincando com a hierarquia num set de filmagem. É tudo muito real, dramático e engraçado. Engraçado para quem está assistindo, porque, conviver com uma situação dessas não é mole não. Ego de artista não é e nunca foi coisa fácil de se lidar com ela.




A bela trilha sonora, que explora clássicos da música universal, como o tango “Por una cabeza”. Por causa das circunstâncias etílicas em que o roteiro se desenvolve, o incrível tango poderia sofrer uma alteração em seu nome, que remete ao dia seguinte: “Por uma dor de cabeça”.


Como? Só uma?

E essa musicalidade que acrescenta e enriquece, vai surgindo e cai como uma luva. O cinema de Andreas Dresen não é daqueles que embasbaca e nem há de pirar cabecitas indômitas. Mas vislumbra um cineasta que esbanja intimidade com a técnica da sétima arte. E sem mais delongas... Bom final de semana, não custa lembrar que maneirar na manguaça vai bem...  


Chame a Neosa....

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Par de jarros

Cara de um focinho do outro. Diz-se de pessoas parecidas fisionomicamente. Mas, se a parecença for só de indumentárias, aí não tem jeito: é par de jarros mesmo!!!!! Hoje, ao atravessar uma rua dois mototaxis com camisas azuis e capacetes brancos vinham emparelhados e na maciota. Hora de mandar soltar um comentário ou palavrão,“alembrei”: Seus par de jarros!!! Jorrou límpido de minha boca suja.

“Ondé que vocês vão cantar?”, é a pergunta/piada recorrente quando pessoas aparecem com roupas parecidas. Coisa mais boba! Lembro-me que era comum as famílias vestirem os filhos com roupas iguais. Às vezes sobrava até para os adultos. Geralmente, no final de ano, eram feitas as compras pra família toda. Comprava-se a peça inteira do tecido. Então as camisas, vestidos, camisolas e pijamas seguiam o mesmo padrão. Com pequenas variações. Em famílias mais abastadas usava-se os mesmos modelos, mas de cores diferentes. E todo mundo era feliz, aparentemente.

Shakira e Pink "a la par de jarros"
Jarrinhos enfileirados

Família gosta destas coisas. Imagina então os gêmeos, o que passavam... além de usarem roupas iguais era comum colocar nomes duplos e invertidos, tipo: Frederico Carlos e Carlos Frederico. Já que fomos de Frederico, tem também Frederico Guilherme e Guilherme Frederico. Marcia Vitória e Vitória Marcia.

 Rutinha e Raquel  (e Carlos Zara)

Vamos de duplas. Duas pessoas que, por qualquer motivo, formam uma dupla. Quer um exemplo??? Nós aqui do Tyrannus! Cuiabano gosta muito de referir-se às duplas de maneira muito peculiar. Que Fulana? – Fulana de Sicrano. – Ah! Esse jeito de referir-se é usado tanto para casais formais como para amigos assim um tanto inseparáveis... (que se amavam!!!!), mas ainda não sabiam. Um amigo nos contou que sacou que amava o ‘inseparável’ quando comprou um enfeite de gravata tipo o anel dos “super gêmeos ativar”. Mesmo depois de duplas desfeitas, as pessoas ainda se referem ao ... de ...




Casal 20 (se fosse hoje seria Casal 70, por aí)

Casal 20, par de jarros e trocando as bolas!!!
Aí já é demais!!!!


Nos dias de hoje não dá nem tempo as duplas/casais são efêmeros. Até parece que “ninguém é de ninguém”. Mas lá no fundo, bem fundinho todo mundo quer encontrar sua cara metade ou a metade da laranja ou a tampa da panela ou o chinelo velho pro pé cansado. Se não encontra, certamente sonha.

As metades da laranja, dois amantes, dois irmãos
(Fábio Jr.)
As duplas são poderosas. Podem ser formadas por gente, ou de mentirinha, como o Batman e o Robin (não vale maliciar a relação entre o homem morcego e o garoto prodígio). Ou vale, sei lá... Pode crer, bicho... Ops, pode ser bicho, como o Tom e o Jerry e outras coisas como café com leite, pão com manteiga, goiabada com queijo (origem shakesperiana – Romeu e Julieta), Tarcisio e Gloria, Fred e Ginger, irmãos Cohen, arroz com feijão, Jararaca e Ratinho, Zé Rico e Milionário (das caipira e das antigas). Não. Não nada de descambar pros lados das duplas sertanejas, que é covardia. E Cobra de duas cabeças não é dupla. Hein!




Alguns casos extrapolam. Sandy e Junior separaram e num é que tem um deputado chamado Sandy Junior bombando na mídia. É, bombando, mas graças ao Cachoeira que burrifou nele. E tem gente que gosta tanto de dupla que desenvolve uma dupla personalidade. E chega de conversa, porque tá na hora de preparar uma outra dupla. Uma vodka dupla... pequena, traz duas!

Vamos cantar: "Meu amor é cachoeira"