quinta-feira, 26 de abril de 2012

Pirou na batatinha

"Antigamente quando eu me excedia,
 ou fazia alguma coisa errada..."
O que tem por aí de gente descontrolada não dá nem pra contar. Alguns sofrem desse mal de forma aguda, enquanto outros padecem com ele cronicamente. A pior coisa do mundo é entrar em rota de colisão com alguém que esteja padecendo desse mal.

Ui ui ui, ai ai ai... que choque! Blairo Maggi disse que Luiz Antonio Pagot, que foi o homem forte do seu governo, tá doido, descontrolado: é “um fio desencapado”. O homem perdeu as estribeiras. Quem? Qual homem? Quem “pagô”? E porque não “pagô” uma de descontrolado quando tava lá no bembom? “Fogopagô, fogopagô, fogopagô”. O último que saiu não “pagô” a luz. Tamo no escuro!


Fogopagô, fogopagô????

Aqui tá tudo sob controle, menos o saldo da conta bancária e o resto. A culpa é a falta do descontrole na administração do soldo. Os brasileiros, maioria, não sabem administrar seus salários. Taí uma matéria que deveriam incluir no currículo das escolas, pra fazer parte da nossa educação. É importante, porque agora o país tá em desenvolvimento. Descontrolados que somos, estamos naquela base: “Cada vez sobra mais mês no fim do dinheiro”.



Voltando ao descontrole. Existe povo mais descontrolado do que os produtores? Quem não é, faz que é. Porque faz parte. É uma coisa que vai assim incorporando, incorporando e quando percebe tá viciado. Vício em adrenalina. Qualquer coisa, mínima que for, vira um stress só. A culpa de existir esse bando de descontrolados é dos diretores e do “cast”. Diretor gosta de coisa de última hora e produtor tem mania de esquecer. Loucura, gritaria, correria. Um bando de gente descontrolada. E no final tudo se ajeita, sai bonitinho, redondinho. Não tem “tu”, vai “tu” mesmo!

Ou não!

Normalmente são mal remunerados em relação à trabalheira que são submetidos (no mercado aqui em Cuiabá) e ainda têm que improvisar a toda hora e aguentar os chiliques de diretores, artistas, figurinistas, produtores executivos etc. E quando algo sai errado, nem precisa perguntar de quem é a culpa. A esses profissionais, aqui sugerimos um slogan: “Descontrolados, sim... mas com razão”.

O descontrole geralmente acontece quando estamos no chamado olho do furacão. A pressão externa é tão grande que desaba na cabeça, fazendo uma vítima. Executivos em geral e pessoas que ocupam cargos de chefia, frequentemente, perdem o controle da situação. Técnicos de futebol que acumulam resultados ruins, diante dos jornalistas nas entrevistas coletivas, soltam os cachorros. Artistas e celebridades gostam de perder o controle pra aparecer. Antes dos chiliques e balacobacos,uma olhadinha pra ver se tem público ou as câmeras. Quer ver povo descontrolado... de monte? É só ir onde tem gente fazendo mestrado ou doutorado. Em fase de defesa. Sai de perto.






Duro de aguentar e que não dá pra fugir é o descontrole da mulherada na fase da TPM. É mole? Não dá pra escapar porque mãe, filha, mulher, aluna, chefe, colega, cobradora de ônibus, secretaria, médica, dentista, dona de casa, vendedora, professora...  tem ou já tiveram TPM. É dureza pro homem e pra mulher também, porque ficamos tão descontroladas e chatas, mas tão chatas e descontroladas que ninguém suporta. Sei muito bem disso!   



Recomendamos a todos os descontrolados da vida ou de um momento na vida uma dieta a base de chá de camomila, capim cidreira, maracujá, chuchu, alface e um gardenal que, em hipótese alguma, deve ser ingerido com bebidas alcoólicas. Porque aí, além do descontrole, a pessoa acaba praticando o verbo despirocar. Ou surtar, num palavreado mais atual.


Precisamos nos controlar, nos manter atinados em relação ao tamanho dos post aqui no Tyrannus. Precisamos... Mas ainda dá tempo de render uma pequena homenagem ao jornalista papa-peixe, sujeito que driblava confusões, pressões e constrangimentos, com simpatia. João Marinho foi um descontrolado na arte de ser feliz e fazer as pessoas felizes. As palavras de hoje são pra ele!!!


terça-feira, 24 de abril de 2012

Bola na trave

Bife, craque dos  800 gols
“D... d.. dá... cha...chapéu, mas num marca  gol”. O zagueiro Gaguinho era um dos melhores beques do futebol cuiabano/matogrossense nos anos 70. Gaguinho, percebe-se, era gago. Disse a frase que abre nosso texto para Bife, o melhor atacante que já passou em nossos gramados, após ser chapelado pelo Bife. Outro grande craque daqui, Pelezinho, que fez até gol olímpico contra o Vasco, morreu muito cedo em acidente e não pode “completar” sua trajetória. Gaguinho mostrou sabedoria com essa frase. Porque no futebol, jogar bonito, ou bem, não garante resultado. Sempre foi assim e talvez por isso mesmo o futebol seja um esporte tão interessante. A imprevisibilidade é demais...

Pois é, três resultados ruins e o grande Barcelona, o melhor time do mundo, não tem mais chances de conquistar o Campeonato Espanhol e está fora da Copa (ou Liga) dos Campeões, certame europeu que define o clube bambambam lá do velho continente. O Barça, com Messi e toda aquela arte estratégica de envolver o adversário e dominá-lo, com a posse de bola por mais de 70% da partida, muito mais finalizador do que seus adversários e mais um monte de estatísticas favoráveis, simplesmente e inacreditavelmente, sucumbiu.

Drogba, do Chelsea, estilão cai cai

Ramires e o gol estiloso

Perdeu de 1 X 0 pro Chelsea na semana passada lá na Inglaterra, no final de semana perdeu de 2 X 1 pro Real Madri, de Cristiano Ronaldo; e nesta terça (24) só conseguiu empatar (2 X 2) na partida de volta contra o Chelsea, jogando em seus domínios, em plena Barcelona.  



Foi apenas uma partida de futebol!

E o Messi, disciplina e habilidade que só ele tem, porque o Neymar é outra história, mandou duas na trave, uma delas num pênalti desperdiçado. “Bola na trave não altera o placar”, diz a letra do Skank. É a graça do futebol... Para muitos, uma desgraça. Mas o inchaço da cabeça não há de durar muito. Se durar, se permanecer e provocar comportamentos estranhos, aí passa a ser patológico.  

Dessa história toda dá pra tirar um ensinamento: Invencibilidade não existe. Perder também faz parte do jogo. Por um simples acaso ou por algo muito mais extraordinário, chega uma hora em que as coisas mudam. Impérios foram construídos e demolidos; líderes transformarem-se em ditadores; o povo que dá a volta por cima e derruba governos; poderosos caíram por não se sustentarem no alto de sua arrogância, esquecendo-se que seus pés são de barro.  O mundo é uma bola, que gira conforme determina a natureza.





O lance é aproveitar as marés boas no jogo. E no amor também, porque não. Sorte no jogo infelicidade no amor? E se for felicidade no amor... Será que não cabe um palpite duplo? Afinal, quem manda no jogo... e quem manda no amor?      


Nenê Andreato clicou o gol olímpico do Pelezinho

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Presente

Richard Burton, presenteador de mão cheia e aberta
Entra ano, sai ano, ganhamos e damos presentes. É uma questão social, pra cumprir tabela ou porque vem do querer presentear, lá do fundo do coração... Presentear é tão bom quanto receber. E não é nada fácil escolher um regalo porque depende de vários fatores: conhecimento pessoal do presenteado, posição social, familiar e hierárquica, disponibilidade de tempo, de dinheiro, criatividade... Cada item, por si só, já reduz as possibilidades e gradua a intensidade da dor de cabeça. Imagina quando acumulam dois, três, quatro. Aí meu Deus, me acuda!!!!!

Ser vitimado por um presente é um tanto estranho e difícil mesmo é explicar essa situação de troca de afeto (que pode ser de mão única!). Mas o mundo é assim e 24 de abril marca um fato curioso, em relação ao ato de presentear.

Quase 12 séculos antes de Cristo os gregos ganharam uma guerra por causa do efeito que um belo presente causa. Os troianos acreditaram que os gregos haviam desistido da guerra (menosprezaram a sua astúcia) e que deixaram um presente como reconhecimento de sua derrota. Os presenteados, embevecidos com aqueles sentimentos que os regalos despertam, esqueceram por uns momentos da guerra, das desavenças e baixaram a guarda (quem bolou a ideia conhecia a magia). Mal sabiam os troianos que presentes no interior do imenso presente, um cavalo de madeira, estava o belicoso exército grego. De lá pra cá tornou recorrente a expressão “presente de grego”, para aqueles agrados que viram um transtorno em nossas vidas. A dimensão do coice do Cavalo de Tróia entrou para a história.



E tudo leva a crer que o ditado que associa presentear com cavalos é tão antigo quanto o episódio narrado em versos por Homero: “Cavalo dado não se olha os dentes”. Pode ser, mas às vezes... Uma dedução que fica por nossa conta... Sei lá...



Ruim é errar o presente, caso quem o receba seja um péssimo ator e não saiba fingir que gostou. A saída para o presenteado, nestes casos, é guardar o presente e repassá-lo quando surgir uma oportunidade. Muito cuidado, porém, pra não devolver o presente para quem presenteou. E pra este, que deu o presente, não tem jeito. É saber lidar com o constrangimento e pensar (mas não pensar alto): “Puxa, achei que ia gostar”.

Dois minos de Richard à bela Taylor:
 anel de diamantes e rubi...

e a famosa "La peregrina", joia do Sec. XVI

A piada que pode ilustrar essa história toda é de um pai que tinha dois filhos, um otimista e um pessimista. Presenteou os dois. Ao pessimista, uma bicicleta; e um monte de bosta de cavalo ao otimista. O filho pessimista pôs-se a lamentar: “Tenho certeza que vou levar um tombo e me estrepar com essa bicicleta, isso se não a me roubarem, amanhã mesmo”. Enquanto ruminava esses pensamentos reparou que seu irmão andava feliz pela casa procurando algo. Indagou-lhe: “O que você ganhou?”. Veio a resposta: “Eu ganhei um cavalo, você viu ele por aí?”.

Presente joia rara de Adir Sodré ao Lorenzo 

Presentes e papos equestres relincharam hoje cá no Tyrannus. Quando for escolher o que presentear a alguém que mora no seu coração, esteja mais para cavalheiro do que cavaleiro. E veja bem onde vai amarrar sua égua...        

Trouxe presente???

domingo, 22 de abril de 2012

Dobradinha com Gabriel

RU- UFMT: Muita coisa rolou aqui  
Ah, se aquelas paredes falassem. Disse certo o poeta: “segredo é pra quatro paredes”. Lá pelos anos 70 frequentávamos o restaurante universitário da UFMT, quando ele começou a funcionar, ali pertinho da piscina e do Museu Rondon.  Os anos, quando vão ficando pra trás, muita coisa deles cai no esquecimento. Outras não. Basta uma palavrinha, uma conversinha, que vai se puxando a memória que ela vai vindo.  Essa história do tal restaurante que inaugurou o sistema bandejão por estas bandas ressurgiu em nossas cabeças por causa de uma crônica do blogueiro Gabriel Neves, ex-reitor da UF e amigo querido.


De reitor a blogueiro

Não sabemos se o primeiro administrador foi mesmo o Walter, um boliviano, mas é muito provável que sim. O sujeito dava toda a pinta de entender de bar, e não temos ideia de como rolou essa concessão.  Bom , naqueles tempos o que tinha  era o tal do aluno “combênio”,  vindos das bandas dos Andes. Talvez estivesse na moda sul-americanos na UFMT. Além dos estudantes combênio, havia muitos goianos e campo-grandenses...

Mas o restaurante do Walter tinha uma administração familiar. A mulher do Walter tocava a cozinha, e um casal de filhos adolescentes atendia de forma não muito educada. Depois surgiu um garçom que logo foi apelidado de 2001, por causa do sorriso falho nos dentes superiores.
“Warter, sarta uma sartenha”. Parece que ainda ouvimos a voz esganiçada da mulher do Walter. Era uma bagunça organizada. E, a presença de nuestros hermanos também estava na música que rolava: muita Mercedes Sosa e Violeta Parra.




Merces Sosa e O apanhador...
fizeram a cabeça da moçada
Alguns fatos rocambolescos marcaram pra valer. Certa vez a mulher do Walter socorreu um dos universitários com um remedinho: “Só tem um problema... depois vai peidar sem quantia”, avisou, enquanto o almoço rolava solto. O Walter, conversador que era, revelou, num bom portunhol, que tinha um sonho: “abrir uma zona com mujeres que hacen de tudo”.  

Naqueles anos esperávamos o final ou início do mês, sei lá, pelo “crédito educativo”. E torrávamos boa parte dele em cervejadas no RU. Sim, as bebidas eram permitidas no RU.  Esclarecemos aos incautos que o crédito educativo foi pago, depois de formados, e que foi uma boa aplicação. As conversas de bar foram fundamentais na consolidação de nossa educação e cultura. E o bar do Walter ou o RU era o nosso point.  De dia pra matar aula, jogar bozó. No final da tarde curtir os ensaios da banda.


Quando os gatos se tornavam pardos, o tempo era reservado para a integração e engrandecimento da esquadrilha da fumaça, cujo QG era baseado nesse local. As decolagens e aterrissagens  lá pelos lados da piscina e da arquibancada, em vários voos. Era um tal de Bode, Magal, Chico B, Lua, Carumba, Castro Alves ou José Bonifácio, Romeu, Babão, Salú, Bugrão, Celso Shampoo, Machadinho, Sombra e mais um bando que aumentava a cada dia (se hoje perguntar se fumavam alguns dirão que fumavam, mas não tragavam). Essa mesma turma frequentava as vernissages que Aline Figueiredo organizava e também o Cine Clube Coxiponés que, aliás, foi gerado por iniciativa de algumas cabeças dessa turma. 


Quem não tinha óculos escuros...


O pessoal da esquadrilha da fumaça temia os "guardinhas" da UFMT. Esses guardinhas, bem cuiabanos, usavam calças pretas e camisas brancas e ficavam “bisoiando o movimento” da tchurma. Ouvimos falar que um famoso comendador de Cuiabá, trabalhou como guarda da universidade.  O pavor maior eram os PF’s (nada a ver com prato feito, polícia federal mesmo). Muitos eram infiltrados e outros eram de fato, estudantes. Tinha uma tal de uma Brasília branca, sem placa, que onde ela estivesse, tava sujo. A casa caía. Quanta nóia.

UFMT anos 70
E foi nesse espaço democrático da intelectualidade odara da universidade que aconteceu o primeiro ato de desagravo. O Magal mandou seu bandeijão pro chão, manifestando sua insatisfação com a comida oferecida.  A discussão foi parar no gabinete do reitor. Não sabemos o que se sucedeu... Aos poucos, a esquadrilha da fumaça migrou para o bar do japonês, que ficava bem próximo. Os voos no campus foram rareando, até que findaram de vez, quando uma grade foi instalada, um fosso, demarcando espaço e domínio. Foi o início do fim da nossa inocência e do nosso espaço privilegiado...  Outros rumos foram tomados. Vida que segue.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Terra a vista

Hélio Oiticica: Parongolé, meu irmão!
Por que é feriado no dia de Tiradentes e não é feriado o dia do descobrimento do Brasil? Considerando as devidas proporções históricas, e sem querer desmerecer esse ou aquele dia, acho com todo o meu coração que deveríamos comemorar o  descobrimento do Brasil. Dia 22 de abril era pra ser feriado pra que todos nós brasileiros, gritássemos em determinada hora, considerando os diversos fusos horários, em uníssono: Viva Brasil!!!!! Ou, “Terra a vista”. Lembrando o famoso grito dado pelo marinheiro lá no alto, lá no caralho (lugar mais alto do navio, nos píncaros do mastro central, inventado pra avistar “terra a vista”. Ou, inimigo a vista).




E assim entramos no clima. O clima tropicália que pede balangandãs e parangolés, com bananinha na cabeça e abacaxi e outras frutas. Natureza morta? O quá! Outro papo... papo pro ar, papo bócio. Contar papo. Brasileiro gosta de megalomanias... De ser o país disso e daquilo. Ah, o país onde foi inventada a famosa sandália havaiana. Que coisa estranha... Essa invenção era pra ter surgido lá no Havaí.


Carta de Caminha


O brasileiro, esse ser brasileiro... é especial. E é verdade quando falam da alegria, da hospitalidade e generosidade nossas.  Dois dias cívicos, um no cu do outro. Como não falar do Brasil nesta dupladata? Vai Brasil, vai... Redescubra-se desafiador. Conteste a afirmação de que a Baía da Guanabara é feia, como uma boca banguela sem dentes. Era só inveja de Claude Levi-Strauss. Ser banguela, afinal, combina com país que tem um Tiradentes como mártir.




Brasil bairrista. No CPA, em Ipanema, no Morumbi. Na Lixeira. Temos nosso lixo, mas ninguém pode falar mal do país onde nascemos (peraí, essa lixeira não vem de lixo, refere-se á árvore símbolo do Cerrado: a Lixeira). Só nós mesmos. Nós mesmos que sabemos (ou precisávamos saber) que “o nacionalismo é a prova de que a humanidade não dá certo” (Gilberto Dimenstein). Um país jovem de pouco mais de cinco séculos. “Jovem, abra os olhos, o coração, abra as mãos e fuja daquele veneno que seus antecessores sugaram avidamente da história. E só então o mundo inteiro há de se tornar a pátria de todos vocês, e seu trabalho, seus esforços, se espalharão como bênçãos sobre a terra” (obrigado, Einstein!!!).



Uma piada velha diz que Deus criou um lugar com natureza exuberante, clima maravilhoso, onde não havia terremotos, maremotos e perguntaram qual será o problema desse lugar. E ele diz: os brasileiros.

“Somos uma nova Roma, uma Roma tardia e tropical”, ensinou Darcy Ribeiro. A capital italiana, aliás, foi fundada no ano 753 a.C. E no dia 21 de abril. Roma tem muito mais história pra contar do que o Brasil. Já nós, brasileiros, parece que temos que aprender a escrever melhor a nossa história. Somos bons, craques mesmo, nos esportes gastronomia miscigenação cores sons relações letras... criativos até não poder mais. Ah, e é preciso lembrar que também somos especialistas na preguiça e gostamos de deixar tudo pra última hora. Essa característica, ninguém tasca!




O brasileiro é um caso sério. Vive sonhando-se em grandiosidades. E é questionado pelo mundo afora (como é o caso da Copa do Mundo). A nossa índole é diferente. Não dá pra comparar o jeito de ser dos alemães com o jeito de ser e fazer dos brasileiros. Assim como não somos nem um pouco parecidos com os ingleses, americanos, africanos. O nosso jeito de ser é... vai levando, levando e na última hora sai. Improvável, mas sai. Poderia ser melhor? claro que sim!

Ops, e agora, nesta reta final, nos passa pela cabeça se somos mesmo tão ruins para escolher nossos governantes, ou se... se... sei lá. Agora bateu uma preguiça danada de pensar nisso. Então, à queima roupa: O Brasil foi uma descoberta do caralho!

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Money, money

“Não me amarra dinheiro não.
Mas formosura.
Dinheiro não.”  

Dinheiro é Deus pra muita gente. Talvez seja a coisa mais importante do mundo, superando ideologias e a própria fé. Cruz credo! Ouvimos isso da boca de um conceituado filósofo lá do leste europeu. Seu nome, entretanto... esquecemos. Mas não precisa ser filósofo pra concluir isso, um raciocínio pragmático. O reflexo do apego ao capital é a avareza, pecado capital.

Ei!
Você aí
Me dá um dinheiro aí!

Aqui como em qualquer lugar do mundo, dinheiro é sempre bem vindo. Como não!!!! Mas é um prazer robusto quando o poder econômico cai por terra diante do imprevisível. Sorte e talento. Sobre a sorte é difícil de falar, porque faz parte de um mundo cujos desígnios não temos nenhuma influência. É como os músculos involuntários que temos no corpo, sobre os quais não temos controle nenhum. O coração, por exemplo. O talento ou dom trata-se de habilidade inata. Entretanto, há estudos que dizem que essas habilidades inatas podem ser desenvolvidas com motivação e técnicas apropriadas.




Apostamos na sorte e acreditamos no talento! Cada um deles ou ambos pode surpreender a voracidade da selvageria capitalista. Uma partida de futebol onde a zebra entra em campo e o sucesso de um filme de baixo orçamento estraçalham o paradigma financeiro.

“Dinheiro na mão é vendaval
É vendaval
Na vida de um sonhador”


"Vivo esperando e procurando, um trevo no meu jardim"

Essa história de diferenças sociais e nas contas bancárias já rendeu muita grana, pelo menos na ficção. Histórias de amor entre um muito rico e outro muito pobre venderam muitos bilhetes nos guichês de cinemas.  E como faziam sucesso (e ainda fazem), levando multidões a se debulhar em lágrimas: “A princesa e o plebeu”, “Uma linda mulher”, “Love story”. Na vida real, lembramos do casamento do príncipe Charles com Diana (não durou muito) e não teve um final feliz.   

“Dinheiro, dinheiro, dinheiro, dinheiro  
Mim quer tocar
Mim gosta ganhar dinheiro (dinheiro!)”


"A princesa e o plebeu"


O que o dinheiro não compra? Pensamos, pensamos, matutamos... muitas coisas. Mas, essa coisarada que não tem preço parece que vai ficando meio piegas e/ou com prazo de validade vencido. Se der zebra numa partida de futebol, pode ser porque faltou negociação. E se uma grande produção cinematográfica não fizer o sucesso que estava programado, vai ver que o babaca do diretor fez um filme de arte.

“Eu aprendi... que dinheiro não compra classe” (Shakespeare).
“O dinheiro não nos traz necessariamente a felicidade. Uma pessoa que tem dez milhões de dólares não é mais feliz do que a que tem só nove milhões.” (David Lee Roth)
Há tantas coisas na vida mais importantes que o dinheiro! Mas, custam tanto”. (Groucho Max)  
“A riqueza não traz felicidade. A pobreza muito menos.” (Millôr Fernandes)


"E depois que inventaram
O tal dinheiro
Dinheiro
Eu não sou mais eu
Nem você é mais você"




Papo de ocioso


Bordadeiras da Chapada
 Lá se vão uns 12 anos que o italiano Domenico de Masi lançou seu livro “Ócio Criativo”. A obra do sociólogo tasca uma nova ordem, uma forma diferente de encarar o tempo em que a gente fica “à toa”. Não ter nada pra fazer é o sonho de muita gente. Num antigo filme brasileiro, “Chuvas de verão”, um dos personagens, interpretado pelo magnífico Jofre Soares, anuncia a um amigo com expressão de felicidade a sua aposentadoria: “Eu nunca mais vou tirar o pijama”. Mas, qualquer um que parar pra pensar em torno desse “não fazer nada” chegará a genérica conclusão de que não é bem assim. Que dó!

Mirian Pires e Jofre em "Chuvas de Verão"

De Masi, antes de organizar seu pensamento futurista e colocá-lo num livro, era um workaholic. Uma daquelas pessoas que não tinha tempo para a família, os amigos e outras paradas sociais (seu nome era trabalho!). Desconfiamos que ele pensou, num instante de puro ócio, e descobriu o óbvio: o ócio, necessariamente, não é uma coisa do mal, como muita gente pensa. E tem mais uma, ele não teve esse momento de ócio, porque pensar, escrever... produzir é trabalho. E depois saiu peregrinando pelo mundo vendendo seus livros e a ideia que o ócio é necessário.



Nossa sociedade escravagista prega que só o trabalho leva ao céu, que o trabalho enobrece. E o ócio é preguiça, quem não trabalha é do mau. O ócio perigoso, pois “cabeça vazia, oficina do gramunhão”. Ficar a toa, de bobeira não é ficar sem fazer absolutamente nada. De repente lê um livro, faz um sanduichizinho, molha as plantas, dá uma olhada naquela roupa sem botão, faz um brigadeiro, passa um creme nos cabelos, come uma cenourinha, pinta o 7, vai pintar e bordar, tomar um banho de rio, dá uma zapeada na TV (procura algo diferenciado), uns telefonemas ou MSNs espertos , um cineminha, toma uma cervejinha com papo pra cima, deita numa rede e fica olhando pro céu: será que chove? Pensa na vida. Filosofa, ô meu!!! Torne seu ócio gostoso, porque ele faz bem pra alma e pro coração!





Mocidade ociosa, velhice vergonhosa. Diz um antigo provérbio português que está saindo da moda. Se analisarmos o mundo moderno com toda a sua tecnologia que se expande vertiginosamente e compararmos isso com o trabalho humano, dá automatização na cabeça. É um raciocínio lógico. Uma imensa gama de ações mecânicas que nós, seres humanos, fazíamos diariamente, pra ganhar o pão nosso de cada dia, é executada hoje por máquinas e esse processo é irreversível.





Tudo indica que o ser humano, nas funções mais básicas e corriqueiras, será substituído pela tecnologia. Preparar-se para o futuro que está batendo na porta do século XXI (quase arrombando-a) tem a ver com guinadas na forma de encarar e de se comportar diante da vida. Os saberes e fazeres que se relacionam com tempo ocioso ao qual todos temos direito precisam estar associados à criatividade. Ou pegamos carona nessa onda, ou perderemos essa espaçonave.   
     

Preparada para a invasão marciana