Maio é mês das noivas. Não sabemos por que.
Noivar nem é algo mais tão usual. Casar, sim. Não, não sei. Não sabemos. Aqui
entra aquela frase que nos acompanha desde o ensino fundamental: depende do
referencial adotado. O referencial és tu, querida pessoa que nos lê. Em que ano
você nasceu, como a vida te levou e leva e de que forma você amadureceu. Olha,
e se não amadureceu ainda, não tem problema nenhum, porque as regras biológicas
anotam que depois de maduro, a ordem natural é apodrecer. E isso é muito punk. Podre,
né?!
Mês das grinaldas, dos vestidos brancos, dos
bem casados, das alianças e juras de amor e fidelidade. Falando dessas coisas,
fica a impressão de que estamos levemente defasados. Pra não defasar geral, recorramos
ao efeito túnel do tempo e voltemos às noivas. Deixemos os noivos de lado,
porque noiva é noiva. Resta ao noivo o papel de coadjuvante. O coitado sequer
tem o direito de ver a futuro esposa vestida de noiva, antes da igreja. Noivas tem
significação forte na maioria das sociedades. Dito isto, entremos logo na
motivação maior para a escrita de hoje: o curso de noiva.
“Ele
estava se sentindo muito estranho naquele ambiente. Mas, nem por isso, lhe
passou pela cabeça abortar a missão. Tava ali por amizade, ajudando um casal de
amigos. Ela gravidíssima e ele, o noivo, no Rio de Janeiro fazendo provas
finais na faculdade. A família dela pressionando para casarem o mais rápido
possível (como mandava o figurino). Têm situações na vida que entramos numas de
loucura... Ok, mas substituir o noivo (secretamente) num curso de noivos???? No
teatro da vida é um papel secundário, uma figuração. Olhou em volta para
reparar nos outros que estavam por ali e...”
A princípio, é uma babaquice, só que nossa política, na medida do possível, é
respeitar as pessoas que pensem diferente. E daí que avivou por estes dias um
constrangedor e engraçado acontecimento que se deu exatamente num curso de
noiva.
“...
percebeu de pronto um sujeito que destoava um pouco e sentiu-se solidário a
ele. Sem saber qual a razão para isso, pôs-se a pensar agudamente em qual teria
sido o motivo dessa solidariedade. Deixou estar e foi cumprindo a sua função.”
“Depois
de alguns minutos se cansou de ouvir a falação do padre e olhou pra trás de
novo, e seu olhar foi direto aos olhos do cabra diferente. Este também o olhava
e estava a dois metros atrás dele. O cara lhe sorriu discretamente e foi aí que
ele percebeu a razão da diferença que havia notado. Sentiu aquele inconfundível
chei...”
Cursos de noivas é o tipo de coisa que ninguém deseja fazer, na verdade. Ontem,
hoje e amanhã, por mais que seja a fervorosa a fé de quem vai casar... ora,
fazer curso de noiva... o padre dizendo aquelas coisas que você tá cansado de
ouvir e de fazer (ou não). É muito chato.
“...
ro. Da boca do camarada, que estava a
dois ou três metros dele, emanava aquele aroma etílico que todos reconhecemos.
A manguaça deixa pistas inapagáveis. Nem um halls preto fortíssimo consegue
aplacar esse cheiro encanado. Isso, pra falar apenas de uma das pistas que o álcool
deixa. Ele mesmo, que tocava zabumba em uma banda postulante a sinfônica, às
vezes, levava descomposturas do maestro... Você bebeu, bebeu de novo! Envolto
nessas lembranças, esqueceu-se de onde estava. Voltou a si e ao lugar em corpo
presente graças a uma intervenção do homem que dava pintas de alcoolizado, que
tinha levantado a mão e se preparava para disparar uma pergunta ao resoluto
padre.”
Nossa amiga casou e vive feliz com o marido. O noivo substituto (nosso amigo
também), vai muito bem obrigado. Como é bom lembrar de acontecimentos
divertidos que envolveram a nós ou pessoas próximas. Às vezes, parece que viver
é colecionar fatos que tenham nos provocado algum tipo de reação, como uma ou
várias lágrimas, ou uma pequena contração facial, se bem que o bom mesmo seria
uma sonora gargalhada.
“Uma mão
parada no ar. Padre, padre... o senhor falou aí dessas coisas de sexo no
casamento, eu gostaria muito saber, disse o cara. O padre muito receptivo
encorajou o homem, como que exigindo a pergunta. E ela veio: Padre, e o sexo
anal...?”