quinta-feira, 14 de junho de 2012

Sua mãe também?

Alfonso Cuarón mandando muito bem

Ser adolescente não é mole não. Administrar um corpo praticamente adulto, só que com toda aquela explosão hormonal e, o pior de tudo, ainda estar distante da maturidade. É barra. Mesmo quando os jovens pensam que a adolescência já ficou pra trás, e que já ‘viraram’ homens... qual nada. O cineasta mexicano Alfonso Cuarón realizou um belo filme que viaja por  essa temática com muita espontaneidade. Sorte de quem já assistiu “E sua mãe também”, curioso título para esta produção de 2001, que marcou a estreia do ator também mexicano, Gael Garcia Bernal.
Diego Luna e Gael Garcia Bernal 

Maribel Verdú sensualíssima

A história gira em torno de dois jovens amigos, de famílias classe média, que namoram duas moças, também amigas. Exatamente no momento em que elas estão quase embarcando para uma viagem a Europa. Os rapazes, tudo leva a crer, vão se esbaldar com a ausência das namoradas. Mas, não deixam de lado a possibilidade das moças e aventurarem sexualmente com mancebos europeus. E a narrativa vai rolando livre, leve e solta, naturalmente. Prendendo a atenção dos espectadores.

As relações familiares, a sexualidade e a amizade sincera entre eles é que vai ditar o desenrolar da trama. Outros personagens secundários vão surgindo e passando quase que batidos pelo enredo, menos uma. A mulher mais velha, balzaquiana, desejosa e sensual. Está armado o nosso triângulo amoroso. E da ambiência urbana da burguesia mexicana, eis que a película se transforma num road movie, ao melhor estilo.
As belas e áridas paisagens mexicanas e sua população rural sofrida entram na rota desse trio que experimenta um sinuoso e impreciso itinerário, em busca das mais lindas praias desertas que existem no litoral do México.  O filme tem seu áudio natural cortado abruptamente várias vezes, quando entra uma narrativa em off que acrescenta novas informações sobre os personagens e sobre assuntos que parecem caber naquela altura. Esse recurso, digamos, manjado, cai bem. Altera o ritmo, provoca o humor, joga pimenta e enriquece a trama.

Chama atenção a forma autêntica e plena de liberdade como o diretor trata as questões e as cenas pertinentes ao sexo. Diálogos e imagens que, facilmente, poderiam descambar para o mau gosto apelativo, são desenvolvidos com muita habilidade. Quando menos se espera, neste filme, o espectador se pega perguntando: “o personagem disse isso mesmo?”... “foi isso mesmo que eu vi?”. E sem torcer o nariz.  
Agora o que que é esse?

“E sua mãe também” conquistou prêmios em festivais como o de Veneza, o de Havana e o Independent Spirit Awards; além de indicações para o Oscar, o Globo de Ouro e o Bafta. No México causou grande estardalhaço, transformando-se numa das principais referências da cinematografia daquele país.  

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Sustentável

Estamos no clima da Rio+20. A Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável. Como diria o velho Jack, vamos por partes. De fato, em partes: Primeiro, parte o tyrannus. Alça seu voo ao meio dia desta quinta, prometendo chegar em marvellous  city ao anoitecer. E amanhecendo o sábado segue a mesma rota o lado melancholicus. Primeiro a corda, depois a caçamba. Antes da empreitada, contratamos uma correspondente que prefere o anonimato, e já se encontra em terras cariocas. Num rápido contato telefônico na quarta, deu a entender que a coisa está meio bagunçada. Pudera, a cidade espremida entre montanhas e o mar começou a ser invadida pelos 50 mil visitantes previstos, de 130 países. Que venham bons frutos dessa conferência!

Ele é tão verde... mas tão verde 
que nem precisou de maquiagem pra fazer o Hulk

E que chique. Foi confirmada a participação do blog numa palestra do ator Edward Norton, aquele mesmo do Clube da Luta (1999), Dragão Vermelho (2002) e O Incrível Hulk (2008), só para citar alguns dos filmes mais famosos do ator, natural de Boston (EUA). Norton, em 2010, foi nomeado embaixador da Boa Vontade da ONU para a Biodiversidade e, nesse mesmo ano, também recebeu o título de “cidadão mundial do meio ambiente”, da Universidade de Harvard.

sem legenda!!!!

A Rio+20 é filha da Eco 92, conferência sobre o meio ambiente que aconteceu há 20 anos aqui mesmo, no Brasil, no Rio de Janeiro. Naquela época, uma equipe de TV, perguntou de chofre a uma mulher que transitava pelo local: “O que você sabe sobre biodiversidade?”. A mulher pensou rapidamente e soltou a pérola: “Ah, isso deve ser coisa do Dalai Lama”. Dalai, liderança política e religiosa do Tibete, participou daquele evento e dizem que quase causou uma saia justa, não conseguimos descobrir o porque.

UFC X CFC

 De 92 pra cá, certamente, muita gente aprendeu um pouco mais sobre biodiversidade e sua importância. Os pobres mortais sim. Mas, quem comanda o jogo do poder e do dinheiro, não tá nem aí. A história é a mesma. “Os países ricos acabaram com seus recursos naturais e agora querem tomar conta dos nossos? É bebé... mamar na gata você não quer, né?” “Queremos fazer parte dos países ricos (não desenvolvidos). É... rico mesmo. Estamos produzindo a comida do mundo.” Devemos, então, acabar com as nossas águas superficiais e subterrâneas, as florestas e a fauna; porque assim como eles temos o direito de desfrutar de tudo que tá aí? E dane-se! Um dia iremos tentar recuperar o que se perdeu, assim como eles... Só pra lembrar, o tema desta conferência é o desenvolvimento sustentável...

Vote em mim, tá!

Alguns convidados importantes não virão: Obama tá em campanha pra reeleição. Igual aos candidatos a prefeito e vereadores de Cuiabá. Ferveção e fritação. Eleição e baixaria é igual em qualquer lugar do mundo! Angela Merkel avisou “eu vou não vim”. Ficou de mal de Dilma. Tá de mal? Come sal. Deu de ombros a nossa presidenta. David Cameron, que induziu a alteração da data, alegando que estava muito envolvido com o jubileu da Queen, também confirmou o “vou não vim”. Que desfeita! Nada polido esse rapaz, nem parece inglês!

Então tá, até a Rio+40

Fechemos, pois saudando a cidade que recebe o mundo de braços abertos e com muitos abraços, em tupi-guarani: Rio “anauê” (salve, olá), Rio “abaetê” (gente boa) e Rio “areté” (dia festivo).  


terça-feira, 12 de junho de 2012

Bílis negra

Goethe. Gênio alemão cravou seu nome na literatura universal. Aí surge a oportunidade de assistir uma produção alemã recente, “O Jovem Goethe” (2010), de Philipp Stölzl. Gostamos de cinebiografias de artistas notáveis. Conhecer, neste caso traduzidas em imagens, a respeito de gente de tamanha envergadura, é algo conquistador.

Goethe como todo jovem teve lá seus problemas existenciais. Recebeu uma educação rigorosa que incluiu conhecimentos de vários idiomas, música e artes visuais, além de ter ao seu dispor uma biblioteca com dois mil títulos. Seu pai, poderoso no meio jurídico, rechaçou seus poemas e arrumou uma boca para o filho, que escrevia muito bem, como preboste no judiciário em alguma província em terras germânicas. E lá, quis o destino que Goethe se apaixonasse pela mulher que seu chefe também haveria de pretender.

Amores impossíveis e/ou difíceis estão espalhados pela ficção mundial. Recomendamos, e com gosto o filme, e não vamos nos estender sobre ele. É preciso, porém, registrar que quaisquer semelhanças entre este filme e Werther, célebre obra de Goethe, não devem ser encaradas como mera coincidência.

Miriam Stein e Alexander Fehling em "O jovem Goethe"

“Morbus melancholicus”, a expressão surgiu durante o filme para, supostamente, diagnosticar um suicídio. Melancholicus... melancholicus... conhecemos essa palavra de algum lugar. Sei lá. E fomos fuçar em torno dessa expressão latina. Tudo que tem origem latina é muito antigo e, portanto, já passou por muita filosofia e foi virado e revirado por estudiosos.

Melancolia (A. Dürer)
Melán cholé = bílis negra. Que vem do baço, órgão que fica bem pertinho do fígado, daí que o humor tem lá suas causas figadais. Quinhentos anos antes de Cristo, Hipócrates exprimiu-se fisiologicamente e garantiu que esse líquido era formador da personalidade humana. Que tristeza esse papo de ser genial. Depois veio Aristóteles, que foi além.

A existência costuma moldar os gênios com muito sofrimento. Pessoas que desenvolveram a genialidade e adquiriram muito conhecimento e sapiência deixaram suas pistas, que também são conhecidas como legados. Um sortilégio para a humanidade, mas, vai saber a dor dessa gente que tem a sina de gênio.


Então, Aristóteles, que se avizinhou da Era Cristã, atribuiu um conceito antropológico à melán cholé, ou melancolia, como é conhecida nos dias de hoje. O sábio grego confirmou que expoentes da política, das artes, da poesia e da filosofia eram tristes. Exemplificou nominando figuras históricas como Empédocles, Sócrates e Platão. Cícero e Sêneca, pensadores que vieram depois de Aristóteles, também se engajaram nessa mesma teoria que, de lá pra cá, não mais se aquietou.

Ficamos/estamos tristes? Deve ser por conta de um derrame de bílis negra. Somos melancholicus. E se você, como nós, também tem lá essa amargura que não tem fim (enquanto felicidade sim), não fique triste. Você pode ser um gênio!  
Melancholy (E. Munch)

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Enamorados

Marc Chagall


Todo mundo tá focado no dia 12 de junho, o dia dos namorados. Pouco se fala atualmente no dia posterior, 13 de junho, dia do santo casamenteiro. Dia de Santo Antonio. É obvio que a data que comemora os enamorados vende muito mais. Dia pra se gastar com seu amor. Shopping centers, restaurantes, floriculturas, joalherias e motéis estão prevendo seus lucros com os amores alheios. Quem pretende comemorar em grande e médio estilo, é melhor fazer reserva, senão, perigas pegar filas...

O Brasil rural festejava mais o dia de Santo Antonio. Correria danada atrás de bacia, de papel e agulha. À noite, antes de dormir, enchia a bacia com água e colocava pedacinhos de papel dobrado, escrito uma letra do alfabeto e uma agulha. Na manhã seguinte era ver para se surpreender. Qual o pedacinho de papel que a agulha apontava? A letra indicava a inicial do nome da “vítima” com quem haveria de casar. Ah, casar é tão bom!!!



E mais um monte de simpatias: escrever no caule da bananeira, esperar o amanhecer pra ver o nome do amado(a) orvalhado... e ai se as simpatias não funcionassem! Santo Antonio passava um ano de castigo. Dia de Santo Antonio era dia de mandar ver! Muita fé no amor e no casamento, além das fogueiras, foguetórios e fogo na “bacurinha”, tradicionais do mês de junho.

Namorado = Pseudopercis numida

Que tal comer um namorado?

Eleonora Antônia com 14 anos enamorou-se do boêmio Primo Antonio. Fugiram pra se casar, tiveram sete filhos um deles recebeu o nome de Antonio. Depois de um monte de anos e muitos netos veio mais um neto Antonio. O casal Antonio(a) era antônimo em tudo na vida. E separaram seus corpos. Nunca suas vidas. Mas nunca mais se permitiram ficar juntos num mesmo ambiente, nunca mais permitiram ser fotografados juntos. Nunca mais...  13 de junho, dia de Santo Antonio, vó Tonha vai fazer 99 anos. Seus olhinhos, cor de doce de figo, estão sempre fechados. Seu corpo tá ficando tão pequenino. Grande, dura e pesada foi sua vida, por isso ela sorriu muito pouco...  

Vó Tonha

Dica musical: My funny Valentine, com Chet Baker
Namorados

O rapaz chegou-se para junto da moça e disse:
- Antônia, ainda não me acostumei com o seu corpo, com sua cara.
A moça olhou de lado e esperou.
- Você não sabe quando a gente é criança e de repente vê uma lagarta listrada?
A moça se lembrava:
-A gente fica olhando...
A meninice brincou de novo nos olhos dela.
O rapaz prosseguiu com muita doçura:
- Antônia, você parece uma lagarta listrada.
A moça arregalou os olhos, fez exclamações.
O rapaz concluiu:
- Antônia, você é engraçada! Você parece louca.
(Manoel Bandeira)

domingo, 10 de junho de 2012

Oh, céus!


Monte Olimpo, morada dos deuses 
Pode ter certeza, camarada. A maioria das pessoas prefere o céu. E quer ir pra lá quando partir deste mundo. É, mas ninguém chega ao céu de paraquedas. “O céu é superestimado. Não há nada lá”, diz um personagem do filme “Tio Boonmee, que pode recordar suas vidas passadas”, do diretor tailandês Apichatpong Weerasethakul. Exigimos respeito para com o filme, vencedor da Palma de Ouro em Cannes 2010, porém, muita gente há de preferir que haja céu. Pra que? Talvez pra encontrar com papai do céu.

O céu mandou alguém (Os Johns Wayne e Ford)

O céu pode esperar
E depois, costuma-se raciocinar que quem não vai pro céu, vai direto pro inferno. Ou passa antes uma temporada no purgatório, que não é nem lá nem cá.  “Céu pedrento... ou chuva ou vento.” Dizia tio Nuno, ou comandante Martins, que se aposentou como piloto de aviões de carreira e que deve estar lá no céu. Tinha intimidade com os ares e gostava de céu de brigadeiro. O que me desperta atenção para com esse espaço sideral, cor azul infinito, é também um dos seus sinônimos. Palavra linda: firmamento. É tão bela que tenho medo de escrevê-la e parecer pedante. Bobagem!


Nova Olímpia é um pequeno município de Mato Grosso. Nada a ver com o Olimpo, onde estão os deuses. Uma vez alguém disse que antigamente ser religioso era mais cômodo. Havia vários deuses e, em determinadas situações, eles apareciam e interagiam com os simples mortais. Hoje, temos um só deus e ele nunca aparece. Por que será?

“Sapo querendo entrar na festa, viola pesada pra voar”. Verso da música Boto, de Tom Jobim, outro que já está lá em cima, descobrindo trilhas e mais trilhas para musicar o lugar celestial. Essa letra faz menção a uma história antiga sobre uma Festa no Céu, para a qual, só seriam convidadas as criaturas aladas, mas o sapo entrou numas e foi na carona do urubu, escondido, ensapado, dentro da viola da ave de rapina. Que foi, foi, numa boa. Teve problemas na volta, mas aí é outro papo.

O céu de Sueli

O céu que nos protege

Reza a lenda que São Pedro é o porteiro do céu. Manoel Bandeira imaginou Irene preta e boa, sempre de bom humor, pedindo a São Pedro licença pra se adentrar e o santo da portaria diz que ela nem precisa pedir licença. É a poesia em seu estado coloquial superlativo, que nos deixa nas nuvens.
Da remota infância vem o jogo da amarelinha (não o livro do Cortázar). A gente sai pulando às vezes em uma perna só, noutras em duas e vai passando por etapas até chegar ao céu.


Ensinamento paterno que tem serventia e cabe agorinha mesmo, aqui: quer morar mais perto do céu, compre uma escada gigante. Ceu, sem acento, é Casa do Estudante Universitário. Em nossas bocas existem os palatos duro e mole. Sabe onde eles ficam? Ora... no céu da boca. O céu é o pé direito mais alto que existe no universo. Qualquer arranha céu e fichinha perto da dimensão o céu. O céu é o limite. Frase que soa que nem o horizonte vai até aonde a vista alcança. Estrelas cadentes e objetos não identificados se movimentam lá em cima.  Minha paixão há de brilhar na noite, no céu de uma cidade do interior.

Música de Céu

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Destarte

O que é o que é...  Tem a ver com a estética, com a emoção, com o prazer e vai que vai por aí afora. Arte é a imitação da vida. Este é um conceito pra lá de antigo. Quer uma definição mais moderna? Tudo bem: arte é a ciência do belo. E agora vamos dar uma radicalizada: “doravante, tudo que eu disser que é arte, será arte”. Audacioso, Marcel Duchamp soltou essa no início do século XX. Depois dele, muita água passou por debaixo da ponte. Parece que Duchamp deu apenas um pontapé inicial nessa conversação que, cá pra nós, bem que poderia seguir rumo ao infinito.

“Exit through the Gift Shop” (2010) é um documentário bacana que tasca pimenta nesse bate boca, que tem a direção atribuída ao artista de gráfico britânico, Banksy. Dizemos atribuído ao cara porque, segundo consta, ninguém sabe quem é o tal sujeito. Suas intervenções (arte) surgiram em Londres e debandaram para Los Angeles, sempre em espaços urbanos, provocando a ira dos responsáveis pela administração das cidades. Mas, dizer que Banksy é um grafiteiro, sinceramente, é muito reducionista.

É curioso como o tal documentário, mesmo sem uma confirmação absoluta sobre sua autoria, foi indicado ao Oscar de melhor documentário em 2010. O filme foi candidato forte e o circo foi armado, já que a organização do evento proibiu o artista de entrar disfarçado. E Banksy, que nunca mostrou seu rosto em público, não foi. Será? Não ganhou a estatueta. Ninguém garante que não teria ganhado o Oscar, caso se tornasse identificável. Certamente, preferiu não se vender ao glamour, ao dinheiro e a fama, retornos quase garantidos aos “oscarizados”.

Não levou o Oscar e foi parar nos Simpsons 

Anonimato é importante, afinal, para um artista que realiza essas intervenções urbanas que chamam a atenção de todos que andam pelas ruas, independente do nível social ou intelectual. Mistério faz parte desse show. E essas incertezas relativas a respeito da autoria do documentário e da veracidade dos fatos que ele apresenta espicaçam a curiosidade de toda gente.


Intervenção entre Israel da Palestina

Um imigrante francês viciado em captar imagens de artistas de rua, Thierry Guetta, radicado em Los Angeles, é o personagem central do filme. Banksy também aparece em trechos de entrevistas, mas em contraluz, com voz distorcida e vestindo um casaco com capuz. Dizem que não é ele. Vai saber. Mas, Thierry é um sujeito simplório que vai levando, vai levando, e torna-se o principal interlocutor da narrativa. De tanto filmar os artistas de rua, se entrosa com eles e alguns participam do documentário. De um videomaker independente, eis que ascende para a posição de artista notável, realizando uma exposição disputadíssima em Los Angeles.

Guetta, comemorando o prêmio no Spirit Awards
Claro que a essa altura dos acontecimentos, não é mais Thierry... Ele torna-se Mister Brainwash, um artista (ou picareta que virou artista), cuja (re)produção alcança preços exorbitantes. Brainwash, ou Thierry, como queiram, não está nem aí para o fato de que a sua criação não prima pela originalidade. Faz e acontece. À sombra de Banksy, de Wharol, de Basquiat? Meu Deus do céu... será que estamos com inveja do cara?

Isso é Banksy!!!!!!

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Dá um F5!


Um F5 na vida...
“Cadê o enter?”. Pergunta um garoto de nove anos ao se deparar com uma máquina de datilografar pela primeira vez na vida. Explicaram que ele estava diante de um protótipo jurássico de um computador. O garoto, com essa histórica informação sobre o passado da era da pré-digitalização, deu um F5 em sua vida. Sim, porque para atualizar, evocar os tempos pretéritos também faz parte.

Conheço um casal de octogenários que está em plena forma. Trabalham bastante e curtem a vida. Porém, há dois ou três anos, a mulher sentiu que faltava algo em sua vida. Começou a aprender informática e hoje se vira sozinha com as lides internáuticas. Quer dizer, sabe o basicão, mas volta e meia precisa de um suporte técnico. Igualzinho eu mesmo. E não demorou, o marido foi pelo mesmo caminho. Como gosta muito de canto lírico, desconfio que esteja viajando pelos caminhos do youtube. Daqui a pouco poderão vir a ser um casal de hackers da terceira idade.

Essa dupla dinâmica também se autoaplicou com o tal F5. Diferente do garotinho citado lá no primeiro parágrafo, o casal buscou algo em direção ao futuro, e não ao passado, como muitas pessoas idosas costumam fazer.  De uma forma ou de outra, atualizar-se é bom. E às vezes extremamente necessário. Hoje, com a tranqueira digital que nos persegue, fica muito mais fácil. Uma das coisas que me enchia o saco nessa história de passagem de ano era ter que atualizar minha agenda. Isso nos tempos da agenda física, o caderninho. Jornalista precisa de fontes e de círculo grande de amizades. E toda a virada de ano era aquela montoeira de nomes pra passar pra agenda nova.

Companheira de muitas noites adentro

Ainda não consegui abrir mão totalmente da agenda velha, que às vezes levo pra algum lugar, sempre caindo aos pedaços. Seria algum apego sentimental? Seriam os últimos gritos e sussurros de um sujeito ex-analógico?  Não sei, não sei, não sei... Tenho até ímpetos, agorinha mesmo, de largar este texto da hora, pegar a agenda velha brancaleônica e dar-lhe um sumiço. Mas, penso... Pra que toda essa coisa teatral e impetuosa. Não sou assim. Jogar fora a agenda velha, isso sim, é algo que deve encabeçar a lista das coisas que a gente pode deixar pra fazer amanhã.



Taí, vejam vocês como são as coisas aqui no Tyrannus. A intenção inicial era escrever sobre F5, aquela tecla importante do seu teclado, que atualiza as páginas da internet. Aí, quando a conversa já começa se encaminhar para o final, eis que surge um tema que teria sido bem mais de acordo com o inconfundível estilo, um verdadeiro achado, daqueles que é difícil de acontecer quando nos sentamos diante do PC com a divertida função de escrever um post. Tarde demais, perdi um tempão escrevendo estas bobagens sobre esse tal de F5... O que eu queria mesmo era ter desenvolvido algumas palavras sobre uma possível relação de coisas que a gente pode deixar pra fazer no dia seguinte.  

Vai ficar pra amanhã!
  

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Recoisificar


O Coisa
Palavrinhas de grande valia são “coisa e negócio”. Ambas têm origem no latim: causa e negotiu. São substantivos: a primeira é feminina (a coisa) e a segunda, masculina (o negócio). Elas são tão usadas, que vão do substantivo para adjetivo, até a forma verbal, na maior! Quem as usa com propriedade consegue dizer uma frase inteira, basicamente, com uma delas e suas permissivas variantes: “vou coisar uma coisa” ou “vou negociar um negócio”. E a quem é dirigida essa frase, pode crer que entende a mensagem todinha. Que coisa!

-Benzinho, vem cá. Vou mostrar um negócio!
-É mesmo, cadê? Credo, que coisa é essa?
-Ué, vai dizer que nunca viu uma coisa desta?
- Ver, bem que já vi, mas assim... coisada, não!  




A amplidão dos sentidos da palavra coisa é tão grande, que pode-se dizer tranquilamente que é impossível pra qualquer um passar um dia inteiro sem se utilizar da “coisa”. Coisa palavra, pelo menos.  E não é pra menos. Coisa, segundo o Dicionário Michaeles, tem 15 significados: 1) aquilo que existe ou pode existir; 2) aquilo em que se pensa; 3) acontecimento, caso, circunstância, condição, estado, fato, negócio; 4) fato, realidade; 5) conjunto do que existe; 6) assunto, matéria ou objeto de que se trata; 7) essência, substância, fundo; 8) negócios,  relações; 9) ato, empreendimento; 10) negócio; 11) causa, motivo; 12) mistério; 13) ‘gramática’, termo por oposição a pessoa (ah, bom); 14) ‘direito’, tudo aquilo que, com existência corpórea ou concebível pela inteligência, pode ser utilizado pelo homem e constituir objeto de direito; 15) órgãos sexuais.

"Coisa, coisa cristalina, mata meu desejo, mata minha sede"

Já “negócio”, outra palavra que era pra estar com a corda toda aqui hoje. Perdeu de capote pra “coisa”. Olha, “negócio”, não é lá essas coisas. Pra começar, tem menos significados: 1) comércio, tráfico, transação comercial, 2) contrato, ajuste, 3) qualquer casa comercial, 4) empresa, 5) questão pendente, 6) coisa, objeto, 7) qualquer coisa cujo nome não ocorre no momento.

"Não quero mais esse negócio de você longe de mim"
Não sabemos dizer se a coisa e o negócio são palavras homonímicas ou polissêmicas, com exatidão. Aceitamos contribuições nesse negócio de coisa, ou vice versa.

"Mexe qualquer coisa dentro doida"

"Coisas que a gente se esquece de dizer"
Dizemos tantas coisas numa simples conversa que passa a impressão que não sabemos absolutamente nada do que estamos falando. Nem sempre é mentira. Geralmente sabemos a essência e nada dos pormenores e detalhes da informação. E quando é verdade que nada sabemos, dá pra engambelar a torcida fazendo-se de entendido. “É uma coisa”, os dados foram lançados. É nossa opinião incontestável. E quando há controvérsias, equalizamos a contenda, solenemente: “Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”.


Quem escreveu essa coisa, pode me dizer? – Claro, que não! É aí que tá a alma do nosso negócio!

terça-feira, 5 de junho de 2012

Posição irregular

“Coisa que não acaba no mundo é gente besta e pau seco”. Manoel de Barros disse tudo nesta frase. A babaquice da semana, que mal começou, já se define: o vídeo que o Flamengo divulgou  sobre a noitada do Ronaldinho Gaúcho, quando deveria estar concentrado. O fato aconteceu em janeiro, gerou a maior polêmica, ainda tem seus desdobramentos.

Nossa equipe de advogados associados, que nos assessora e presta consultoria para assuntos jurídicos, deu garantias para comentar o fato livremente. Corremos atrás e conseguimos imagens de Ronaldinho, antes de penetrar no quarto da misteriosa mulher. E utilizando de estratégias combinadas que são comuns no jornalismo investigativo de alto nível, conseguimos o contato da mulher em questão, assim como do homem, que estava como porteiro do hotel em Londrina, na noite que o Flamengo ali concentrou-se.

Ronaldinho: toc,toc

O ex-porteiro, atualmente é frentista num posto de gasolina em Pato Branco (PR), não quis falar sobre o assunto. Insistimos muito e ao ver o bererê que oferecemos, concordou em fazer um único comentário que, sinceramente, em nada colaborou com a reportagem. “Uma das maiores baixarias que já presenciei na minha vida”, disse, referindo-se à discussão entre Luxemburgo e Ronaldinho, quando o jogador foi pego em flagrante pelo técnico num andar suspeito. O paranaense explicou que só aceitou a grana que oferecemos, porque tinha três piás pra criar.

Como assim???? Não tô entendendo!!!

Já a mulher envolvida, foi reticente..., nada disse. Conseguimos chegar até seu círculo de amizade e soubemos, através de uma de suas amigas, que também fez uma bate bolas com o R10, que a outra reclamou muito do jogador, dizendo que ele passou a noite escutando e dançando pagode e funk, quando muito, axé. E que ela até tentou, mas, quando olhava o jogador nos olhos, cobrando uma postura mais agressiva na marcação, ele olhava para um lado e tocava para o outro.


A amiga da amiga da amiga, que já recebeu uma entrada por trás desleal de R 10, também reclamou do comportamento do atleta. Disse que Ronaldinho é mesmo insistente nessa trilha sonora de gosto duvidoso, e que ele a incomodou muito ao ser flagrado sucessivas vezes em posição irregular, na banheira.

Aí eu falei pra manicure: Olha bem, esse aqui tem unha!!!!

Resumindo, achamos que o Flamengo vai ficar devendo o jogador ad infinitum. E que o craque vai ficar devendo à torcida do Flamengo na mesma proporção. Agora, se ele agora vai ou não cantar de galo, só o tempo dirá. O assunto, temos certeza, ainda vai dar o que falar. E quando o papo mistura futebol com sexo, as canalhices acabam vindo à tona. Daí, que a pessoa mais categorizada para destrinchar a complexa trama, só pode ser o João Canalha, apresentador do programa Bate Bola da ESPN.   

João Canalha, comandando o esporte na ESPN