Mostrando postagens com marcador Caetano Veloso. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Caetano Veloso. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Pitchibeque

Bonequinha de luxo ou Breakfast at Tiffany's

“Acho que terei que chamar alguém para consertar minhas joias”. Que frase estranha; ri da situação, que foi corrigida imediatamente. Tenho certeza de que não foi pela minha cara abobalhada, mas por constatar que não há em casa nenhuma joia de valor. “É, na verdade um hippie vinha a calhar...” Soou mais de acordo.

Pra não perder o embalo fiz um pequeno discurso sobre joias de valor. “Cê quer saber... não gosto mesmo de joias”. Prossegui a conversa. Mas pensei e pensei melhor para admitir pelo menos uma exceção. Um colar ou um brinco de pérolas. Beleza, sofisticação e simplicidade reunidas.


Contrapondo veio o argumento de que o que vale é a beleza. Tanto faz, seja uma peça cravejada de brilhantes ou uma peça étnica, de artesãos. O que encanta é a beleza. Tratando de mulheres em relação a joias, asseguro-lhes: não são confiáveis. “Os diamantes são os melhores amigos das mulheres”, assim disse MM.

Os homens preferem as loiras, but  diamonds are a girl's friend
Em relação ao colar ou brinco de pérolas, a única exceção... veio o fatídico discurso ambientalista: Você não dá a mínima para o sofrimento da ostra? Eu abobalhado, outra vez. Nem sabia que atualmente as pérolas são produzidas em fazendas, em escala industrial!!!!! Para produzir uma pérola, veio a explicação... há uma provocação. Um corpo estranho é introduzido no corpo da ostra que lhe causa uma pequena inflamação. A reação para combater este mal é cobri-lo com sucessivas camadas de madrepérolas. 

Moça com brinco de pérolas, com Scarlett Johanson
 (Johannes Vermeer)

Classuda a Coco Chanel
Joia, já foi gíria em tempos passados. E o nome de um long play (LP) de Caetano Veloso.  Joias, joias raras... eterna procura no reino literário.

A contracapa censurada de Joia

A verdadeira joia de Caetano Veloso
Joias são caras e têm multidões de admiradores. Algumas têm valores astronômicos e, reconheçamos, de acordo com a criatividade do design, são verdadeiras obras de arte. Joias têm glamour. Ostentam, embelezam, ornam... Se usadas com bom gosto, arrasam ao contextualizar um figurino e/ou uma maquiagem ou penteado.

The perfect Pink: o diamante cor rosa 
O que me invoca é que a joia de hoje, não tem mais acento. Ainda vivo o conflito com a última reforma ortográfica da língua portuguesa. Não que na minha intimidade as joias estejam presentes em seu sentido verdadeiro. Fim de papo. E pra fechar a conversa de hoje com chave de ouro, ouro de tolo, só mais uma palavrinha: Pechisbeque!   

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Vai entender...

A palavra do Rosa
Pegar um poema e esmiuçá-lo sob a luz científica dos conhecimentos em torno da literatura. Longe de atrever nos a fazer algo assim. Não faz parte de nossas lides. Mas quando há oportunidade de assistir uma exposição desse tipo, topamos. Um leitor voraz precisa dessas vivências. Na pior das hipóteses, isso vai incrementar seu poder seletivo e desenvolver a capacidade interpretativa.

O ensaio do coral SesCanta hoje não foi para cantar... foi para debulhar uma poesia do Caetano musicada por Milton, inspirada em conto de Guimarães Rosa: A Terceira Margem do Rio. Nosso companheiro de coro, Robertinho Boaventura, tenor dedicado e cantor do Chorinho, além de doutor professor da UFMT, foi o responsável pela façanha. A música está em nosso novo repertório e tá dando trabalho pras quase quarenta vozes que somos se encaixarem. Letra porreta, uma dessas boas viagens do Caetano. Disse uma das boas, porque respeito quem não gosta desse baiano, meu ídolo de várias décadas.

Bem aventurados os eleitos
 Não seria muito delicado reportar a fala do Robertinho ipsis literis. Nada a ver com o espírito da coisa que é este blog. Estender a conversa sobre literatura mais um pouco e de vez em quando esquecer que a proposta era essa e retornar a algumas informações que o tenor doutor levantou. Porque aqui é assim. A gente esquece. Há dúvidas e teorias a respeito de porque um poeta, romancista, escritor, ou sei lá o que; escreve. O hábito de escrever, até poucos anos, era associado às inquietações que os artífices das letras sofrem. Mas faz tempo que não ouço ninguém mais dizer isso. Parece que é démodé.

Cena de "A terceira margem" (Nelson P. dos Santos)

Talvez não interesse mais a motivação que leva o escritor a escrever. Ou os jornalistas se tocaram e não fazem mais aquela perguntinha cretina: Como é o seu processo criativo? Essa resposta que muitos leitores querem saber nunca deve ser feita assim, na lata. É preciso ir cercando o artista com outras perguntas e depois sapecar essa. Se não o cara vai mesmo torcer o nariz.


Bituca e Cae

Escrever nestes tempos em que o audiovisual predomina cheira a problema. Meio na contramão. Mas que tem muita gente escrevendo, isso tem. E se tem gente que escreve, tem gente que lê. Como a literatura entra pela cabeça nas pessoas e os efeitos que ela causa são outros quinhentos. Outros mistérios. Às vezes fico sabendo que interpretações engraçadas e absurdas para passagens de livros e filmes. Que nó as artes dão nas cabeças dos outros.


"A arte é a ciência do belo" (Paul Valéry)
 Entender tudo, saber as razões disso e daquilo que alguém escreveu, o que o artista quis dizer etc... Não me amarro muito nisso. Essa questão é secundária na minha cachola. Gosto mesmo é da estética que o criador imprime em suas palavras, suas imagens, pinceladas, notas musicais, movimentos o escambau. Não se trata do tal do diletantismo, porque esse subterfúgio não é tão difícil de se perceber numa obra de arte. Como diria o grande João Sebastião da Costa: “Porque existem os artistas, mas têm também os mandioqueiros”... Vai saber o que ele quis dizer com mandioqueiros.

Então é isso. Aqui em casa sofremos desse consumismo atroz em relação às artes. Essas coisas humanas que são inventadas para mexer conosco, emocionar. Para nos fazer balançar diante das vicissitudes, porque se assim não fosse, a vida seria demais de sem graça.



Stop
A vida parou
Ou foi o automóvel?

(Drummond)