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segunda-feira, 7 de maio de 2012

Sei lá Mangueira

A casa verde e rosa de Cartola e D. Zica
Cuiabá, terra de luz e de sol forte. De cores várias que estão em frutas como o caju, a banana e a manga. Ah... a  manga que remete às sombras indevassáveis e necessárias neste lugar tão quente. Uma cidade com tantas mangueiras e uma tradição secular, bem que merecia ser lembrada e projetada mundialmente. Mas... não sei se toda a beleza de que lhes falo, sai tão somente do meu coração.

De repente, um boato vira notícia. A Estação Primeira, a Mangueira, escola de samba arrebatadora, acerta com a prefeitura de Cuiabá. A capital de Mato Grosso será o enredo da escola no carnaval carioca de 2013. Visto assim do alto, mais parece um céu no chão. Parece perfeito. No ano que antecede a Copa de 2014, quando Cuiabá será uma das sedes do mega evento, a cidade é homenageada num dos maiores espetáculos do mundo, transmitido pra 170 países.

Ivo Meirellies, presidente da Mangueira

O portelense autor de Sei lá, Mangueira

Um marketing planejado, estratégia ideal para catapultar Cuiabá. Quem sabe a população cuiabana até esquece que a cidade é uma das mais violentas do Brasil e que também figura entre as que mais apresentam problemas administrativos e estruturais. Esses problemas, têm vezes, os olhos não conseguem perceber, as mãos não ousam tocar e os pés recusam pisar.


Onze e quinze da manhã na segundona braba. Estou na Avenida das Torres, artéria crucial cuiabana e reparo que a beleza do lugar, pra se entender, tem que se achar que a vida não é só isso que se vê. É um pouco mais. O sol tá de rachar e pego carona na sombra do puxadinho de uma quitanda bem simples.  “Eu fiz esse telhadinho mesmo é pra isso. Bem aqui do lado tem um ponto de ônibus sem cobertura e tinha gente que ficava esperando duas horas no sol, até chegar o ônibus”. E começa a descer a lenha na má administração da cidade, coisa que não é de hoje. Com razão. Claro que minha língua começa a coçar.


Os pés recusam pisar?

“Aqueles ônibus com ar condicionado que tinha, tiraram tudo”, prossegue ele. E diz que essa história de transporte coletivo em Cuiabá é tudo esquema de políticos e poderosos. Ele abandona a conversa e vai atender a freguesia. Ainda não sabia eu naquela hora do dia da confirmação de que Cuiabá enredaria a  Mangueira. Se soubesse, lógico que teria pedido a opinião do quitandeiro. E teríamos conversa pra mais de metro.

Esgoto Rio Cuiabá

E o papo seria quilométrico se entrássemos nas alas da saúde pública, da segurança, da educação, do saneamento, do meio ambiente etc. Mas, pois é. São 3,6 milhões de reais que os poderes públicos (1,6 mi) e a iniciativa privada (2 mi) terão que desembolsar pra bancar o desfile da verde e rosa. O resto do orçamento, que não sabemos de quanto se trata, a Escola providencia. E o que nos toca é tentar adivinhar como Cuiabá, cantada na Sapucaí, vai repercutir junto ao povo mais sofrido cuiabano... num jeito novo da gente viver, de pensar, de sonhar, de sofrer.


Jejé, destaque absoluto
Sei lá, não sei. Sei lá, não sei não. A Mangueira é tão grande, que nem cabe explicação.  

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Cartola, Tom Zé e Lobão


Rainer Maria Rilke falou e disse
“Música, o hálito das estátuas”. A frase é de Rainer Maria Rilke, natural de Praga, capital da República Checa, acusado de ser um dos mais importantes poetas de língua alemã do século XX. A música é uma arte extremamente sensorial. Todos os dias são de música. É difícil imaginar a possibilidade de qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo, passar um dia inteiro sem uma lasquinha de música, que seja.
Ao percorrer as ruas cuiabanas reparamos que muitos jovens, sob o causticante sol, transitam pelas mesmas ruas, levando a tiracolo instrumentos musicais. Gostamos de ver isso. Dizem que a arte é alimento para o espírito. Seria a música uma sofisticada sobremesa?
Onze de outubro, segundo um tal de Senhor G, registra o nascimento de personagens da música brasileira: Cartola (1908), Tom Zé (1936) e Lobão (1957). Seria possível, ou ideal, que uma mesma pessoa apreciasse os sons que emanam desses três artistas? Eu diria facilmente que sim, com base no fato de que João Gilberto, um músico que não se rende a uma intensa abrangência musical, já gravou Lobão. Bom, se gravou Lobão, acreditamos que poderia (ou será que já rolou?) muito bem gravar Cartola e o Tom Zé.
Elegância

Irreverência

Replicante
 Fazer um paralelo entre estes três artistas é uma tarefa nada fácil. Cheguei a pedir ajuda para um jovem que curte muita música e conhece sons de muitos artistas, apesar de ter apenas vinte anos. Indaguei-lhe qual dos três agradaria mais a sua geração. Ele sugeriu o Cartola, embora reconheça que não saberia avaliar com muita certeza. Estou quase concluindo que o elo mais significativo entre eles é mesmo a data natalícia.
Um encontro desses três, supondo que Cartola ainda estivesse vivo... Como seria possível conversar numa roda de três, onde dois são faladores ferozes e compulsivos?  Coitado do Cartola. Ainda bem que como ele as rosas não falam e tampouco precisam.

Fico com a impressão de que ao se analisar o conjunto da obra de cada um desses três, Cartola, parece que tem mais o que falar ou mais nos agrada.



Mas os artistas da música são assim mesmo. Uns mais midiáticos e faladores, enquanto outros são mais produtivos, musicalmente falando. São dois cariocas, um do morro, o outro do asfalto; e mais um baiano arretado. Um trio significativo da pluralidade dos sons que brotam deste país.
David Byrne: redescobriu Tom Zé 
Hoje a lua tá ofuscada pelas nuvens. A partir das 23hs05 minutos estaremos sob a influência da lua cheia, alcançando a culminância que iniciou com a lua nova. Esse fato, particularmente hoje, reflete em nosso temperamento... deixando-nos menos inspirados, menos oníricos, que coisa... Então é isso, os artistas brasileiros que nasceram nesta data e o que encerrou seu show, mais cedo: Renato Russo, cantor/compositor, musicista dos bons.


Resta-nos a esperança de que o onze de outubro, para os cuiabanos mais ecléticos,  seja marcado com alegrias e inovações. Hoje à noite rola, no Garage, o show de lançamento, em Cuiabá, do novo CD da banda papa-peixe, Vanguart: “Uma Parte de Mim Vai Embora”. Bora lá, ô meu!