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sexta-feira, 4 de maio de 2012

Até o pescoço

Ele une a cabeça ao tronco e é um dos nossos pontos mais vulneráveis. Uma vez seccionado, esvai-se a vida. Por outro lado é um "hotspot” quando se trata de sensibilidade. Um leve toque, um beijinho ou um arfar de respiração pode levar a loucura. É uma zona erógena, com ligação direta aos estímulos sexuais e, quando bem tratada ... segura peão!!!!!

Não é a toa que os vampiros buscam pescoços alvos e macios para ali sugar a  fonte da vida eterna e o prazer dos amantes, inserindo incisivamente seus pontudos caninos na caudalosa jugular. 

Juras de amor eterno...

Separa que é briga!

No Brasil é chamado de cangote; em inglês é neck; em espanhol cuello; em alemão é hals e em francês, o pescoço é cou. Graças a Deus tem essa letra ‘o’ separando o ‘c’ do ‘u’ e pudemos escrever este texto inteirinho sem nenhum pescoção... ops, palavrão.




Partes do corpo já desfilaram por aqui. Algumas. Agora a culpa é de Amadeo Modigliani, um dos grandes mestres da história universal das artes plásticas. Seus quadros, desenhos, esculturas e anotações, pela primeira vez chegaram à América do Sul. “Modigliani – imagens de uma vida” foi visitada por mais de 50 mil pessoas no Rio, e neste domingo segue pra São Paulo. Deve bombar.

Modigliani, Picasso e Andre Salmon



Além dos languidos corpos nus sensualmente deitados, dos retratos destacando longos pescoços despidos e dos olhos desproporcionalmente pequenos e frios, o que Modigliani queria? Ele pintava em traços firmes e delicados corpos nus desejando, verdadeiramente, revelar suas almas, a tristeza e a melancolia existente nos seres humanos. Notadamente, as mulheres que ele eternizou.  



Dizem que apesar dos avanços e milagres da medicina e da indústria cosmética nada consegue mascarar o envelhecimento do pescoço. Não há como disfarçar os estragos do tempo. Claro que num lugar que faz frio o ano inteiro, adereços como um cachecol, um xale, uma camisa de gola role (ou olímpica) funcionam. 

Agora, aqui no Brasil e numa cidade quente como Cuiabá, não tem essa.  Voa tuiuiú, estica seu pescoço, pra espiar em Mato Grosso, que beleza é Cuiabá. Enrosca o meu pescoço dá um beijo no meu queixo e geme. É ferro na boneca, é no gogó. Não se trata de uma palavra linda, mas surge em várias letras de músicas.



Bisbilhoteiro, gente que gosta de olhar indiscretamente os outros ou coisas dos outros. Cabe-lhe “pescoço”, como adjetivo. Quem mandou ficar pescoçando o alheio. Quer saber como se livrar desses abelhudos??? Pescoção neles!!!


Hum???? (Os Pescoçudos de Caco Galhardo)

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Coisa bonita, coisa gostosa

A mulher, segundo Botero
À medida que o tempo passa, as medidas aumentam. O corpo vai ganhando “carnes” que se contornam em curvas voluptuosas entre saliências, fendas e reentrâncias. Até parece com coisa de geologia e geomorfologia, com escala temporal e espacial bem diferenciada. A causa dessa nova paisagem corporal é a gordura, que vai se depositando, preenchendo, formando protuberâncias e profundezas entre as dobras. Um novo shape que se molda.

O terror feminino com a forma é praticamente diário, depois da ditadura imposta pela estética Twigg, dos anos 60. Com a maioria dos homens parece ser diferente, definitivamente não se importam e, para piorar, usam e abusam de justificativas machistas para vangloriar dos seus volumes incorporados e mal distribuídos. Caem em si quando recomendado, claro, após intervenção médica.






A gordura é formada por três moléculas de ácidos graxos e uma de glicerol, dando origem ao famoso e assombroso “triglicerídeo”. Ela não é de toda má e tem lá sua importância no contexto da vida e da saúde humanas: é fonte de energia, isolante térmico (não há muita necessidade aqui em Cuiabá) e auxilia na síntese e funcionamento de algumas substâncias, entre elas, hormônios sexuais, dentro dos padrões.

A mulher, segundo Rubens
 A nova, talvez nem tão nova, epidemia mundial é a obesidade. A causa? Adoção de hábitos modernos. Cada vez menos andamos, trabalhamos e movimentamos fisicamente. A "vida moderna" facilita nossa locomoção (em termos!) e o acesso a alimentos. Tornou desnecessária belicosidade humana de lutar para conseguir a comida, formar e manter a família e o grupo social e assim por diante. A maior e incessante luta diária que enfrentamos é pela posse do controle remoto; quem o tem, detém o poder. O pior de tudo é que essa epidemia não tem fronteiras e se alastra nos núcleos mais pobres. Convenhamos, parece ser um paradoxo, não? Mas não é excesso de alimentação, é exagero e ingresso a produtos alimentares da pior qualidade.  Caso de saúde pública e de polícia!!!!!!
Twigg, ontem (Sec. XX)

Adele, hoje (Sec. XXI)
 Voltemos às volúpias. Tá na cara a felicidade nas pessoas mais fofinhas. Não é por possuir mais que há menos sensualidade. Olhem os homens e mulheres de Botero. Elas exalam erotismo. Compare com a secura das musas de Modigliani. Por falar em comparar... rolou nas redes um face a face entre duas ícones da saúde e/ou do bem viver? Nigella e Gillian MacKeith, ambas inglesas, 5.5. A morena é uma gourmet meio que descontrolada. A loira, lida com reeducação e impõe uma vida disciplinada, nos moldes em que viviam os cidadãos/soldados espartanos.

A mulher, segundo Modigliani

O pastelão (pastelão... hummm!!!) da dupla conhecida por todos nós é a síntese da conversa de hoje. A grande obra de Cervantes também nos remete a esses biotipos opostos. Mas tudo indica que vai faltar gente magra, pra tantas pessoas fofinhas que existem no mundo. Enquanto isso, o mundo também engorda em termos de população. É hora de parar... Parar... parar do que? Parar de escrever, claro. Tá na hora de fazer um lanchinho.   

Gillian McKeith X Nigella Lawson


Shiiii, só uma boquinha