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domingo, 6 de maio de 2012

A arte de Aline

O curso é “História da arte e linguagem contemporânea”, oferecido pelo Sesc Arsenal com Aline Figueiredo e está pra acontecer. É bom ficar atento porque deve ser concorrido. Não sabemos bem qual é essa edição. Sem dúvida umas  tantas... com a visão focada nas artes plásticas. E foram muitas, muitas pessoas que tiveram oportunidade de receber a avalanche de informações fundamentadas em seus estudos e na sua trajetória de vida. Uma missão que Aline cumpre: formar massa crítica. E o que Aline faz, faz muito bem feito.

Você mora em Cuiabá e nunca fez um curso com essa ativista cultural? Pode ter certeza de que anda comendo mosca. É uma oportunidade de ampliar seus horizontes em matéria de entender mais e melhor as artes. Quem tá ligado em cultura, certamente, já vivenciou esse tipo de experiência. Se você tem outros interesses como fazer concursos, prestar vestibular, viajar, melhorar sua performance nas conquistas, ascensão social e econômica ou parecer mais descolado; pode fazer que vai te ajudar na vida.
Jonas Barros, Aline e Flávia Salém: inauguração da Casa do Parque

A dupla do Tyrannus registra que acompanha os ensinamentos da “professora”, desde os tempos em que suas palestras/cursos se apoiavam num projetor de slides. Lá pelo final dos anos 70, Aline já compartilhava seus saberes aqui e nós aproveitamos.

“Eu quero que vocês façam meu curso de história da arte”, foi a cobrança instantânea nos dois últimos encontros ou esbarrões pelos corredores do Arsenal. Quase uma ordem. Porque é assim que Aline se comunica, sempre sem rodeios, na bucha. Ela é a principal fonte de Mato Grosso para os que querem reportar a cultura num patamar mais conceitual e elevado. A mulher entende pra valer do assunto e não sossega. Registrou em livros o movimento cultural do Centro Oeste, críticas, estudos... o último trabalho, em parceria com Humberto Espíndola, foi dechavar o acervo da UFMT. Ainda é convidada para júri de eventos nacionais e internacionais; curadora de exposições, continua buscando e incentivando os novos talentos, trabalhando com os artistas, contribuindo com a política pública (quando convidada)  e viajando para as grandes mostras de artes que acontecem no mundo. Quando se trata de artes plásticas, então... sai da frente.



“O que que você quer, Lorenzo. Já vai me pedir coisas...”. Essa é a resposta que recebo, sempre que vou em busca de informações (geralmente uso e abuso da preciosa fonte). Mas é muito careta, muito sem graça essa relação profissional com a escritora, curadora, crítica de arte, ativista cultural etc. Bom mesmo é encontrar com “Nhanha” nos eventos, bater um rango na casa dela, tomar umas e outras e jogar conversa fora. Entremear o papo cultural com piadas, lembranças, relembranças, lambanças, esperanças, desavenças e o que mais surgir nesses memoráveis encontros.
Na semana que vem ela bate ponto outra vez. Um curso em três módulos, sendo que o primeiro acontece neste mês (de 15 a 17, e de 29 a 31), das 19h às 21h30. Grátis, no Caldeirão de Imagens do Sesc Arsenal. Nesta parte inicial os ensinamentos vão abranger da Pré-História ao Realismo. Quer saber mais...?

Pintura rupestre em gruta de Alentejo


Olympia (Manet)


Após o jantar em Ornans (Courbet)

sábado, 30 de julho de 2011

Sábado em Cuiabá

Cuiabá, noite de sábado
Esse mundão tá cheio de músicos talentosos que a gente não conhece. São as gratas surpresas que sobressaltam nossos ouvidos e a nossa sensibilidade. Essa era a expectativa em relação ao “duo” formado por Oswaldo Amorim (violão e guitarra) e André Paulo Tavares (baixo e cia.), que conquistou algumas dezenas de pessoas no jardim do Sesc Arsenal. Uma sonoridade limpa e envolvente, de pegada jazzística.   O Tyrannus foi, assistiu e gostou. Caiu beleza em nosso sabadão.

Entrosadíssimos. Oswaldo e André são cariocas, mas não perguntei se torcem para um mesmo time. Estão radicados em Brasília, onde são professores de música. Ambos têm mestrado em Nova York. Tocam juntos lá se vão uns quinze anos. Com tanta coisa em comum, pode parecer estranho, mas para definir a performance da dupla, a palavra xifopagia serve. Quem ganha com isso é o público. Não é segredo pra ninguém que quando dois ou mais musicistas se unem, harmonia é palavra mágica.


Não morro e nunca morri de amores pelo jazz. Só posso dizer que gosto desse tipo de música, uma porta aberta para improvisos, e praia boa para instrumentistas virtuosos. Para eu gostar mais, ou menos, de uma apresentação de jazz, o repertório é fundamental. Gosto quando os músicos alternam o autoral com composições mais famosas, que o público costuma conhecer. Acho que isso vale para todos os gêneros e não só para o jazz.


Foi essa mistura de autoral com releituras o que rolou. Curti muito uma música (de um deles) inspirada em Baden Powell e também a que fechou a apresentação, arranjo criado para canção popularíssima do nordestino Alfredo Ricardo Nascimento, vulgo Zé do Norte, “Mulher Rendeira”. Não posso responder pelas pessoas das gerações mais novas, mas, quem tem quarenta, cinquenta ou mais, certamente, já entoou essa música pelo menos uma vez na vida. Também curti a versão deles para “Clube da Esquina nº 2”, de Milton e Lô Borges.

Alfredo Ricardo Nascimento = Zé do Norte

Os shows no jardim desse lugar, onde somos habituês, já vem com o certificado de garantia de um astral agradável. Apesar do caráter intimista do jazz, que costuma soar melhor em espaços fechados, houve grande empatia. “Maaanhêeee...”, gritou um pimpolho durante a apresentação, mas isso em nada atrapalhou. Chamou também a atenção uma videomaker mirim que ficou alguns minutos gravando o show com um aparelho celular. “Nós estamos tocando músicas complicadas, mas estamos tocando com o coração”, disse Oswaldo, num intervalo entre as músicas.  Sua fala, cheia de sinceridade, reportou direitinho a ocasião.


Oswaldo e André estavam em Cuiabá desde a terça passada, trabalhando num projeto de intercâmbio musical. Eles ministraram uma oficina gratuita de terça a sexta-feira, que contou com 12 músicos de Cuiabá. “Um baixista chamado Lael me impressionou muito. Um garoto de 12 anos, violonista, também mostrou que é muito bom”. Foi a resposta de André à minha pergunta sobre o que ele tinha achado da oficina.
Então é isso, moçada. Assim foi o nosso sabadão. Sei que teve um outro sabadão, este sertanejo, lá pras bandas da Chapada dos Guimarães, com o Daniel. Sobre esse eu nada vou dizer. Não vi, não sei, mas não tenho raiva de quem sabe, porque o preconceito é coisa muito feia. 



quinta-feira, 7 de julho de 2011

Luiz Ruffato


A tarde prometia no Sesc Arsenal

Mais uma noite de papo descontraído sobre literatura. Luiz Ruffato, escritor de mão cheia, tipo exportação, passou algumas horas em Cuiabá, a convite do Sesc Arsenal para o projeto Reticências que, a cada mês, traz um autor pra falar sobre sua obra e vida.

Conheci a literatura de Ruffato tem cinco ou seis anos e fiquei impressionado com o vigor do seu estilo e a consistência da narrativa. Ganhador de vários prêmios literários importantes como o Jabuti, o da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA) e o Casa de las Américas, entre outros, ouso dizer que é o ficcionista brasileiro contemporâneo que mais me agrada. Entrevistei-o na terça de manhã por telefone e falei-lhe de um seu ex-colega de universidade, que aportou aqui há tempos, o Jairo Pitolé. Ruffato, extremamente receptivo e bom de conversa, como todo mineiro, propiciou que marcássemos um chopinho no Sesc após a palestra. E rolou.

A conversação com o escritor contou com exatos nove espectadores. É uma pena, porque não é todo dia que a gente tem a chance de conhecer e papear com um sujeito dessa expressão, que está ali disposto a falar, falar e falar. Compartilhando suas experiências, que não são poucas, livremente. Os artistas costumam ser generosos quando pinta esse clima amistoso. Com poucas pessoas na plateia tudo mais fácil, mais intimista. O que era palestra virou um gostoso bate papo, sem formalidades. Da sala a conversa se estendeu para a choperia, agora mais confortável e regado a chopinho gelado e o tempero do pintado a palito.


Ele falou da sua origem humilde, filho de um pipoqueiro com uma lavadeira, e da infância que teve na pequena Cataguazes (MG). Disse que queria ser bancário, quando era bem pequeno, porque amava sua professora e o marido dela era bancário. Foi crescendo e trabalhando numa pá de coisas diferentes até que, meio sem saber por que, estudou comunicação. Foi parar no jornal O Estado de São Paulo, onde conquistou o invejável cargo de secretário de redação, mas a sina de ser escritor já o perseguia.


Retrato de Rufatto

Um belo dia, disse para os colegas jornalistas que iria abandonar a carreira promissora para se tornar escritor profissional. Todos o apoiaram, mas disseram que antes ele deveria consultar um psiquiatra. Ele bateu o pé, não optou pelo psiquiatra e apostou na vontade literária. Ainda bem, porque tem se tornado uma referência internacional da literatura brasileira, com alguns de seus livros traduzidos para o espanhol, inglês, italiano,alemão, francês, croata e algo mais que me fugiu da memória.    


Rita e Pitolé embaçados
 
Danilo e Eloisa idem

Desfrutamos da companhia de Rufatto e de Rita e Pitolé, Danilo e Eloisa, Cristina Maria Silva, Gisele (poeta e auditora fiscal). Saímos convictos que técnica, talento e disciplina são atributos, atitudes e qualidades necessárias para se tornar um bom profissional. O escritor não foge dessa trinca.

Ficamos tão absorvidos pela conversa literária que pecamos nas imagens. Faltou técnica, talento e disciplina.