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quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Poeira zero

Cuiabá em agosto (Foto: Olhar Direto)

Vento ventania ventarola vendaval ventilador ventana. Não adianta querer inventar, porque ventrecha e ventríloquo não entram na categoria super fashion para o mês de agosto. Ventoinha, quem sabe. A gente se lembra bem do ano passado nesta época, quando comentamos sobre os ventos de agosto. Agosto chegando ao fim e sentimos que tá pintando um clima. Aliás, um clima nada bom. Eita agosto... sempre difícil e custoso com seus trinta e um dias. Agosto, mês de cachorro e gente mais louca!

Este ano parece que tá pior. Na verdade, todos os anos achamos que é o pior que já vivemos, em matéria do mês oito. Mas há uma justificativa pra acharmos que 2012 tá osso duro. É que retornou algo que estava mais ameno: a fumaça e, no rastro dela, vieram os mosquitos, em nuvens. Queimou o mato... eles entram pra dentro das casas. Uma nova raquete matadora de pequenos insetos voadores cairia bem. E agosto, agravante: a fumaceira e a aridez está acrescida  neste momento de megaobras. Megaobras + poeira. Poeira zero, só nas placas da prefeitura.  


Pintou o clima: "Faça a coisa certa"

É assim mesmo. O clima está ruim no Brasil inteiro. Quer ver? O julgamento do mensalão, as eleições municipais, o VLT e as uberproprinas, as eminências pardas... as greves pipocando. Em Cuiabá os problemas corriqueiros deste mês chegam às vias de fato: o candidato meteu a mão na cara o líder do partido. Maior Muvuca. Muvuca... taí um candidato que fez jus ao nome.

Em SP um candidato a prefeito chama sua oponente, porque, segundo ele, ela atrai mais a mídia do que ele, de maconheira! Na América do Sul, nem se fala. O Paraguai, depois de expulso do Mercosul, mandou o Brasil e a Argentina procurarem energia em outras paragens. As relações comerciais vão se restringir apenas ao abastecimento dos camelódromos.


Bye, bye cueca cuela
E a Bolívia expulsa o Macdonalds e a coca cola do seu território. Os expulsos e despeitados alegaram que nunca conseguiram agradar o paladar boliviano. Talvez tenha faltado epadu na salada do fast food. O Equador ampara o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, em sua embaixada londrina, mas a contragosto da poderosa Inglaterra. Por falar neste país, o da famosa rainha, ela deve estar roxa de raiva. O terceiro mancebo sangue azul na sucessão do trono foi fotografado com o cesso ao vento... de agosto.



E o vento levou...

 Nos USA candidato a senador diz que estrupo não engravida... e os afroamericanos não gostaram de certos posicionamentos de Obama, dizendo que ele está incitando o racismo. Definitivamente, este mês é mesmo pauleira. Tá sobrando folha seca pra tudo quanto é lado. Faltam poucos dias pra setembro. Setembro é um mês bom? Sei lá... não me lembro.  


A volta do cachorro louco

domingo, 31 de julho de 2011

Ventos de agosto


Éolo, senhor dos ventos, com Vênus
Depois da meia noite deste domingo inicia o fatídico o mês de agosto. Agosto mês do desgosto, agosto mês do cachorro louco, agosto mês dos infortúnios, agosto mês dos ventos. Vai um pouco de superstição nessa conversa, mas há fundamentação científica.


É um mês porreta aqui prá nós da região central do país. É quando a escassez de chuvas começa a interferir diretamente sobre o meio ambiente e no bem estar e saúde da população. O ar com baixíssima umidade e o aumento considerável de partículas em suspensão (poeira e picumãs se escancaram) leva muita gente aos hospitais, principalmente crianças e idosos. É nessa época que as queimadas urbanas e rurais se intensificam. Em Mato Grosso esse problema se avoluma. Por aqui, em junho, foram registrados 787 focos de calor, segundo INPE. E neste mês piora. O estado segue firme com o título de campeão brasileiro de queimadas.
O vento de agosto é danado. Redemoinhos de poeira aqui e acolá são comuns, ainda mais quando a gente pega uma estrada onde a vegetação foi retirada. O vento de agosto é perigoso, ele é um baita dispersor de poeira e as viroses chegam com força. É preciso também ter cuidados com as pipas (papagaios, pandorgas e cafifas), tanto nas fiações elétricas, sem falar no cerol, nem pensar!!!. Parece besteira, mas não é. E tem marmanjo que vai nessa e até vende essa porcaria para a criançada. Pipa tem lugar certo pra se soltar. Soltar pipa pode ter outro significado... Cafifento!!!
Festival de Pipas na UFMT
A mudança drástica de temperatura é algo corriqueiro neste mês. Frentes frias entram do dia pra noite: dormimos nos 40 graus e acordamos com 17. Ninguém aguenta. Apesar desses destemperos de agosto, não é correto afirmar que nem tudo são flores neste mês. O cerrado torna-se garboso e colorido nestes tempos com seus ipês, cambarás, aricás etc... Um verdadeiro festival de cores.

Aricá, by Ruth Albernaz



Agosto é o mês que tem o seu nome inspirado num imperador romano que mandava e desmandava, quando Roma viveu seu apogeu: Cézar Augusto (63 a.C – 14 d.C.). E do imperador romano para os mosquitos. Eles se adentram em nossas casas com força total, e dizem que essa invasão está associada com as queimadas. Queimada é mesmo ruim, hein?!

Outra agonia deste período é o desperdício da água tratada. Francamente... lavar calçadas e ruas com o precioso líquido... “Pelo amor dos meus filhinhos”, conforme diria o locutor esportivo Sílvio Luiz. Tem tanta gente que não tem água tratada nem para beber!!! É um pecado esse hábito, que não sabemos se é ou não proibido, mas bem que poderia ser. Concordamos que é insuportável a secura, mas de nada adianta gastar litros de água lavando uma calçada, se daqui a pouco a secura e a poeira vão bater novamente. Claro, numa cidade onde se pode fritar um ovo no asfalto, você queria o quê?


Outro vacilo é juntar as folhas das árvores que caem em larga escala nestes tempos e botar fogo nela. Como piora a situação essa prática. Aqui no Tyrannus, nossa ex-secretária varria aquilo que chamamos de jardim (que não é suspenso e nem da Babilônia) pra tirar as folhas caídas. Orientamos a moça para que ela deixasse as folhas. Elas, as folhas, seguram a umidade no solo, impedindo que ele fique exposto diretamente ao sol e, como matéria orgânica, ainda contribuem bastante para o enriquecimento do solo. Olha só... aqui em casa a gente até acha bonito essa folharada seca no chão.    
As folhas do jardim da nossa casa...
Portanto, é isso aí. E vamos tomar fôlego pra aguentar o estio que costuma ser duradouro nesta hora. Reza a tradição cuiabana que mais tarde, talvez setembro ou quem sabe em outubro ou mais tardar novembro, vem a chuva do caju. Mas agora é agosto. Presta atenção!!!

Esperando a chuva do caju

"Vô tomá guaraná, tchupá cadju..." (Vera e Zuleiquinha)