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segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Esperando o trem

As bandeiras entrelaçadas de Cuiabá
e da Mangueira (Foto: V. del Cueto)

O Jamelão vai ser o condutor do trem da Mangueira, puxando o samba enredo que homenageia Cuiabá. Ué mas como pode? Ele não foi pro andar de cima? É um trem fantasma????? O que já teve de trem fantasma por essas bandas. De qualquer forma, saudades do vozeirão do Jamelão... Sorte dele de não ter sido escalado para conduzir o VLT. 

Vai ver que VLT nem tem condutor e nós aqui com abobrinha. Abobrinha recheada de besteirada. Porque o VLT tá que nem novela de televisão. Um pouquinho de drama, uma isquinha de romance, e aquele miserê de ação e comédia. E todo o resto, que totaliza mais de 80%, é pura encheção de linguiça. Enquanto tá nesse chove e não molha, a Mangueira vai entrar antes (ops!) puxando o trem.

O samba enredo escolhido “Meu samba é madeira, é jequitibá é poesia dedicada a Cuiabá” é de Igor leal, Jr. Fionda, Lequinho e Paulinho Carvalho.   O comentário é que a Estação Primeira vem fazer uma prévia de o que será o desfile aqui, em dezembro. Já vivemos bastante e testemunhamos muitas coisas mudarem, ficamos sem saber se essa tal prévia é uma micareta ou um avanço carnavalesco. E imaginando, como a coisa vai ser em dezembro, mês do Natal, quem é que vai usar fantasia de Papai Noel? 

Então todo mundo decorando a letra do samba enredo, que fala de Cuiabá como um paraíso no Centro da América do Sul. Sempre desconfiamos que frases que nominam enredos de escolas de samba e teses de mestrado, doutorado etc, são coisas meio emparentadas. São orações coordenadas ou subordinadas que também têm lá o seu teor de encheção de linguiça. De repente, o próprio mundo é uma gigantesca e descomunal linguiça que precisa ser preenchida... Por que se não, a vida fica muito vazia.



Oxalá tudo dê certo. O governo do Estado com muito dinheiro, no saco, pra pagar o décimo terceiro, porque já foram pro saco (o outro saco) promessas e mais promessas políticas. Andam dizendo que a situação financeira de MT também foi pro saco. Se brincar... perigas. Poder é pra quem pode. Quem pode, pode. Pode uma coisa dessas?

Quando ouvirmos “É a mangueira a todo vapor”... “Mangueira, o trem da emoção” rufando na avenida, esperamos que tudo esteja funcionando e que enquanto eles lá se divertem, pra nós não fique só aquela “esperando, esperando, esperando o trem” e vendo a mangueira entrar.  


domingo, 22 de julho de 2012

A última diligência



Dizem, e com razão, que em boca fechada não entra mosca. Que não se deve falar/comentar quando não se conhece do assunto. Somos atrevidos. Não estamos aguentando manter a boca fechada e vamos correr o risco de falar besteira.


A Estação Rodoviária de Cuiabá de antigamente, ali na Rua Miranda Reis, era muito ruim e com o tempo foi tornando-se um horror. Feia, suja, fedida e pequena para atender a demanda de passageiros que descobria o centro-oeste brasileiro. 


Rodoviária velha (Dalva de Barros)




Quando começou a ser planejada e construída a nova Estação Rodoviária, não nos lembramos se houve polêmica. Mas lembramos de um político (que por esse e outros motivos obviamente, não deixou nenhuma marca em nossas memórias) que esbravejou que o governo, na época, Garcia Neto, deveria estar louco de construir uma obra tão grande. Qual nada... nossa memória de queijo suíço nada mais registrou em termos de sua localização, eficiência e eficácia. Sabemos que eficiência consiste em fazer certo as coisas, e eficácia, em fazer as coisas certas. Está claro que a nova (e já velha) rodoviária ainda atende as necessidades atuais e futuras.


Constatamos hoje que, passadas algumas décadas, ela continua a prestar seus serviços de forma razoável. É ampla, bem situada e, diferentemente de muitos prédios públicos, tem comodidade e condições climáticas, apesar de alguns "puxadinhos" já realizados no local. Claro que a cidade cresceu e mudou. Foi estrangulada pela caótica mobilidade urbana generalizada da cidade que, registramos, já era uma porcaria muito antes das obras da Copa.    
Amigos e moradores campograndenses costumavam dizer que a rodoviária cuiabana foi, por muito tempo, um show, perto da deles. Agora, não sabemos mais. Campo Grande ganhou sua nova Estação Rodoviária.






O assunto de hoje não caiu do céu. Surgiu por conta da notícia que o Ministério Público Estadual vai pedir o bloqueio do VLT, que deve ser construído em Cuiabá devido ao certame futebolístico mundial. Engraçado, ou triste, é que já sabemos todos que o tal VLT (Veículo Longo sobre Trilhos) só chegará depois da Copa. O promotor público que pretende o bloqueio entende que o empréstimo de 1,2 bilhão de reais para a realização de uma obra de 7 km em Cuiabá está fora do orçamento do Estado. 


O Executivo de MT, tudo leva a crer, não dispõe de recursos para investir em educação, saúde e segurança pública, setores que persistem numa situação calamitosa há anos. E vem a pergunta: como é que o poder público, então, se predispõe a assumir uma dívida fenomenal para a realização dessa obra que, com seus sete quilômetros, é uma merreca para a mobilidade urbana de Cuiabá? E que merreca cara essa... 







Agorinha, na Rio+20, vimos que estão implantando o BRT (Bus Rapid Transit ou Trânsito Rápido de Ônibus), para os cariocas. Agradável surpresa e fácil constatação que é uma obra relativamente simples e que funciona. Curitiba implantou o sistema em 1979. Foi a primeira cidade do mundo a ter o seu BRT e depois vendeu a tecnologia para países como USA, Chile, China, Colômbia, Canadá e muitos outros.






No Brasil, além do Rio de Janeiro, Belém (PA), BH e São Paulo, entre outras cidades, já possuem o BRT, ou o implantarão. Brasília, cidade projetada e pós-moderna, terá o seu para a Copa 2014, atendendo uma média de 600 mil passageiros, com 35 km, uma obra estimada em 530 milhões de reais.


O que parece isso? Adivinha... Que tem algo de podre no reino da Dinamarca. Será que esse transporte caríssimo que passará só pelo centro da cidade vai se prestar para a população, especialmente as classes sociais menos afortunadas, a se locomover em direção às instituições públicas de ensino e de saúde? Fica um pressentimento, ou uma desconfiança, de que quem precisa e é usuário do péssimo transporte público cuiabano, vai perder o bonde. Será mesmo?





quinta-feira, 17 de maio de 2012

Desculpe o transtorno

A lenga-lenga que parecia não ter fim e indicava que talvez nada acontecesse, parece que acabou (será?). O esperado e malfadado caos, enfim, instalou-se! Sentimos pequenas manifestações do que seria a nossa vida com o transtorno anunciado. Aquele põe não põe ou aquele põe e tira, custaram a nós, acostumados a ir e vir mais livre, preciosos minutos. E um bocado de bílis derramado, causando um estranho mal estar.

Hoje cedinho a notícia tava no ar. Uma das principais artérias de Cuiabá ficaria estanque. Meu Deus, como será? Não temos entendimento de vida parada, estagnada. O nosso percurso é fluído. Não se perde o curso e o curso não perde seu rumo. Não se perde e também não se acha. Vai levando...



E assim será esse tempo de caos. E não vai ser fácil. Mas, a cidade que nos recebeu tão bem, que forjou o que somos, precisa da nossa compreensão. Se nestes anos pouco se fez pela cidade, faremos nós. O que?  Nesses poucos dias em que experimentamos a largada de uma possível metamorfose urbana, também vamos investir em algo valioso, do qual precisaremos neste período: a paciência.




Cuiabá, não sabermos por que, se por destino, amor, malemolência, negligência ou incompetência; nunca conseguiu romper em definitivo com seu passado. Agarrou-se no provincianismo (que não tem nada de pejorativo), porque é um “lugar/povo” que tem juízo. Que presta sentido. Para viver bem por aqui há que se respeitar e cultivar os saberes da natureza e os conhecimentos dos povos antigos.

Em poucos dias os engarrafamentos que já aconteciam em algumas vias, em horários específicos, se alastram. Chegou a hora, minha gente. O momento é chato e haja saco! Quem depende da mobilidade urbana (e quem não depende disso?), pode começar a exercitar um mantra que pode ser mais ou menos assim: euamoCuiabáeugostodaquitudovaidarcertonossavidavaimelhorar.
Liberdade pra inserir palavrões diante da morosidade.



VLT = Vem Logo, Trem!