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domingo, 1 de janeiro de 2012

Prenúncio de um bom ano!!!!


Inaugurar o ano, quanta responsa. Que nada. É só mais um dia pra jogar conversa adentro. Esperamos o século XXI emplacar seu primeiro engradado de anos na temperatura fresquinha de Chapada, com direito a um aguaceiro lascado. Receita boa para uma boa “virada”: estar junto a pessoas queridas e eternamente importantes, comer e beber do bom e do melhor, trocar palavras, carinhos e afetos. E quanto mais a gente rir, melhor. Alegria e emoção. Quanta curtição. Bom demais.
Sossego. Um desnegócio importante para tais ocasiões. O que esperar de uma cidade pequena invadida por alguns milhares de pessoas que ali buscam seu lugar de festa? Outra coisa, menos paz e tranquilidade. Mas e aí, vai encanar com isso? Não, nadinha. A vida é improviso, que nem jazz. Funk pancadão não, é diferente. Phoda!  Um passeio pelo mirante, pra curtir a paisagem anunciadora do “as águas vão rolar”; mais o retorno estratégico no meio da tarde domingueira tiveram essa insuportável trilha sonora. Decibéis acima da capacidade tolerada.
Povo mal educado encosta o carro com o som no último volume em locais públicos, não importando se quem não pagou quis ouvir. Essas situações, que já foram muito mais presentes lá nos Guimarães, se repetiram no último final de semana. Triste é ouvir liderança política desculpando os abusados com essa: desculpe, mas nem todo mundo é educado como você!!!!! Da próxima vez levarei uma plaquinha para sinalizar o ambiente e colaborar com a coletividade.  “Espaço reservado para imbecis. Caia fora!”

A comemoração despropositada também caiu pros lados dos rojões e morteiros, nas mãos de "sem senso". Um perigo! Nem as operações pacificadoras nas favelas do Rio fazem tanto barulho. Estrondos que provocavam um susto atrás do outro. Cães desesperados procurando os debaixo das camas, alarmes de carros disparando, sirenes de ambulância. Muito barulho por nada?
A troca de ano, momento pra ritualizar, claro que teve muito mais momentos agradáveis. Ledo engano achar que a barulheira infernal faria sucumbir o percurso de horas tão importantes. A concentração e o esforço nesse sentido venceram. Estamos, e nossos amigos também, preparados pra enfrentar a baixaria. Evoluímos. Tudo na vida evolui, menos a baixaria.
E no meio de todo esse clima, de toda essa agitação, adrenalina a mil, nada como reparar e registrar as bonitezas da vida. Essa mesma, a nossa, que vai passando diante de nossos olhos, se esvaindo, como a nos provocar para que façamos dela o que bem entendemos. No nosso caso, registrar, seja em fotos ou escritos.
Dezesseis minutos após a entrada de 2012 um toró desabou. Água pra que te quero. Não teve como resistir. Quem estava na praça preparado pra entortar o caneco, desistiu. Foi pra casa. Se continuou ou não com a farra não sabemos, mas, no aconchego do lar, com a chuva caindo a cântaros e molhando pra valer, teve ânimo arrefecido e encostado num canto do sofá ou com a cabeça deitada sobre uma mesa. Dormir até o dia raiar. Santa chuva, muitos pais e mães devem agradecer... seu filhinho(a) tá de boa! A natureza, sempre sábia, amainou o ambiente que tendia pra alguma coisa, que não ia ser legal.

A partir daí a entrada do ano foi calma e gostosa, como merecemos. O despertar no primeiro dia de 2012 foi com um cocoricó soberbo. O galo do vizinho soltou a voz do alto de um muro, prestes a desabar. A terra encharcada, as plantas verdes e felizes, quantidades de manga, goiaba, folhas e flores nas calçadas e ruas. Foi um deu certo “que o mundo compreendeu e o dia amanheceu em paz!”




terça-feira, 15 de novembro de 2011

Cuiabá contra corrupção

 Fazia tempo que não tinha um dia assim em Cuiabá. A chuva começou a cair na noite de segunda-feira e se estendeu ao longo de toda a terça. Dia cinza. Monocromático. Cuiabá sem sol não é Cuiabá. Dentro de casa, as telas dos nossos artistas iluminam nossos olhos, guardam a luz e a força do astro rei.
É só amainar a chuva pra uma revoada de aleluias ou siriris (cupins vestidos de noivas) inundar o ar. Em voos alucinados buscam seu par. Quando encontram, despem-se de suas asas nupciais, que não são mais necessárias. São reis e rainhas de um império que começam a construir.




Chuva branda, que nos remete à função da água de limpar, lavar e fazer escorrer pelo ralo uma parte mais emporcalhada da história brasileira: a corrupção. Uma centena de pessoas, mais ou menos, não fugiu da chuva e compareceu à Marcha Contra Corrupção, na velha Praça Ipiranga. O coreto da praça foi tomado de assalto pelos manifestantes e para lá convergiam as atenções de todos. Hipoteticamente, seriam apenas 98 pessoas, se excluídos os dois representantes do Tyrannus que pontificaram.



Gente de todos os tipos em todos os sentidos. Muitos colegas e amigos da imprensa e, mesmo os que estavam trabalhando, expressavam uma certa dignidade, acompanhada pela revolta por ter que conviver com a impunidade que ainda é destinada a grande maioria dos corruptos. Tudo muito simbólico, na roupas e nos gestos. As manifestações pelo microfone, que estava livre, eram mais calorosas e se valiam da liberdade de expressão.

A Marcha, que aconteceu em várias capitais brasileiras, centraliza suas reivindicações em três itens básicos: o fim do voto secreto nos legislativos, a aprovação da lei da ficha limpa e tornar a corrupção crime hediondo. Cá com nossos botões e com um tiquinho de ingenuidade, mesmo que dissimulada, uma boa catracada no judiciário em níveis estadual e nacional, até que ia bem, já que, uma frase de efeito que tem acompanhado a Marcha é “a impunidade é a mãe da corrupção”. A respeito da expressão catracada, por favor, entendam da forma que quiserem.

Manifestação em Brasília

e em São Paulo, debaixo de chuva.
 “Fulano comprou São Pedro”... Disse-me um amigo jornalista logo que chegamos na Ipiranga. Ele mencionou o nome de um político, o qual, eu apostaria que mais de 99% dos nossos leitores deve saber de quem se trata, mas, seguindo a orientação de nossa equipe de assessoria jurídica e advogados associados que defendem os interesses de nossa jurisprudência, optamos por não registrar aqui o nome do político dito cujo.
Aqui no lar do Tyrannus foi assim. Enquanto uns foram pra Marcha Contra a Corrupção, teve "gente" que, depois de inúmeros ataques e perseguições aos siriris em revoada, repousa num sono tranquilo. A corrupção não é da índole dele, não está nem aí pra paçoca. Diferentemente do que disse um vereador no interior de São Paulo: a corrupção é da índole humana.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

A gente não fomos

Cuiabá é assim: quando chove, entra água no programa. E mela. Bastou a chuvarada da tarde dessa terça para os planos irem por água abaixo: não fui ao Cinemato, o Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá, que emplaca sua 18ª edição. Tinha planejado assistir ao novo filme da Tata Amaral, “Hoje”, com a Denise Fraga. Me disseram que elas estariam na plateia. E a passagem pelo festival, logicamente, se tornaria um assunto a ser desenvolvido neste post. Mas quá!

Cheguei a sair de casa e pegar o ônibus. Aí o pé d’água. Com o aguaceiro, não dá pé, porque o trânsito, já sabe... Resolvo descer pra pegar um táxi, pra não chegar atrasado ao ensaio do coral. Ao descer do coletivo e atravessar a movimentada avenida em busca do táxi, percebo que chuva está molhando pra valer. Meio ensopado, mas isso não tem problema. O ruim mesmo é o tênis encharcado. Merda...
Falando em cinema: mais erotismo que os pés de Lolita, não há!

Tudo sai como o não planejado. Barriguei o Cinemato, quem sabe amanhã. Me ponho a pensar em como a gente costuma subestimar essa parte do corpo, a nossa base. Os pés. O desconforto que me causou o fato de estar com o pisante e a meia molhados, e que eles nãos e secariam como a calça e a camiseta (que já estavam secando), foi o suficiente para cancelar a esticada até o festival. “Mande o meu abraço pra Denise Fraga...”, sugiro a uma amiga que ia pro Cinemato.

Tata e Denise

Voltemos aos pés. A primeira coisa que me vem à cabeça é o livro da Fernanda Young, que nunca li, mas acho interessante o título: “Vergonha dos Pés”. Sei que muitas pessoas sofrem disso: essa vergonha dos pés. Chato né...?! Pé chato também. Mais do que chato, doloroso, é um sapato apertado. Quanta gente não sai por aí e sofre, mas mantém a pose, mesmo que o sapato aperte tanto, que até a alma fica doendo.



 E se o sapato é maior, problemas não faltam. Pode ser um calo no calcanhar ou naquele osso do joanete. E tem aquela história de que o pé fica dançando (ou nadando) dentro do sapato e o pé fica “cansado”. Pé também cansa, gente. Uma mulher com sapato de salto alto é algo pra ser apreciado com gosto, quando há a elegância. Sempre valorizo esse lado feminino, o de sofrer se equilibrando num salto. Algumas dizem que nem se incomodam em usar salto, mas acho que não é possível. Tem uma lasquinha de mentira nisso aí.

Chuva em Cuiabá (Rodrigo Vargas)

Pé de valsa, pé de garrafa, pé de vento, pé fofo, pé na tábua, pé de pequi, ponta de pé, pontapé, pé de mesa, pé de pano, pé de ouvido, pé direito, pé de pato, pé sujo, pé na bunda, pé quente, pé frio, meu pé de laranja lima e basta... Forçando a barra, pé de pra acabar com essa conversa... ao pé da letra, fim!!!      



    

E nenhuma nota de rodapé.