sexta-feira, 19 de novembro de 2010




Dinossauro, da banda original, com as news vocalistas
 Nosso blog passarinho sobrevoou o cover-cult-kitsch Abba na noite de quinta. Munidos com a pequena câmera fotográfica, aquela mesma que levou vários tombos durante a viagem pela Europa e está remendada com um elástico no esfíncter das pilhas.  Foi um show divertido e nada mais do que isso. O estilo pop e carregado de nostalgia da banda sueca, que fez tanto sucesso e ainda convence, na pele de dois remanescentes do velho grupo, bem apoiados por novos músicos substitutos que sabem reproduzir o som do Abba, pairou soberano na sofrível acústica do Centro de Eventos do Pantanal.


Neto e companheira conferindo os jurássicos 
Essa é a minha opinião. O que achei legal é que não estava assim tão abarrotado de gente. Isso possibilitou um trânsito livre pra lá e pra cá e também deu chance pra chegar bem pertinho do palco. Acho que todo mundo que foi se sentiu confortável e seguro, o que já é bastante positivo. É importante dizer que não houve nenhum atraso revoltante, coisa que ninguém gosta.  

Valério e Clauber na noite 

Shows como este são ocasiões para rever amigos e conhecidos, algumas pessoas que a gente não vê faz horas. E também algumas pessoas que a gente vê quase todo dia – gente famosa, freqüentadora da mídia.

Nei e Tânia, especialistas nessas curtições 
Especulei com alguns que foram e ninguém foi muito enfático em elogios ou comentários negativos. Resumindo, o show deu pro gasto. A maior parte do público era de pessoas de balzaquianos pra frente, embora o Abba tenha uma aceitação razoável entre o público mais jovem.

Achei engraçado quando as moças do conjunto sugeriam que a plateia cantasse algumas músicas acompanhando o conjunto . Quando rolou “Fernando”, um dos grandes sucessos, o público até que queria cantar, mas não a versão em inglês, e sim a versão da implacável Perla, em português. Parece que o público cuiabano da faixa etária que ali estava nada sabe de inglês. Dont speak mesmo... Também sou um pouco assim.

Explicando ao Menoti o contexto sonoro do Abba no movimento gay

O repertório, que não chega a ser algo assim pra sacudir o esqueleto pra valer, embalou o público, ao longo de pouco mais de uma hora de show. Ficou claro, mais uma vez, que Cuiabá precisa de um espaço mais digno, mais adequado, para shows que atraem alguns milhares de pessoas. 

O governador é pop...

quinta-feira, 18 de novembro de 2010


Livro que chegou


 “Gostaria que estas imagens incentivassem a abertura de outros arquivos fotográficos. Isso tudo já é história, gente! Hoje algumas das pessoas aqui retratadas já têm netos. Mas guardam dentro de si uma luz. A luz da juventude. Que essa luz nunca se apague.”  Nicolas Behr, em “Beije-me”...

O que é cult? Eu vou meio que por instinto para dizer se isso ou aquilo é ou não cult. Acho o Abba cult. Quer dizer, um pouco kitsch também. E no caso desse grupo que faz show nesta quinta em Cuia, Abba é também cover. Esse papo surge por causa da intenção do blog de apresentar, ou pelo menos tentar, postar uma vez por semana algo como um roteiro cult.


Parece ser o que vai rolar
Cult é a denominação dada aos produtos da cultura popular que possuam um grupo de fãs ávidos. Geralmente, algo cult continua a ter admiradores e consumidores mesmo após não estar mais em evidência, devido à produção interrompida ou cancelada. Muitas obras e franquias, inclusive, atingem status de cult depois que suas "vidas úteis" supostamente expiraram’. É como explica o wikipédia a expressão cult.

Gostaria de fazer algumas ressalvas em relação a o conceito tascado na wikipédia. Por quê, por exemplo, associar um produto cult à cultura popular? Quer dizer que Mozar ou Richard Wagner não podem ser cults? E essa história de ‘vida útil’ para uma obra de arte não me convence. Fico com a máxima do célebre Oscar Wilde: “Toda a arte é completamente inútil”. Bom, mas cult pode ser uma expressão usada com liberdade. Só que tem que ser uma liberdade assim meio poética, combinado?

Outra coisa: amigos, seguidores do Tyrannus e internautas em geral têm a liberdade para discordar do que a gente escreve e comenta aqui. E querendo, podem registrar por aqui seus pitacos. Tirania aqui, só no nome do blog. E assim mesmo a tirania vem seguida pela tristeza.

Mas voltemos ao roteiro cult. Ele se resume no show do Abba, neste final de semana, em termos de opções pela cidade. Os comentários a respeito do novo Harry Potter me levam a crer que ele é cult. Se eu disser que não, uma multidão de ex-adolescentes, que acabam de ingressar na idade adulta vai querer massacrar o blog. Agora, nesta quinta, nada me caiu tão cult como o livro que o correio deixou aqui em casa: “Beije-me”, de Nicolas Behr.

Traz fotos e textos jornalísticos de uma Brasília, durante a passagem dos anos 70 para os 80. Nicolas é cuiabano, radicado em Brasília desde 1974. Ano passado (ou seria em 2008) foi um dos finalistas do Brasil Telecom de poesia. Conheci-o aqui em Cuiabá quando éramos adolescentes e disputávamos um caiaque para navegar pelas transparentes águas do Rio Coxipó. Depois fui reencontrá-lo como uma espécie de papa da geração mimeógrafo, em Brasília,  produzindo seus livros de forma artesanal e caseira, mas sempre com uma verve única, transformando em curtos poemas toda a sorte de flagrantes cotidianos.
Por conta do amor pela literatura, temos nos reencontrado nos últimos anos, normalmente, no plano virtual. O poeta é também um ativista de causas nobres, como a liberdade e a conservação da natureza. Grande artista.

Fecho a postagem de hoje informando que o Tyrannus vai flagrar o Abba. E mais a frase do Marçal Aquino, a quem tinha avisado sobre o blog. Ele checou o texto onde foi acusado de pessimista: “Um artista otimista é tudo que o mundo não precisa neste momento”.  

quarta-feira, 17 de novembro de 2010


O escritor solta o verbo 

Muitas coisas boas acontecem no Sesc Arsenal. Com a estrutura que a instituição tem em nível nacional e o belo e polivalente espaço que temos aqui em Cuiabá, dar uma passadinha por lá e conferir algum evento é de bom tom. E é preciso estar atento para saber da oferta cultural que chega. As possibilidades de intercâmbio com artistas e grupos de outras regiões brasileiras são bem vindas. Não é todo dia que, por exemplo, a gente tem a oportunidade de participar, aqui em Cuiabá, de um bate papo com um artista articulado, como Marçal Aquino, expert das letras modernas brasileiras, com experiência em teatro, literatura, cinema e televisão.

Graças a minha amiga Cristina, que trabalha na área da literatura do Arsenal, fui lembrado que o cara estaria por lá nesta quarta-feira. Cris me deu um telefonema salvador, alertando-me da presença do escritor. Lá fui eu, vencendo minha preguiça físico-química, que me faz ir correndo pra casa todos os dias, quando termino meus afazeres profissionais vespertinos. E, convenhamos, Marçal Aquino, é combustível nobre pra abastecer este Tyrannus, ou qualquer outro veículo de comunicação. O cara sabe das coisas, mesmo.

Conheci Marçal no ano 2000, quando lancei dois livros do Ricardo Dicke e o José Roberto Torero (escritor e cineasta camarada) me passou uma relação de artistas que curtiam literatura e que poderiam se interessar pela densa escrita dickiana. Marçal, claro, estava lá. Enviei-lhe, pois, “O Salário dos Poetas” e “Rio Abaixo dos Vaqueiros”. Recentemente ele escreveu um texto para a Folha de São Paulo reverenciando a nova edição de “Deus de Caim”, editado pela LetraSelvagem.

Reticências é o nome do projeto do Sesc que trouxe Marçal e o objeto da conversação com ele foi a criação literária envolvendo cinema, teatro e televisão. A triste realidade do mercado, especificamente na televisão, foi exposta cruamente pelo escritor, com tanta argumentação, que ficava até difícil contradizê-lo ou mesmo amenizar as ponderações. Ainda mais se considerarmos que ele está, digamos, no epicentro desse mercado, onde o espaço para a criação autoral mais pura, a ideologia e a própria divulgação e difusão cultural são qualidades vencidas pela necessidade de vender, vender e vender.

Marçal, juntamente com Fernando Bonassi, escreve roteiros para a série da Globo, Força Tarefa, que está em sua terceira temporada. “Televisão é lingüiça”, explicou ele sobre seu trabalho para a telinha. Em relação a literatura, Marçal disse acreditar que no Brasil existem hoje três mil leitores de livros, sendo que a maior parte desse público é formada pelos próprios escritores e críticos. Com esse ‘miserê’ de leitores e um mercado cada vez mais linkado com questões comerciais, o futuro da literatura, sinceramente, não me parece nada promissor. E se Marçal que está enfronhado nesse mercado da criação literária e suas variantes assim se manifestou, não pude deixar de alimentar a minha crônica frustração para com esse ‘estado das coisas’ em relação à cultura brasileira.
Enquanto ele ia enumerando seus espontâneos dados sobre essa apatia cultural, eu me punha a pensar... “putz, esse cara está muito pessimista”. E foi aí que aconteceu. Marçal narrou que palestrou na Alemanha, onde se expôs de forma semelhante, chegando a chocar a plateia alemã. De repente, o cônsul brasileiro, que acompanhava sua performance, explicou aos alemães que no Brasil a coisa não era tanto assim, e que Marçal estava muito pessimista. “O pessimista é um otimista com mais informação”, contra-argumentou o escritor.

Conversação
A conversação foi mediada por Jan Moura, que se comportou direitinho. Na platéia apenas um punhado de pessoas, o que tornou o lance mais íntimo. Marçal falou sobre muitas outras coisas. Estava aberto e dando sopa pra conversar livremente. Sorte de quem foi...      

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Esquina de Madri

Madri... Madri... caliente Madri. Procuramos e encontramos pessoas que se enquadram perfeitamente nos personagens de Almodovar: sofisticadas, esquisitas, falantes, resmungões. Inesquecíveis. A cidade é verde nas suas árvores, jardins e parques espalhados. Para conhecer Madri é necessário muitos dias, meses quiçá anos.

Museu Reina Sofia,  uma visita imperdível para quem está na capital espanhola. A oportunidade sonhada de ver de perto, pertíssimo "La Guernica". O suspense era se poderíamos, como outras centenas de turistas, fotografar a famosa obra. Sim, era possível desde que respeitada uma distância para que a visibilidade da obra, por outros, não fosse impedida. É muita gente fazendo pose...

 O museu abriga obras de outros não menos famosos, como Dalí, Miró, Braque, John Cage, Lygia Clark, Duchamp, Juan Gris, Magritte, Lygia Pape, Picabia… Poderia ficar aqui somente citando os artistas que me chamaram a atenção ao longo das três horas, malemá, que ficamos nesse Museu. Não ficamos mais porque tínhamos compromisso, um jantar na casa de amigos espanhóis.

Lorenzo e La Guernica
Fiz questão de mencionar duas artistas brasileiras que são reconhecidas e gozam de prestígio internacional, embora não sejam muito conhecidas no Brasil: Lygia Pape e Lygia Clark. Aos interessados nas artes, recomendo uma pesquisa sobre elas.

Essa história de visitar museus, espaços culturais com grandes acervos, não é mole não. É preciso estar disposto e encarar a coisa com disciplina porque quando se entra num local assim, o que rola é uma overdose de arte. Mesmo pra quem conhece um pouco da história da arte e tem lá suas referências em torno do assunto, ‘perder-se’ nos caminhos labirínticos dos museus não é coisa difícil de acontecer.
Uau!!!! Dá li

Quase todo mundo entra nesses espaços em busca dos grandes artistas, aqueles que a gente já conhece e que são consagrados, para ver o que já vimos inúmeras vezes em fotos, revistas, filmes etc. Ver essas obras ao vivo, ‘em carne e osso’, é outra história. Sempre vale a pena.

Mas é impossível deixar de reparar em artistas ‘menores’, cujas obras ali estão pra fazer a gente pensar, questionar, submetendo nossas retinas a uma odisséia de imagens com informações a tiracolo. Um museu é um exercício intelectual ferrenho. No caso do Reina Sofia, já na sua entrada eu fiquei chapado com um grande símbolo gráfico que é uma espécie de boas vindas a quem chega. Depois fui digerindo com a calma que me era possível a imensidão daquela coisarada toda.

Entrada do Museu
O que recomendo a todos que visitam espaços de arte é entrar repetindo a antiga máxima socrática: eusóseiquenadaseieusóseiquenadaseieusóseique... nadaseieusóseiquenadaseieusóseiquenadasei. Entrar com a alma e o coração abertos para toda sorte de aventuras culturais. Quero ver passar impune, ou imune, por um lugar como o Reina Sofia.

O Museu fica ao lado da Estação Atocha, um impressionante centro de transportes de Madri, local marcado pela dor e sofrimento causado por um dos maiores atentados terroristas da história do país. Ali pegamos um trem e fomos para Fuenlabrada, município vizinho e emendado com Madri, onde família amiga de espanhóis, que conhecemos aqui no Pantanal, nos recebeu para senar. Ou jantar, se preferirem. Eles trabalham com educação, meio ambiente e turismo, com empreendimentos na Espanha e no Brasil.

David, Fátima, Alex, Flora e Paula 
Os registros da nossa viagem pela Europa já se encaminham para a última etapa, em Lisboa, Portugal. Lá contamos com a hospitalidade de Mauricio Leite, antigo parceiro de teatros e outras traquinagens culturais aqui em Cuiabá, nos anos 80, radicado em Cais Cais, há vários anos. As aventuras com Mauríco nas terras de Fernando Pessoa ficam para uma próxima postagem. Uma tristeza leve, mas doída, já ia nos abatendo porque a Europa nos marcou e deixou saudades. Mas a gente volta...

Fim

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Confesso que não fui. Ainda. E nem sei se vou assistir algum dos novos filmes em cartaz na cidade, do circuito comercial. Mas nesta terça, além dos já citados na postagem anterior (Red, Senna, Muita calma... e um outro aí), no circuito alternativo do audiovisual cuiabano têm outras opções. E uma muitíssimo especial: "Os Contos de Canterbury", de Pasolini, no Arsenal. Às 19 horas, com entrada franca. Outras opções são os filmes da Mostra Cinema e Direitos Humanos, que está rolando também no Arsenal: “Eu não quero voltar sozinho” e “Imagem Final”, duas sessões em seguida a partir das 14, e “O ano em que meus pais saíram de férias”, às 16 horas.

 
Contos de Canterbury, no Arsenal, terça

“Contos...” mostra a estética única de um dos mais importantes cineastas italianos, Pier Paolo Pasolini, nascido em Bolonha em 1922 e brutalmente assassinado em 1975. Homossexual assumido, sua morte, até hoje ainda é motivo de controvérsia e a história do artista, naturalmente, daria uma biografia interessante, à altura de seus filmes. Entre eles, algumas pérolas como “Accattone” (61), “Mama Roma” (62), “O Evangelho Segundo São Mateus” (64), “Teorema” (68), “Saló, 120 Dias de Sodoma” (75), só para citar alguns.

“Contos de Canterbury” (71) é inspirado na obra literária de Geoffrey Chaucer, o segundo filme da chamada “Trilogia da Vida” de Pasolini, iniciada com O Decameron (1970) e completada por As mil e uma noites (1974). Sobre Pasolini e este filme nada mais vou dizer, apenas que não interessa qual filme é ou onde está sendo exibido. É necessário assistir, pois se trata de um grande mestre da história do cinema em todos os tempos.
 

O ano em que meus pais saíram de férias

“Eu não quero ficar sozinho”, (2010), curta do brasileiro Daniel Ribeiro, foi premiado no festival aqui de Cuiabá, que terminou há poucos dias. Abre a programação da Mostra Cinema e Direitos Humanos, que acontece em toda a América do Sul. Na sequência vem o longa argentino “Imagem Final” (2008). A partir das 16, outro título nacional, “O ano em que meus pais saíram de férias” (2006), de Cao Hamburger, com 110 minutos. Os filmes programados para esta iniciativa da Petrobrás abordam o tema da Mostra de uma forma ou de outra. O evento trabalha a questão da acessibilidade a conteúdos culturais, voltando seu foco também para pessoas com alguns tipos de deficiência. Vale dar uma navegada pelo site http://www.cinedireitoshumanos.org.br para saber mais sobre o lance e conferir toda a programação que prossegue até o dia 18 aqui em Cuiabá. No Arsenal, repito.

E vou encerrando por aqui, mas antes lembro que aos assinantes da Sky uma bela opção para esta noite de segunda é “Abraços Partidos” (2009), de Almodóvar. Uma lágrima que umedece a polpa rubra do tomate. Às 21 horas no Telecine Premium.



Penélope Cruz é show de interpretação em "Abraços Partidos"


sexta-feira, 12 de novembro de 2010



Você quer ver Helen Mirren dando uns tiros?
Disfarça que esta postagem só rolou na sexta. Fiquei de apresentar um textoprojetopropostatipo roteiro cult na quinta... Furei. Quer dizer que não dá mais tempo pra ‘linguiçar’ e o lance é entrar direto no assunto. O som do Fidel Fiori e convidados no Arsenal e a Miti, Mostra Internacional de Teatro Infantil, são opções nas quais eu aposto.
A Miti é algo assim mais família, especial pra quem tem crianças, filhos, sobrinhos etc. São espetáculos, oficinas, audiovisual e música. Grupos de teatro daqui e de acolá apresentam espetáculos e toda a programação acontece no Pantanal Shopping. A mostra começou na quarta-feira e vai até dia 15. As informações completas pra quem se interessar estão no link http://www.mostrainfantil.com.br. É a quarta edição da Miti que, ano passado, recebeu visitação de milhares de pessoas.

MPB, Bossa Nova, Jazz, Blues, música latina e regional, como o rasqueado, e mais composições inéditas do contrabaixista Fidel Fiori e dos músicos convidados é o que rola neste sábado e domingo (sempre às 19) no Arsenal. O ingresso é um litro de leite, que vai para o projeto Mesa Brasil, do SESC-MT.
Informação curiosa sobre o show é que serão utilizados instrumentos vintage. Acompanham Fidel, Luiz Fernandes,  guitarrista suíço, com longa experiência musical, tendo tocado no famoso Festival de Jazz de Montreux, com vários CDs gravados; Phellipe Sabo, saxofonista e flautista, considerado revelação em nível nacional; e Sandro Souza, que na minha opinião é o grande nome da percussão mato-grossense. Está em meus planos conferir o Cuiabass – esse é o nome do show.

As novidades que entraram em cartaz nos cinemas da cidade me chamaram a atenção. Fico tentado a conferir pelo menos três, dos quatro filmes que chegaram: "Jackass 3D" (descartem este), “Red – Aposentados e Perigosos”, o brasileiro “Muita Calma Nessa Hora” e “Senna”, documentário sobre o idolatrado piloto brasileiro, uma produção inglesa, com ares hollywoodianos.

“Senna” talvez seja a novidade mais interessante. É uma produção esmerada sob a direção de Asif Kapada, diretor inglês de ascendência indiana, que já assinou curtas premiados em importantes festivais como Cannes (França) e o Bafta (Inglaterra).

A história de Ayrton Senna esteve para ser filmada antes com Antonio Banderas no papel do piloto, mas a versão não convenceu Viviane Senna, irmã de Ayrton.

Reunindo astros do quilate de Bruce Willis, Morgan Freeman, Helen Mirren, John Malkovich, Richard Dreyfuss, Mary-Louise Parker e o veteraníssimo Ernest Borgnine, “Red – aposentados e perigosos” tem quase que a obrigação de mostrar algo interessante.

O alemão Robert Schwentk, praticamente um desconhecido do público brasileiro, dirige esta adaptação de HQ homônima, escrita por Warren Ellis. Schwentk teria que ser um cineasta muito ruim para tornar totalmente inviável um filme com tantos astros, que tem o roteiro baseado numa HQ de sucesso.

“Muita Calma Nessa Hora” não sei bem se é um jargão ou um clichê. Sei que é o nome de mais um filme brasileiro. Um cineasta com pouca experiência, Felipe Joffily (“Odique”), sobrinho de José Joffily (Quem Matou Pixote), dirige esta comédia que promete. Se ela cumpre, ou não, fica por conta do internauta.

O roteiro é de Bruno Mazzeo, artista de grande qualidade da nova geração do audiovisual brasileiro. Escreve e atua com desprendimento, especialmente para a televisão.

Deve ser curioso e, porque não, engraçado, se deparar com personagens interpretados por um elenco que tem veteranos como Lúcio Mauro, Louise Cardoso e Laura Cardoso, gente de meia idade como Marcelo Tas (aquele mesmo do CQC), Heloisa Périssé e Sérgio Malandro; além de revelações do humor brasileiro mais recente como Marcelo Adnet, Lucio Mauro Filho, Hermes e Renato e até Marcos Mion. Será mesmo que Mion deve ser citado como revelação bem humorada.

Se você assistir alguns destes filmes e discordar totalmente do meu texto, ao ponto de querer me crucificar... Muita calma nessa hora. Tem mais coisa rolando por aí, mas que fiquei sabendo e que sugiro por enquanto é isso aí.

terça-feira, 9 de novembro de 2010


Castelo de Manzanares El Real

Manzanares El Real é uma pequena vila, incrustada nas montanhas e perto de verdes vales. Casinhas, ruazinhas estreitas, castelo, gente tranqüila, os velhos se reúnem pela manhã à sombra das árvores pra jogar conversa fora, coisa de interior. Manzanares El Real fica de ônibus a 40 minutos da agitada Madri. 

Tranquilidade
Manzanares é o nome do rio nas margens do qual Madri foi edificada. Pesquisando na internet sobre a pequena cidade, acho a informação que o local tem mais de seis mil habitantes. O castelo medieval é considerado um dos mais conservados da Espanha.

A montanha ao fundo, espetáculo a parte. As rochas parecem soltas. Imagino o inverno, coberta pela neve.  Ficamos hospedados na casa de dois amigos brasileiros, ambientalistas, conservacionistas: Gali e Alê. Tem diferença sim entre ser um ou outro. O conservacionista é radical ,  defende a proteção de ambientes no seu sentido mais restrito, ou seja,  quanto mais distante, quanto mais longe da ação  humana, melhor. Ficamos horas e horas conversando sobre as áreas protegidas no Brasil e a visão e comportamento do europeu em relação a proteção da biodiversidade. Segundo o conservacionista brasileiro, pra eles bicho é caça, ponto final. O preço que se paga para abater um animal é bem salgado, mas a gente questionou toda essa cultura em torno das relações homem + meio ambiente. Um assunto que precisa mesmo ser invadido e aprofundado. Aproveitei a oportunidade para ficar mais quieto e ouvir as ponderações do trio de biólogos.

Montanhas boas pra se escalar
Nossos amigos curtem as montanhas. Procuram sempre viver ao lado delas. Enquanto estivemos por lá, conhecemos uma pá dessa tribo. Gente do Brasil, que investiu numa viagem solitária, procurando rochas pra escalar. Olha só o nome: Bugio, do Paraná. Duas espanholas, mais do norte, jovens, bonitas, com mãos ásperas, braços fortes e barriga de “tanquinho”. E o vizinho do casal, um instrutor de esqui, também espanhol.  E seus cães, amigos. Gente engraçada e hospitaleira. É chegar e fazer parte.

Com os amigos montanhistas

Com Alê e Gali também conhecemos uma outra cidadela, Miraflores de La Sierra, pertinho de Manzanares. Um passeio por um bosque, cafés e doces e muita conversação. No dia seguinte voltamos a Madri. Marcamos um jantar com Alê, Gali na casa de outros amigos espanhóis, em Madri, onde também queríamos visitar o Museu Reina Sofia, considerado visita obrigatória na capital espanhola.  

O entardecer na pacata Miraflores

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

O centro avante reserva do Fluminense, Rodriguinho, que foi o artilheiro do campeonato paulista deste ano, deve ser um cabeça de bagre autêntico. Digo deve ser, porque nós, torcedores, não temos condições de assistir a todos os treinos e tampouco sabemos das reais capacidades dos atletas dos nossos times. O que nos resta é confiar nos técnicos e acreditar nas escalações que eles apresentam.

Bom, Muricy Ramalho, técnico do meu Fluzão, é um grande estrategista do futebol brasileiro. Sua folha de serviços prestados ao São Paulo, por exemplo, time que dirigia antes de vir para o Fluminense, confirma tranquilamente suas qualidades como técnico. E se Muricy não tem escalado Rodriguinho, optando por Washington como titular, ao longo das últimas dez partidas, havemos de pensar que Rodriguinho é o ‘impossível’: pior do que Washington, o que só parece impossível, mas não é.

Alguém, que digo quem, não está com essa bola toda
No domingo passado (07/11), enquanto assistia Flu e Vasco, e meu time inexplicavelmente voltou a vencer (1 a 0), cheguei a conclusão que Washington deve estar vitimado por algum ‘congá’. Essa palavra é uma expressão muito comum aqui da nossa região, creio, mas nem sei se todos a conhecem. Deve valer por uma macumba, cubu, despacho ou coisas desse gênero.
Mas o tal do congá seria a única explicação cabível para esclarecer o jejum inabalável de Uóstu (como diriam os cuiabanos de chapa e cruz).

Ele continua se posicionando para fazer os gols que sempre fez e a bola chega aos seus pés, muitas vezes, nas condições ideais para estufar a rede do goleiro adversário. Isso tem acontecido pelo menos duas vezes por jogo, quando não, mais, mas necas de Washington lograr êxito. Suas conclusões têm se mostrado as mais estapafúrdias possíveis e chega a ser cômico algumas vezes, ver aquele sujeito grandalhão desperdiçar mais uma chance de correr para o abraço.

Daí, que acho que ele, enquanto Fred não volta, precisaria daquilo que vou chamar de apoio espiritual. Coisa que só um bom pai de santo pode e sabe resolver. Vocês podem achar que é gozação, ou brincadeira de minha parte, mas não. Pensem comigo e vamos recuperar a trajetória do jogador. Ele está longe de ser um grande craque e pelo jeito que toca na bola, às vezes sem demonstrar intimidade, já se percebe que não é mesmo nenhuma Brastemp. Mas sempre ‘compareceu’, mesmo com as limitações, marcando seus golzinhos e ajudando o seu time a prosperar na classificação e no sucesso. Mas eis que de uma hora pra outra, além de não fazer gols, já foi capaz de jogar contra o próprio patrimônio, marcando um gol contra.

Por tudo isso, e por algo que ainda temo que venha a acontecer nessas últimas quatro partidas do Campeonato Brasileiro, venho por meio deste, afirmar com toda impotência de meus calejados pulmões nicotinados: fizeram congá para o Washington.


domingo, 7 de novembro de 2010

Algumas vezes você entra num site/blog e aparece lá escrito: “em construção. E vazio total. O Tyrannus também está “em construção”, mas nada de vazio.


Não é porque estamos em construção, que você vai sacanear  
Estar “em construção” significa que estamos pensando, questionando, discutindo, imaginando, falando, falando etc e tal em torno do futuro deste espaço. Além de postar artigos e fotos livremente, pensamos em prestar um serviço. Temos muitos planos, mas nos falta conhecimento técnico para organizar, estruturar o Tyrannus. Mas decidimos que mesmo “em construção”, vamos prosseguir “mandando bala”, “mandando ver”, construindo... E como todo o cyber espaço que está “em construção”, aceitamos sugestões.

Uma das idéias é criar e organizar links (outros espaços) dentro do blog com dicas culturais, opiniões, entrevistas e... sei lá mais o quê. Em relação às dicas culturais, queremos postar, pelo menos uma vez por semana, um roteiro com acontecimentos e eventos culturais que, segundo a nossa opinião, valem a pena uma conferida. São filmes, exposições, lançamentos de livros, shows, teatro, músicas e por aí vai. Claro, aquelas que nos chegam e que tem muitíssima afinidade com o nosso fino paladar e dos internautas que navegam conosco. Sobre as entrevistas, só com gente cabeça. Nem que seja cabeça de vento, mas tem que ser gente cabeça.

Em relação às dicas, já nesta semana, lá pela quinta-feira, estaremos emplacando aqui o nosso Roteiro Cult para Cuiabá e arredores.

Enquanto não vamos de roteiro regional, vai agora um registro de três belas exposições que flagramos no Rio de Janeiro no mês passado. E você, passando por essas paragens, ainda dá pra conferir. Vick Muniz, Waltercio Caldas e Camille Kachani estão expondo em terras cariocas. Vick e Waltercio são bastante conhecidos e são referências na arte contemporânea, inclusive, com projeção internacional. Duas exposições imperdíveis. Camille, que é homem e não mulher, estava em nosso caminho e não tivemos como evitar. Curiosas reproduções tridimensionais de insetos como formigas, moscas e tem até um mosquitão da dengue. Obras feitas de resina, fibra de vidro, metal e outros materiais. Um trabalho interessante e bastante curioso.

Moscas, de Camille
A Galeria Anita Schwartz, na Gávea, estão as esculturas grandes e médias de Waltercio e alguns trabalhos em papel. Representam a fase mais recente desse grande artista brasileiro, carioca, cujo talento percorre o mundo. Uma arte muito diferente e que requer uma leitura delicada. Não sou a pessoa mais apropriada para dissertar sobre o trabalho do cara. Só sei que achei bonito e com uma estética muito original, única.

Vick Muniz está na Casa Laura Alvim (RJ). Só o local, já valeria uma visita. Fica em Ipanema. Uma baita casa de frente para o mar, que era da Laura Alvim, mulher entusiasta das artes e notívaga, que não teve filhos e deixou seu patrimônio para a população. O banheiro da mulher é um show a parte. Mas, voltando a Vick, artista que acompanho há vários anos, seu trabalho tem um certo estilo pop, mas com genialidade e muito bom humor. Consegue fazer arte com todo e qualquer material. Vale a pena fuçar na internet em busca de suas obras e também ler a respeito de sua trajetória brilhante. Num Rio de Janeiro meio nublado, visitar esses locais e conhecer de perto a obra desses artistas foi um programaço.
Obra de Waltercio, sem comentários

Com Valeria Del Cueto, na casa Laura Alvim



quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Deu bola...

“Lorenzo... Lorenzo... Olha só quem está ali”. Viro e vejo uma moçona bela, do meu tamanho, com um dedo da mão  imobilizado, vestindo abrigo verde e a marca do Banco do Brasil. Só podia ser, confirmo com a Fátima, ela é da seleção brasileira de vôlei.

Sou muito mais cara de pau e fui me achegando pra perto do ‘mulherão’ e puxando assunto. Na verdade, verdadeira, não sabia direito quem ela era. Mas fiz cara que sabia. “Sou a Sheila...”, disse-me a atacante brasileira, enquanto fazia seu ‘chequinho’ (como não sei como se escreve corretamente check in, abrasilerei livremente).

Peço para tirar uma foto junto com ela e a mulher topa de imediato. Ei, Fátima tira uma foto já que está com a máquina em punho. Adoro tietar, tenho um pouco de vergonha, porque, como jornalista, as oportunidades de aparecer ao lado e conversar com gente famosa estão sempre surgindo e eu preciso me conter, às vezes. A Fátima não, é tímida e não quis, brinca, sugerindo que se a foto fosse com ela, o enquadramento seria difícil. Sheila tem minha altura, 1,90.

Sheila e eu!!!!
A foto foi feita no aeroporto Santos Dumont (Rio), na nossa volta pra Cuiabá. Do Rio para São Paulo, viajamos no mesmo avião que a atleta e parte da delegação brasileira. Só que enquanto voltávamos pra Cuiabá, Sheila voaria para o Japão, aonde a seleção feminina de vôlei do Brasil vai fazendo bonito no campeonato mundial. Acho que dei sorte!!!!

Ainda no Santos Dumont, após a foto, disse-lhe que estaríamos torcendo por ela e pelo Brasil em Cuiabá e ela deu um sorrisinho, sem graça e grudou no celular. Devia ter pedido para dar um alô pra Cuiabá quando aparecesse nas comemorações das vitórias brasileiras...mas não deu.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Manzanares El Real

Depois do dois de novembro cabe uma volta ao passado com o registro da nossa passagem por Madri, cidade com pouco mais de três milhões de habitantes, onde nos desgarramos do nosso grupo de turismo. 

Grupo reunido em Florença
Pessoas de vários países com as quais viajamos por quase duas semanas visitando sei lá quantas cidades europeias. Legal registrar que, mesmo nessa correria, levantando-se por volta das seis da manhã diariamente e cortando a Europa de autobus (palavra que me dava arrepios), não rolou nenhum desafeto. Tivemos a sorte de viajar com um grupo tranqüilo e curtidor, bem ao nosso estilo.

Madri é cheia de monumentos arquitetônicos fabulosos e também apresenta construções modernas. Foi moleza entrosar com madrilenses. Nosso portunhol foi muito bem aceito. Ele já vinha sendo praticado exaustivamente com nossos companheiros de viagem, em sua maioria, gente de países que falam espanhol.
Depois de chegar a Madri e fazer a tradicional tour (um passeio de ônibus pelos pontos turísticos, com todo mundo louco pra descer do autobus), combinamos  com os viajantes amigos uma festinha de despedida. Hora de mostrar a cara de alguns dos nossos parceiros de turismo. 



Festa de despedida do grupo em Madri
No dia seguinte partimos para Manzanares El Real, pequena cidade próxima a Madri, onde ficamos na casa de um casal amigo: Alê e Gali. Um novo texto, daqui a pouquinho vai mostrar as aventuras com esse casal de biólogos. E mais pra frente, outras coisas em Madri, Lisboa etc e tal.

Em Manzanares el Real, com Alê e Gali
Carro basco??? Sempre suspeito....

Vale lembrar que o Tyrannus surgiu, inicialmente, para registrar a nossa temporada europeia, mas, nem só de viagens físicas vive e viverá isso aqui. Na próxima postagem, por exemplo, o nosso encontro num aeroporto brasileiro com uma grande personagem do esporte brasileiro, que está arrebentando. Com direito a tietagem fotográfica. 

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Finados

jogando com a morte em "O Sétimo Selo"
Uma bicha devia cinquenta pratas para outra amiga e não pagava. A outra bicha é claro que queria receber. E esta, um dia, saiu de casa e espreitou a amiga caloteira próxima da casa dela. Quando a devedora saiu de casa, percebeu a amiga, disfarçou um pouco e tentou despistar. Mas não conseguia. Entrava numa loja, em outra e logo via a cobradora que se aproximava. Por vários minutos foi assim. Num lampejo de criatividade, a bicha caloteira resolveu entrar numa funerária e acomodou-se num caixão, fechando-se. Pois não é que a outra bicha percebeu, acercou-se do caixão e destampou-o?! “Sua bicha caloteira”, disse zangada, ao que a outra respondeu: “Estou morta... Morta de vergonha”. 

Não chega a ser uma piada excepcional, mas cabe para este Dia de Finados, com todo o respeito. A morte é uma grande dúvida e também uma certeza absoluta que todos temos. Não sabemos para onde vamos, cientificamente falando, mas é certo que vamos morrer. Não padeço de nenhum medo espetacular da morte e procuro ritualizar de alguma forma a passagem de pessoas queridas e próximas. Sei bem do sentimento que fica, uma saudade lascada. É próprio derramar lágrimas nessas ocasiões. A gente está botando pra fora algo que precisava sair. Talvez, por praticar essa postura lúcida e até certo ponto fria, diante dessas perdas, sei amparar com delicadeza as pessoas sofrem nessas situações indesejadas.


Conheço gente que foge de cerimônias como velórios e enterros. Tem gente que aguenta, no máximo, uma missa de sétimo dia. Questiono um pouco esse tipo de comportamento, porque acho que é de grande valia estar presente nessas despedidas, quando a dor pode abrandar um pouquinho diante de um abraço ou um beijo comovido e sincero.


o cinema que sugere um ponto de vista
Orações, palavras bonitas, silêncios, velas, flores, lágrimas... Tudo vale num Dia de Finados. Conforme já disse, gosto da ritualização. Faz parte da nossa cultura e faz bem. Não sei como os ausentes se portam diante disso e sei que de religião para religião isso muda um pouco. O que me vem à cabeça agora é o título de um filme brasileiro bastante curioso: “Nós que aqui estamos, por vós esperamos”, de Marcelo Masagão. O título foi chupado do letreiro de um cemitério na cidade de Paraibuna (SP).


Dois de Novembro é a data memorialista para a morte. Um tema recorrente na vida real e na imaginária. E fecho minhas palavras com uma bela poesia de Manuel Bandeira. “Preparação para a Morte”: A vida é um milagre./Cada flor,/Com sua forma, sua cor, seu aroma,/Cada flor é um milagre./Cada pássaro,/Com sua plumagem, seu vôo, seu canto,/Cada pássaro é um milagre./O espaço, infinito,/O espaço é um milagre./O tempo, infinito,/O tempo é um milagre./A memória é um milagre./A consciência é um milagre./Tudo é milagre./Tudo, menos a morte./Bendita a morte,/Que é o fim de todos os milagres!.