sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Hoje é dia de Feira



Ferveção

Pula pula, verduras, cereais, churrasquinho, churro, crepe, caraoquê, iaquissoba, acarajé, arroz com pequi, arroz com costelinha, marisabel, pamonha, milho cozido, bombons, doces, queijos, lingüiças, roupas, bijuterias, pastéis, caldo de cana, tapioca, produtos legítimos do Paraguai, maçã do amor, condimentos, frutas, rapaduras, farinha (do Morro Grande), peixe, carnes, panelas, tobogãs... Ops... escorregamos nesse mundaréu de coisas e um povaréu de gentaiada.  

Sexta-feira é dia de feira. O comércio, com exceção dos chamados produtos de natureza cultural, realmente, não me atrai. Mas não há como ignorar uma feira livre que acontece aqui pertinho de casa, todas as sextas, tomando de assalto a principal rua dos bairros aqui do pedaço (Recanto, Universitário, Imperial etc). A nossa feira é famosa. É freqüentada por moradores que tem o maior orgulho desse espaço, que se constrói, a cada semana.  



energia pura... 


Acompanhado pela alquebrada máquina fotográfica, lá vou eu à feira. “Nunca te vi, nem na feira”. É um antigo ditado quando você quer explicar que não conhece mesmo uma pessoa. Uma máquina em punho sempre altera o comportamento de quem quer que seja. É preciso paciência e cautela para convencer as pessoas de que a foto não vai prejudicar. Imagine você, que freqüenta o Tyrannus, como explicar a um feirante que sou jornalista e a pauta é a feira (até aí, tudo bem), que vai sair num blog (complicou um pouco)... Mas a gente consegue. Como disse a Fátima (bloqueira disso aqui também), “numa feira, tudo é possível”.
Melamanguaça

Pastels

São uns quinhentos metros de extensão com um comércio libertário onde tem de tudo. O final da tarde dá a largada e depois das 11 vai virando xepa e minguando... Mas enquanto há uma única barraca montada, a possibilidade de venda continua.


Doutor iaquissoba

Nosso vizinho... garantia da cerva + em conta

rei do caraoquê (o quê?)

“Sou fundador das feiras aqui em Cuiabá... Tenho mais de quarenta anos disso”, diz David, que vende carnes, mas que começou com cereais. Sujeito bom de conversa. E aproveito para assuntar. Ele me diz que esta feira, junto com a do CPA e a do Coophema, são as melhores. Nossa conversa é ligeira, enquanto ele atende uma freguesa.  

El fundador
O perfil do feirante aqui em Cuiabá não é bem aquele que ganha no grito, que tem humor pitoresco, às vezes malicioso, para conquistar a freguesia. “Olha a manga, gostosa”, “Moça bonita não paga, mas também não leva”, “Ovo e uva boa”... Expressões desse tipo não são comuns. A coisa parece ser mais família: pero que hay, hay... 

Josê e filha 


Figura ilustre do bairro

A feira, propriamente dita

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Izan Petterle

 

Labuta pantaneira

Sujeito doido esse Izan. Lá pelos anos 70, passou no vestibular e como prêmio lhe ofereceram um fusca, maneiro. E ele optou por uma câmera fotográfica bacana, em vez do automóvel. Sujeito doido mesmo esse cara. Louquinho da Silva, por fotografia. Se tivesse ficado com o fusquinha, não sei o que teria dado, mas sua opção desvelou esse tremendo talento. Só sei que como fotógrafo vem nos apresentando muitos mundos, coisas bonitas, diferentes. Tanto faz o que fotografe, seja em cores, seja em preto e branco, o resultado traz sempre aquele algo mais que a gente vive procurando nas fotografias.

Ele fotografa desde 1975 e é um dos mais regulares colaboradores da National Geographic Brasil. Nasceu gaucho, se não me falha a informação, mas vive por aí. Tem um pé em São Paulo e outro em Chapada dos Guimarães.

Seu blog linkado à National Geographic apresenta uma recente aventura fotográfica em uma fazenda em Poconé, município pantaneiro, acompanhando a vacinação de duas mil cabeças de gado. Um primoroso trabalho em preto e branco que me levaram a recordar os requintes com os quais Caravaggio trabalhava o contraste claro-escuro em sua arte na passagem do Século XVI para o XVII.

 


A vocação de São Mateus (Caravaggio)

A vocação do pantaneiro (Izan)

Observar, viajar pelas lentes de Izan, aliás, puxa a memória nossa de cada dia para o terreno das artes plásticas. O gado que ele fotografa parece ser meio emparentado com os bois que Humberto Espíndola concebe.

 

Close

Boi, esse ser secular do Pantanal que inspira a arte, a religião e mais um montão de coisarada antropomórfica. Olha, viajar nas imagens é comigo mesmo. Ainda bem que existem as palavras para eu me expressar além do olho, na perseguição de um ponto de vista original. Quando a imagem tem seus significados e resignificados, ela nos surpreende. Dá uma pista e parece também querer dialogar conosco. Aí, né...

“Existem muitos universos paralelos a serem descobertos, e a fotografia pode ser um instrumento dessa jornada”, assim diz Izan Petterle.

Veja mais:

http://viajeaqui.abril.com.br/national-geographic/blog/novo-olhar-pantanal-274807_comentarios.shtml?8166701#comente  

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Febre

Febre e sonhos, tudo a ver
Sabe os sonhos movidos ao estado febril? São diferentes, muito diferentes. Tudo é amplificado, e aparecemos no interior de turbilhões, no olho do furacão. Às vezes são ondas gigantes que nos arrastam, longas estradas que nunca chegam. Nesse estado, tenho um sonho recorrente: um gigante tenta pegar com suas imensas mãos objetos pequenos, como agulhas, folhas de papel. A agonia é essa: a impossibilidade. Essa impossibilidade gera no sonhador um estado tão aterrorizante, que não é raro acordar ofegante, suado e aliviado pelo despertar. Como é bom nesse momento, ter uma mão amiga, nos amparando e confortando, com palavras carinhosas de que “foi um sonho, já passou.”


Intransponível

Ontem a noite foi assim. Estava febril, efeito de uma amigdalite conseqüência de um final de semana pra lá de quente. Muito banho gelado (como se fosse possível), muita bebida gelada (como se fosse possível), ventilador a mil, ar condicionado a dois mil. Resultado, doente.

Pois é, ontem estava enjoadinha, cansada, desanimada, sem apetite e com muita dor... Resultado: entrei no antibiótico (isso mesmo, automedicação), fazer o quê? Enquanto o efeito do “mardito” não vinha, tive meus contatos extrasensoriais.

Incompreensível

Sonhei que havia ganhado um livro, com uma dedicatória. Lembro-me da primeira e única palavra manuscrita e intelingivel: “kirida”, o restante era um emaranhado de garranchos, que era impossível entender. Depois me vi num salão imenso conversava com uma mulher idosa, desconhecida, numa situação confusa, novamente a questão era um livro. Perguntava como havia conseguido pegar, tinha um poço perto... E eu tentando justificar, finalmente ela disse não estar chateada e sumiu de cena. Depois estava eu tentando falar com algumas pessoas, como numa sala de aula. Nisso entra um senhor de bigode (parece um personagem do Chico Anysio ou de A Praça é Nossa), que me interrompe. Tento argumentar, ele responde com uns grunhidos. Ele grunhe pausadamente, ininterruptamente, como respondendo a perguntas. Tento argumentar que está me atrapalhando, mais nada o faz parar. Agonia-me não entender seus grunhidos.

De repente, acordo. Dou aquela verificada, me situando. Estou mesmo no meu quarto. Começo a rir. Constato que a pessoa, dono dos grunhidos, com quem estava tentando dialogar, no sonho, era o ronco do Lorenzo, que dormia o sono dos justos.
Era você, né?


Freud explica?




terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Aniversário em dezembro? Furada

Blogueiro muito tempo atras
Blogueiro vai emplacar 5.2 e pede presentes. Neste TM não usamos dar títulos aos textos. Então, a frase inicial pode sugerir a manchete do dia. É isso mesmo. Dia 23, quase Natal, é meu aniversário. Por isso trago em meu nome o Jesus. Nasci com uma das pernas meio torta e vovó Mita achou que o nome de Cristo me ajudaria. Ajudou. Mas isso já faz parte do meu passado e o assunto da hora diz respeito às minhas preferências em relação ao presente que você, caro leitor ou leitora, pode me dar em meu natalício.
2010 foi um ano de viagens internacionais para mim. No início do ano, viajei pelo Chile e pela Argentina, conhecendo novos e maravilhosos lugares. Depois, de setembro a outubro, visitei cidades em seis países europeus. Voei alto. Conheci os Andes e os Alpes... Me esbaldei na neve, em Bariloche, passeei por Veneza, Florença, Londres etc... Entre os ditados que mais gosto está um que aprendi num filme antigo, não me lembro qual. Sei que é um ditado de Singapura (ou Cingapura): “O amor é a refeição da vida. Viajar é a sobremesa”.  De fato, viajar, é show de bola. Daí, que o primeiro presente da minha lista é uma passagem de avião para, quem sabe, conhecer as ilhas gregas, ou o Egito. Acho que mereço. Há possibilidades de negociar essa passagem para um outro país aqui na América do Sul mesmo.


Em Bariloche: Bob Pai e Bob Filho

Nos Alpes
Outro presente que me cai bem é um belo quadro. Uma nova obra de arte, para embelezar minha casa. Certa vez, não me lembro quando, num aniversário de uns trinta e poucos anos, o Adir Sodré me visitou e trouxe um quadro lindo de presente. Arte é um presente que sempre me emociona.
Posso pedir um presente que não seja necessariamente de ninguém, ou de qualquer pessoa. Uma sugestão para ver este ou aquele filme... Sou um pouco exigente em relação ao gosto pelo cinema. Alguns dos filmes que me emocionaram muito e que assisti nos últimos dois anos, são “Dead Man”, “Deixa ela Entrar” e os filmes do Wong Kar-Wai. Se você conhece algum filme que acredita que vale por esses, sugira aí, vai...   

 Agora vamos de música. Algum CD ou DVD de um sujeito chamado Django Reinhardt vai me cair como carícia aos ouvidos. Sei que está sendo lançada a “Caixa Preta”, vários CDs que reúnem o conjunto da obra do incrível Itamar Assumpção. Ainda não tenho também o CD lançado recentemente da Teresinha Prada. Qualquer um desses aí tá valendo.

E a literatura, essa danada, rende bons presentes. Uma publicação sobre a qual li há poucos dias, reedita João do Rio, jornalista, cronista, tradutor e teatrólogo brasileiro, que viveu em torno da passagem do século XIX para o XX. Outro autor brasileiro (olvidado), do qual, gostaria de ter um livro na minha estante é Campos de Carvalho.


Aniversário em dezembro é furada: Um presente só, quando ganha





segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A Rede Social


David Fincher
Para assistir um filme minha principal referência sempre foi o diretor. Há medalhões como Martin Scorsese, Pedro Almodóvar, Woody Allen, Tim Burton, Jim Jarmusch (citando alguns que ainda estão vivos e produzindo); os quais conheço bem, cujos filmes considero imperdíveis e nem me interessam as críticas sobre seus filmes... Vou, porque sinto necessidade de ver com meus próprios olhos e tecer minha opinião.

E há diretores que já têm uma filmografia consistente, mas que ainda espero mais deles, como é o caso de Quentin Tarantino, Alejandro Iñarritu, Hal Hartley e David Fincher, este último, objeto maior deste texto, pelo seu “A Rede Social”, que estreou na última sexta. No sábado, na matinê, lá estava o Tyrannus conferindo a mais nova obra do cineasta que dirigiu filmes como”Clube da Luta”, “Zodíaco”, “Seven” e “O Curioso Caso de Benjamin Button”.

O verdadeiro

O ator
O filme narra a história do surgimento do Facebook, uma rede social da internet, que conquistou o mundo inteiro, com mais de 500 milhões de pessoas plugadas. Fincher narra com uma realismo impressionante a trajetória do genial Marc Zuckerberg, desde quando era estudante de Harvard. É imprencindivel citar o notável desempenho do jovem ator, Jessie Eisenberg, ainda pouco conhecido, apesar de atuar desde o início dos anos 2000. Também estão no elenco outros atores jovens como Andrew Garfield, Brenda Song, Rooney Mara e o descolado Justin Timberlake, entre muitos outros.

Com esse elenco jovem e trabalhando uma história real, que diz mais respeito a adolescentes e jovens, David Fincher deita e rola criando um clima com muita verossimilhança. Ele produziu uma ambientação perfeita, com personagens que a gente parece encontrar no dia a dia, amparados por diálogos pra lá de realísticos. O filme tem um ritmo moderado que combina com a narrativa e o resultado final é muito convincente.



Justin Timberlake e Jessie Eisenberg,
respectivamente Sean Parker e Marc Zuckerberg

“A Rede Social” é o retrato do mundo moderno, onde a internet é uma ferramenta básica e ainda não foi explorada em todo o seu potencial. Estão por cima aqueles que dominam essa ferramenta que chegou para ficar e mudar comportamentos, conceitos e toda uma visão de mundo.

É curioso perceber como David Fincher, que já beira os cinquenta anos, parece se sentir muito a vontade nesse mundo que é dominado  pelas gerações digitais. Em outros filmes de Fincher, vale frisar, a ambientação e a criação dos personagens também é perfeita ou quase isso. O que leva a crer que estamos diante de um diretor que domina a arte do cinema, mas também conhece bastante da alma humana.



A história da criação do Facebook é cheia de controvérsias e disse-me-disses, foi passada de forma isenta e isso possibilita que cada telespectador entenda e avalie por si mesmo, se houve ou não sacanagem e da parte de quem. Eu, particularmente, achei o Mark  Zuckerberg mostrado por Fincher, meio babaca e meio sacana, além de genial. Mas seu comportamento, até certo ponto, parece ser justificável diante de alguns aspectos da trama. Mas isso não tem muita importância, porque em cinema, como em literatura, não é a história em si que vale, mas sim a forma como ela é narrada. E isso David Fincher sabe fazer com maestria.

Vale a pena assistir “A Rede Social” e até o próprio Mark Zuckerberg, que assistiu o filme ( a direção do Facebbok, a princípio, foi contra sua realização) recentemente, disse que gostou.  

domingo, 5 de dezembro de 2010

Bicampeão Brasileiro 2010

Tyrannus começa com T. T de tricolor. De coração.

Nasci em Niterói e os nativos dessa cidade são chamados de fluminenses. Ou papa-goiabas. Diferente da minha mãe que é papa-banana, aqui de Livramento (MT). Mas o que interessa é que sou torcedor do Fluminense e que sofri que nem cachorro em dia de mudança, até ver meu time se sagrar campeão brasileiro neste domingo, depois de 26 anos na fila.

Assisti ao jogo pela TV paga. Mas só até aos 20 minutos do segundo tempo, mais ou menos, porque um temporal caiu em Cuiabá e interrompeu tudo. A energia caiu e... babau. Só deu tempo de ver o golzinho único do Fluzão e tchau.

Sofrimento...

Dor...

Coragem

Depois disso monitorei o jogo pelo telefone celular, através de mensagens, conversando com minha irmã, Mônica, que mora no Rio. Aqui em casa, como não temos rádio a pilha (ainda existe isso, é verdade), ficava esperando as msgs pelo celular...

Fiquei também de olho na movimentação e no foguetório da vizinhança. Quase em frente a minha casa residem uns cruzeirenses e percebi que o Cruzeiro tinha ganhado do Palmeiras. Como não teve foguetório mais ruidoso, desconfiei que o Corinthians não tinha feito o seu dever de casa. Não conseguiu ganhar do Goiás. Empacou... Ops, empatou lá em Goiânia.

Ilustre tricolor: drama era com ele mesmo
Aí, então, né... Veio a mensagem da Mônica. Era o que eu esperava. O Fluminense de Conca, Fred, Murici e Washington, porque não ele..., que ainda deve estar vitimado por algum congá, se sagrava bi-campeão brasileiro. Nelson Rodrigues, que era tricolor, que nem eu, dizia que o futebol é a pátria de chuteiras. Acredito...


Explosão de alegria (detalhe: barriga e cofrinho) 
Hoje, bi-campeão, com méritos e num campeonato emocionante, além de tricolor, me confesso também um pouco mala. Nem mala preta, nem branca. Mala, apenas para curtir e ‘tirar’ em cima daqueles que torciam contra o Fluminense.
O maestro
 
Conca, tango e samba
Depois que a energia voltou e o sinal da TV paga também (sabem como é... Esses serviços eu pago religiosamente, mas eles falham e a culpa é atribuída aos fenômenos meteorológicos), ainda tivemos a paciência para registrar algumas imagens do jogo e postar aqui. Parabéns aos tricolores e aos amantes do futebol que sabem torcer civilizadamente, sem coices, pontapés, pedradas, mortos ou feridos... Porque futebol é também alegria.    











sábado, 4 de dezembro de 2010

WikiLeaks, vazamento que incomoda

Vazamento incomoda...
 A gente aqui neste mundinho real, assim meio sem porteira, e o mundão virtual pegando fogo nos últimos dias. No centro das atenções, o site WikiLeaks, que foi sacado da web numa manobra cibernética (mas já voltou), depois de incomodar poderosos com o vazamento de informações secretas (ex-secretas, melhor dizendo)  obtidas por meio de “telegramas” de embaixadas e do governo estadunidense.  O site é definido como uma organização transnacional sem fins lucrativos, sediada na Suécia, destinada a livre publicação de informações obtidas por fontes anônimas, documentos, fotos e informações confidenciais, vazadas de governos ou empresas, sobre assuntos sensíveis.

Este cyber espaço enxaqueca, dizem, na web, foi fundado por dissidentes chineses, jornalistas, matemáticos e tecnólogos da Europa e de países como os EUA, Taiwan, Austrália e África do Sul. O australiano Julian Assange, jornalista e ciberativista é o diretor do WikiLeaks. No último dia 30, poucos dias após uma postagem barra pesada,  a pedido da justiça da Suécia, a Interpol distribuiu em 188 países, uma notificação vermelha, colocando Assange como procurado pela polícia, por causa de uma acusação de abuso sexual contra duas mulheres na Suécia.

Olhar frio e cortante de Assange
  Assange, que a gente saiba, está sumido, até o momento em que estas informações são postadas. Mas, nesta sexta (03-12), ele divulgou na mídia internacional que o WikLeaks está na web em outros endereços  (http://wikileaks.de/, http://wikileaks.fi/ e http://wikileaks.nl/) localizados respectivamente na Alemanha, Finlândia e Holanda. E disse também que as informações que detém já foram enviadas para um grande número de outros endereços virtuais. Assange registrou, ainda, que está sendo vítima da privatização da censura. Fica a impressão de que não tem mais como calar o sujeito. Ou melhor, como conter esse processo de vazamento de informações.

O site motivo da celeuma foi lançado no final de 2006 e quase um ano depois já continha 1,2 milhões de documentos, que fariam qualquer Michael Moore babar. Nesse acervo nebuloso, questões delicadas sobre a geopolítica mundial como as guerras do Iraque e do Afganistão. 

É curioso saber que o WikLeaks recebeu vários prêmios para novas mídias, incluindo o New Media Award 2008 da revista The Economist. Em junho de 2009 faturou o Media Award 2009 (categoria "New Media") da Anistia Internacional. Em maio deste ano o site foi referido como o número 1 entre os "websites que poderiam mudar completamente o formato atual das notícias".
De cyber pensador premiado e revolucionário, Julian Assange agora é  o vilão, procurado pela Interpol, por assedio sexual. Me faz lembrar aquele bordão de um antigo programa humorístico: ‘não precisa explicar, eu só queria entender’.

Da provável fonte do WikiLeaks, o soldado americano, de 22 anos, preso desde maio o comentário: “Deus sabe o que acontecerá agora. Espero que haja uma grande discussão mundial, debates, reformas”. Representantes do Partido Republicano, pedem a condenação à pena de morte.

Nesta altura dos acontecimentos cabe lembrar a antiga teoria sobre a Indústria Cultural, muito badalada no final dos anos 40, especialmente pelos filósofos e sociólogos alemães Theodor Adorno (1903-1969) e Max Horkheimer (1895-1973), da Escola de Frankfurt.  O conceito de Indústria Cultural veio para definir a conversão da cultura em mercadoria e da utilização de veículos como televisão, jornais e rádio – naqueles tempos não tinha a internet – pelas classes dominantes, com o objetivo de disseminar suas ideias conformistas e manipular a população. Já ouviu essa história, ô meu?


Theodor Adorno: pensador e o espelho do futuro


quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Noroeste de MT: Expedição científica


Protegendo a natureza... humana?

Em casa de ferreiro, espeto é de pau. Até parecia que no Tyrannus melancholicus ia pintar com frequência textos e artigos sobre a área ambiental. Mais ainda não tinha se sucedido tal momento. Aí agora, enfim, pintou...

Final de ano e mais uma viagem de campo para a Vila Guariba. Você imagina onde é? – Fica ali quase que inscrustada na  linha seca, divisa de Mato Grosso com o Estado do Amazonas. Linha seca... sabe o que é, né? 
Vila Guariba, na seca

Vila Guariba, nas chuvas
Lá no Guariba me reuni com com uma rapaziada que planejou e logo partiu para uma expedição científica. Começou dia 1 e termina no dia 20 de dezembro. É um trabalho em parceria da SEMA com o WWF-Brasil, com objetivo de fazer um levantamento rápido, de mamíferos, peixes, aves, vegetação, qualidade das águas e socioeconomia da Estação Ecológica do Rio Roosevelt, da Estação Ecológica do Rio Madeirinha, Parque Estadual do Tucumã e Reserva Extrativista Guariba Roosevelt. Uns 500 mil hectares de floresta virgem (?).  

Oh, não é só rapaziada , tem moçada também, de tudo quanto é lugar e de todas as idades. Cada um desempenhando  sua função, todas importantíssimas: piloteiros de barco, motoristas, ajudantes de campo, cozinheira, piloto de avião, pesquisadores, jornalista, fotógrafo...   loucos pra embrenhar na última fronteira de floresta nativa de Mato Grosso. 

O bando de loucos!!!!!! 
Esse pessoal vai passar dias se sacudindo em estradas de terra, navegando por rios amazônicos em terras matogrossenses e voando por um céu pesado, cor de chumbo, prestes a desabar. O tempo (meteorologia) nessa época do ano é uma incógnita, tudo pode acontecer para ajudar ou atrapalhar o trabalho.

Sabe lá o que é descer o Rio Roosevelt (antes, Rio da Dúvida, homenagem ao presidente americano, Theodore Roosevelt, que desbravou esse mundão. Mas, dessa feita mero  coadjuvante de  um brasileiro, ilustre cidadão de Mimoso e porreta, conhecido como Marechal Cândido Rondon) até o estado do Amazonas e aí subir  o rio Madeirinha,  em Mato Grosso, abrir picadas, montar acampamento e depois retornar pelo mesmo caminho? São dias e mais dias de trabalho com a participação especial de milhares de piuns.

O que chama atenção nesse grupo é o uso escancarado de tecnologia. São os naturalistas cibernéticos (trena a laser, máquina  fotográfica que registra fotos com 360° e outras parafernálias). Tudo muito prático, fácil ... pra eles, que nasceram com o DNA do Vale do Silício. Pra nós, simples mortais, usar essa tecnologia é o fim. Shapes files e os milhões de comando, não é pra minha geração. O basicosinho tá bom. Constatar o esforço e entusiasmo destes naturalistas cibernéticos é muito bacana, pois eles conseguem dados e geram informações com muita rapidez para que sejam  tomadas  sábias decisões.  Um bando de loucos, loucos pelo conhecimento!!!!!!!!!!!!!!!!    

Pra quem não conhece, vai aí uma sequência de fotos da Amazônia Matogrossense:

Campo Novo dos Parecis

Chuva, no Planalto do Parecis
A caminho de Colniza
Toras e mais toras, da floresta
Até que... tomba

Melhor não desdenhar, a viagem é longa


A tragédia da Medusa Amazônica 

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Bloco do Eu Sozinho


Pode uma pessoa entrevistar a si mesma? Porque não?

Lobão entrevista a si mesmo na MTV. O craque Rivaldo, ex-seleção brasileira de futebol, que jogava numa equipe periférica fora do Brasil, retorna e compra um time onde é presidente e jogador. E sai o DVD “Bloco do Eu Sozinho”, do ex-los hermanos Marcelo Camelo. Quer mais? “O Eu Profundo e os Outros Eus”, de Fernando Pessoa, ou a técnica literária ‘monólogo interior’, na qual Clarice Lispector era imbatível. O que tudo isso tem a ver com o Tyrannus? Resposta: tudo eu, eu, eu, eu... Um blog é assim. Coisa meio tirana. Quem decide é quem posta. Meio assim, meio assado, hoje a gente tá mais pra Melancholicus.

Essa relativa tristeza vem do meu cotidiano. Um jornalista, editor, normalmente fica algumas horas de sua jornada diária numa redação. Numa redação gravitam os principais acontecimentos que serão reportados. Esta quarta-feira que está quase terminando enquanto escrevo foi barra. Bang-bang no camelódromo, com morte; uma caminhonete hillux derrubou um baita poste de concreto; e parece que estava rolando uma revolta, com reféns e gente baleada, num dos presídios de Cuiabá. Muita coisa ruim acontecendo. Essa história do presídio, friso, não procurei checar. Só estou mostrando que as pautas, prováveis ou não, que rolaram na redação enquanto eu estava por lá, arrefeceram meu bom humor. Cheguei a fazer uma piada que talvez não deveria. Disse para a repórter que trabalha nessa área: ‘Você vai voltar com seus sapatinhos sujos de sangue’.

Ao chegar em casa nem sabia direito sobre o que escrever. Tomei providências: tirar o tênis e as meias e ficar descalço, lavar a louça e fazer comida. Uma rotina doméstica, no meu caso, ajuda a sedimentar o raciocínio. E a fluir uma energia boa. O lar é sempre o lar. Mas continuei triste...  

Na foto de Rafael Manzutti a poesia e a criançada
Então, me lembrei das felicidades do dia anterior, cheio das poesias. Presenciei o lançamento do livro “Arco-íris”, de poesia infantil, da Rosana Caldas. Lá me emocionei com menininhas entre seis e dez anos declamando versos. Um dos poemas versejava sobre uma lagartixa. E isso me transportou para as várias lagartixas (essas de parede) que existem aqui em casa, e que são espreitadas pela Nikita, a gatinha predadora que coabita no QG do Tyrannus. Então...

Então, minha memória foi mais pra trás, nos tempos em que me mudei aqui para o Recanto dos Pássaros, bairro que habito desde 1986, mais ou menos. As casas foram construídas após toda a área ter sido derrubada indiscriminadamente. O que era pra ser, conforme o nome sugeria, Recanto dos Pássaros, tornou-se uma espécie de Recanto das Moscas. Foi então que recebi um dos presentes mais originais, ao longo da minha discreta existência, que já supera meio século. O compadre Edmar me trouxe, numa caixinha (nem sei se ele se lembra), uma dessas lagartixinhas de parede, comedoras de moscas. De lá pra cá, as moscas foram diminuindo, e a população de lagartixas vai muito bem, obrigado, apesar dos predadores de plantão. Agora estou mais feliz.

"Nikita, predadora e perigosa", parece nome de filme


Essa aqui embaçou, perdeu o rabo, mas não a vida