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quinta-feira, 27 de setembro de 2012

jacinto confúcio

Jacinto flor

Queríamos fazer conjecturas sobre a cobertura do julgamento do mensalão, lá no STF em Brasília. Aguardamos estáticos na sala, virtualizados, na companhia do laptop e da televisão, que tem vários canais transmitindo diariamente a peleja das coisas por lá. Parece até apuração de desfile de escola de samba. E nós na torcida. Quando um voto “vai de encontro” ao dado pelo Ministro Joaquim Barbosa é aquele Ahhhhh!!!!!!, uníssono. E essa parada, "justiça seja feita", anda roubando a cena. Tem feito mais sucesso que o bacobaco das eleições municipais. 

Por enquanto, a única coisa que temos certeza, é que se dependesse do nome dos que estão sendo julgados, pelo menos um deles já estaria de mal a pior. Ora, Jacinto Lamas não é um nome. É um fardo para quem está numa embrulhada dessas. O sujeito deve estar sendo alvo de toda a sorte de trocadilhos. 

Jacinto...
Mas é melhor não enveredarmos por esse lado. Sabe o que é, é que vimos uma pesquisa hoje onde se registra que a liberdade na internet está em queda de 2011 pra cá. Dos 47 países avaliados, 20 estão andando pra trás. O Brasil, ao contrário, melhorou um pouquinho e está em décimo primeiro lugar. Os países são classificados entre livres, parcialmente livres e não livres. Deus nos livre dessa última classificação.

China, Cuba e Irã são cabeças de chave nesta reacionária lista. Usou a rede para se expressar politicamente cheio das liberdades e questionamentos, pode crê que o pau vai comê! Na Estônia, sabe a Estônia? Nem eu. Mas dizem que a liberdade digital caminha pra outro lado. Internet cada vez mais livre e acessível. O país está em vias de aplicar aulas de programação para alunos do primeiro grau das escolas públicas. Bacana, hein?!  Imagina se a moda pega e chega aqui no Brasil, em Mato Grosso, em Acorizal. Que maravilha seria...


Negócio complicado hoje aqui com o texto. Dispersando demais. É mensalão, é liberdade na internet... até Acorizal entrou na parada hoje. Escrever é algo que tem a ver com improviso sim senhor. As palavras vão brotando aos borbotões e quero ver segurar. Mas já que “falamos de improviso”, vem à memória o “Chapada in Jazz”, que começa nesta sexta e vai até domingo. Além disso, vale a pena conferir a apresentação a “Mostra de Musical Instrumental”, nos dias 28 e 29 na Igreja de Santana e no Circo Pirathiny, respectivamente. Só santo e prata da casa.



Música, música na Chapada. A apresentação do grupo paulistano Tangata, que faz um mix de jazz com tango, promete, nesta sexta. E no dia 27 de setembro, que vai bailando enquanto postamos, comemora-se o dia do cantor. “Solto a voz nas estradas...” Cantar faz bem pra alma... Piriri, pororó, patati, patata etc e tal, e para... para tudo, parafuso. Pra fim não confuso, vá de Confúcio, que comemora nesta sexta 2.563 anos.  

"Para onde quer que fores, vai todo, leva junto teu coração"

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Leitura criativa

Botero


"Jovem com habilidades nas novas tecnologias e muita vontade de aprender solicita orientação para se tornar seletivo e investir em seu enriquecimento cultural". Um anúncio hipotético. Bem que poderia ser verdadeiro.  Não o é, mas, é uma constatação. Misture ficção com realidade e quem sabe a gente chega lá, nessa propaganda digna de um classificado que poderia ser rotineiro numa sociedade evoluída.

Faça de conta e imite a realidade que te cerca. Desenvolva essa ideia em palavras, criando seus personagens. Invente do jeito que quiser e, depois de pronto o texto, coloque lá embaixo aquele esclarecimento de que qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência. Todo mundo vai acreditar, embora, conforme o grau de intimidade, alguns vão rir da sua cara de pau. Você também pode fazer como boa parte dos escritores que repelem o caráter autobiográfico de seus escritos.  Até parece que é fácil fazer isso.

Berthe Morisot

Susan Dorothea

A declaração de uma professora de universidade carioca que denuncia a falta de mediadores para incrementar o hábito da leitura entre os estudantes do ensino médio. Sua fala é motivada por pesquisa realizada no Rio de Janeiro, onde se registra algo semelhante à chamada inclusão digital. Porém, o quanto essa acessibilidade influencia no hábito da leitura deixa muito a desejar. O diagnóstico conclui que precisamos de mediadores para levar esses jovens à introdução das benesses literárias encontradas na internet.





Bom, primeiro, sobre benefícios que a literatura traz, o que vem à cabeça de imediato é uma sucessão de questionamentos e crises existenciais que a boa literatura costuma trazer. Isso, pelo menos, segundo o Marcelo Mirisola, escritor talentoso e talvez demasiado contemporâneo. Depois dessa consequência, que pode ser considerada assim meio "desastrosa", o que vem é lucro. Quem lê bastante e é seletivo, desenvove a criticidade, a imaginação, a capacidade interpretativa, o vocabulário... etc. E às vezes se mete a virar ou querer virar escritor também. Nesses casos, está tudo perdido. Perdido, que fique claro no melhor sentido.

Mas, voltemos à mestra que apresentou a questão, que tememos estar distorcendo um pouco aqui. A grosso modo, o que combina com ser grosseiro, parece ter ficado nas entrelinhas que os tais mediadores, espécimes ausentes no mercado da educação, seriam pessoas (profissionais) que tivessem um bom conhecimento de literatura e bem despachados em termos das tecnologias digitais.

Anita Malfatti



Ficamos aqui pensando nos salários e nas condições de trabalho que são oferecidas aos professores, acreditamos que em quase todo o Brasil. Ora, um profissional que sabe combinar boa literatura com ferramentas digitais, certamente, se comunica bem e não é tolo. Com esses predicados, por mais idealista que seja, vai encontrar um emprego que oferecerá melhores condições do que ser professor do ensino médio.

Van Gogh


Depois de colocar na berlinda os raciocínios expostos pela professora, chegou a hora de fechar o texto. Mas, antes, também dar a cara a tapas. Não há nada de ficção no que escrevemos. E a exposição do tema, reconheçamos, se deu de forma simplória. Isso combina com um traço de humor que gostamos de imprimir nas palavras do Tyrannus. O que a gente mais quer é vibrar com novas linguagens que ajudem a propagar a herança cultural vastíssima!

Salvador Perez Bassols

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

E o vento levou...


"Eu sou a mosca, que pousou na sua sopa"
E não rolou mesmo. A sopa foi parar na geladeira e a pipa não decolou. A reviravolta nos rumos da questão autoral na internet ainda não vai acontecer, pelo menos nos próximos dias. Semana passada soubemos que Hollywood ("quem" ou "o que" lá da meca do cinema americano, não sabemos) teria doado 14 milhões de dólares para que os parlamentares americanos aprovassem os projetos de lei "Stop Online Privacy Act" (Sopa) e "Protect Intelectual Property Act" (Pipa), que pretendem (?) barrar a pirataria e a violação de direiros autoriais na internet.

O assunto é complicado. A chegada da internet e a expansão da tecnologia bagunçou geral. O que é piratear e o que é democratizar o acesso às informações e à cultura parecem ser conceitos, atualmente, separados por uma linha tênue. A impressão é a de que o mundo ainda está aprendendo a lidar com isso e qualquer atitude mais radical tende a ser mal sucedida.

E foi assim. Bastou que fosse anunciada a votação dos projetos, prevista para esta terça (24), que uma grande mobilização no mundão virtual botasse pra correr com o rabo entre as pernas os articuladores dessa proposta. Faz horas que pretendíamos escrever sobre o tema aqui, mas eita conversa complexa essa. No protesto contra a votação Sopa/Pipa estavam o Google e a Wikipédia, cyber gurus deste mundochipbyte. Que nem maria vai com as outras, e com alguma experiência que temos como usuários da web, fomos no rastro deles: abaixo a sopa e a pipa.

Internautas na rua

Bom, sopa é uma expressão antiga cá pra nós brasileiros. Como diz uma amiga "do tempo dos Aphonsinhos". O que é sopa, "é moleza". Além de um alimento fácil de mandar goela adentro. Mas a sopa que estava pra ser apresentada no congresso americano não tinha nada de moleza. É pedreira da braba. Sopa de pedras? Coisas de Pedro Malazartes.



Minha pipa tá no ar, expressão que significa que a pandorga, o papagaio de papel, pandorga ou cafifa, ganhou altura. Pipa é um brinquedo que remonta a antiguidade. Consiste em montar numa estrutura de varetas de bambu o folha de papel manteiga, fixado com cola. Para brincar basta fazer oposição à direção do vento. Mas a pipa lá dos parlamentares dos EUA, ainda bem, não subiu aos céus. Vai ver que sua linha tava cheia de cerol.





Essa é uma briga pra cachorro grande

Fica assim. Sem sopa e sem pipa. E o post de hoje é ilustrado com imagens pescadas na web, e com base em informações que também nos chegaram, rapidinho, através da rede mundial de computadores.

Sopa fria? Só gazpacho

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A força das redes


"Que país é este que junta milhões numa marcha gay, outros milhões numa marcha evangélica, muitas centenas numa marcha a favor da maconha, mas que não se mobiliza contra a corrupção?" (07/07/2011 Juan Arias, correspondente no Brasil do jornal espanhol El País).

Precisou um gringo constatar publicamente essa característica do povo brasileiro. E ele parece ter mesmo razão. Manifestações políticas, passeatas, barricadas são imagens que alguns viram, outros participaram, outros assistiram pela TV ou cinema. Movimentos que marcaram a década de 70, antes da ditadura. Mas... os tempos são outros. Há sim uma luz no fim do túnel.

As indignações estão sendo postas e expostas na internet, nas redes sociais. Mas não só indignações. Uma forma de comunicação ainda não mensurada em toda a sua abrangência vem sendo praticada ordenada e desordenadamente. Mobilizações surgem com uma teclada que se propaga fugazmente, ditadores caem, revoltas e confusões se estabelecem. Políticos, como Barak Obama, se utilizam de forma inteligente da rede mundial de computadores e se consolidam.




A força opressora de poucos poderosos tende a perder espaço. Uma revolta democrática se alastra com a tecnologia. Castradores, canalhas, déspotas, corruptos e corruptores precisam ser nossos alvos. Vão dançar, esperem pra ver!!! Quanto tempo? E como explicar ao jornalista espanhol porque o Brasil não consegue se mobilizar contra a corrupção? Aparentemente, o Brasil, apesar de ser um país que nada de braçadas na tecnologia da informação, ainda não está sabendo tirar proveito dessa realidade.

João Arruda Falcão escreveu na Revista Interesse Nacional o artigo "A Internet e as eleições de 2010 no Brasil". Um texto que apresenta impressionantes dados estatísticos. Os números mostram a dimensão e o poder da internet e das redes sociais: um em cada três brasileiros está conectado à internet (aproximadamente 70 milhões de pessoas), 79% fazem parte de redes sociais (equivalnte a 55 milhões de usuários). O Brasil é o quarto país onde mais se lêem blogs: são dois milhões e seiscentos mil brasileiros atualizando diariamente seus blogs. Entre eles, o Tyrannus.


São 492.750 horas de conteúdos inseridas no YouTube por ano, enquanto a Rede Globo produz 4.500. Falcão diz que hoje as redes sociais agregam jovens qualificados, mas futuramente vão aderir as pessoas sem barreiras de idade, de formação, cultural e/ou profissional. Fica uma impressão que estamos devendo a nós mesmos, pelo menos enquanto esperamos por um futuro que está quaaase chegando.

Os corruptos não merecem nada. Paredão é só o nome de um pacato lugarejo que fica na estrada de Cuiabá para Barra do Garças.


Paredão, uma das paisagens mais lindas de MT

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Desolação

Desolação do Lorenzo by Van Gogh
Sim. Fomos derrotados novamente pela tecnologia, associada aos serviços ruins de internet que pelo menos duas empresas que atuam na telefonia em Cuiabá oferecem. Desde quarta-feira nosso blog estava ilhado, estilo Robinson Crusoé, aqui no Recanto dos Pássaros. Vocês sabem que o Tyrannus Melancholicus é um pássaro, o Siriri (dançou), amarelinho mais claro que o Bemtevi. Então é natural que ele precise do seu espaço, já que é um passarinho territorialista, pra cumprir sua missão.


Sabe aquela história de MBA que eu, particularmente, acho um saco, mas todo mundo diz que funciona. Então, nosso blog tem lá a sua missão. E conceito. É uma espécie de veículo de comunicação que preza muito a natureza e a ambiência onde é feita a postagem. Nossos textos têm que ser inseridos daqui de casa, quase sempre de noite, depois de um dia inteiro de formalismos profissionais. O ambiente do nosso lar é o ideal pra gente escrever o que pensa, tendo compromisso unicamente o prazer da comunicação. Compartilhar ideias, provocar reflexões, brincar, tripudiar, informar às avessas, curtir etc. Escrever aqui no Tyrannus, acima de tudo, tem sido isso: uma atividade prazerosa.


Alegria da patroa, sem telefone e internet (Van Gogh)

Bom, quem pisou na bola conosco foram a Oi e a GVT. A Oi vinha oferecendo uma conectividade sofrível praticamente ao longo de 2010, mas a coisa piorou em dezembro, até que, finalmente, a gente migrou para a GVT. E a GVT veio aqui em casa no sábado passado (15/01), fez a gente madrugar (brincadeira essa história de acordar antes das oito num sábado), trocou a fiação e prometeu que nesse mesmo dia teríamos acesso à rede.


O rapazinho que veio fazer o serviço atravessou um fio de um telhado (da varanda do fundo) para outro (do escritório), que ficou uma coisa parecendo um varal de roupas acima da altura padrão. Uma beleza, imaginem. E depois saiu rapidinho, dizendo que era pra gente ligar na GVT pra configurar o moden. O cara já tinha se mandado, quando a gente ligou pra GVT e aí a mentira pegou. A internet, a exemplo da nossa telefonia, só passaria a funcionar na terça (18/01). Putz, que sacanagem.     

Não quero nem ver 
Então, é isso aí. Uma tristeza lascada, um vazio incomensurável e um ócio nada criativo. Acho que a coisa mais produtiva que fiz no final de semana passado, excluindo um certo requinte na gastronomia, que é comum em nossos sábados e domingos; foi plantar uma bocaiuveira, presente do Nicola, um cuiabano descendente de gregos, mais de “chapa e cruz”.


A jovem bocaiuveira

E espero que não seja preciso ela crescer pra nossa internet voltar, porque eu não consigo mais controlar essa vontade que sinto de mandar todas essas empresas de telefonia catar coquinho. Lá no asfalto, lá fora... Bem longe daqui.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Internet em Londres... Elementar

 Furada e roubada esse negócio de internet, em viagem internacional. Pelo menos é isso que se configurou aqui em Londres. Aí, no quase saindo do terceiro mundo, você encontra internet sem fio e grátis, dizem que até na Vila Guariba, em Colniza (MT). Aqui em Londres é paga tudo quanto é lugar que a gente viu. O facilitador wifi é pago no cartão de crédito, com um atravessador digital que você nunca viu. Barra, ser caipira. Esse negócio, negócio messssmo, de inclusão digital, democratização é conversa ou não é bem assim.

Na verdade instalou-se como um novo vício nas nossas vidas, um vírus, daqueles que não conseguimos mais nos livrar. Parecido com a história do açúcar, lembra-se? Fico imaginando as primeiras pessoas que depois de experimentarem o açúcar não conseguiam mais beber café, leite, tea,  suco, garapa (eu tenho um amigo que até na garapa botou açúcar) e comer sem o “sugar blue”. Fico imaginando elas implorando só um tiquinho, pra botar na água com limão, pra fazer uma limonada. Igual ocorre com a internet, o que vale um computador sem tá ligado com o mundo. Vale uma máquina de datilografar.


Nun quarto de hotel,  casal se desespera com a internet

No nosso caso, onde a pretensão é compartilhar as experiências vividas aqui, através de imagens e palavras com vocês, o que tem acontecido é a geração de baita stress. Daqui a pouco, se vocês virem no noticiário que um casal brasileiro atirou um lap top pela janela do quarto de hotel, não vai precisar ser um Sherlock Holmes pra descobrir que fomos nós os culpados. Elementar, Mané.
Deixa de raiva, deixa a internet. Apenas uma ferramenta (buáaa). Sem a qual (buá de novo). Deixando o virtual de lado, bom demais isto aqui. E nada tão caro assim. Um belo jantar no domingo em que chegamos, por menos de seis libras, o que não chega a vinte reais. O tradicional peixe a batata fritos, com uma salada simples de repolho, tomate, outras folhas verdes, cebola e pepino. Como achei a salada muito saudável, dá-lhe maionese. E coca-cola. Como sobremesa, um delicioso chocolate suggar free.  
Num prospecto do hotel li que o café da manhã daria direito a lingüiça e até feijão. Dormi ansioso pelo despertar. Pela manhã, ovos, lingüiça, bacon e o tal feijão... Só que ele, o feijão, meio adocicado. Estranho. Com essa do feijão vou parando. Me alertaram que meus textos estão muito grandes...