domingo, 8 de abril de 2012

Sobre pai e mãe

O cineasta Adolfo Aristarain poderia ser pai do...
Sobre relações entre pai, mãe e filho... Dois filmes distintos e uma só origem: Argentina (em coprodução com outros países). Sobre pai e filho é o reencontro que dará os rumos que o destino deve seguir, enquanto que a relação entre mãe e filho é a história de uma vida, regada ao incondicional amor materno, o combustível que alimenta o futuro do filho, custe o que custar. Duas belas películas, dirigidas com maestria. Grande cinema argentino.  

...jovem diretor Daniel Burman
Maldito cinema argentino, do ponto de vista da eterna rivalidade que temos para com los hermanos. Bendito cinema argentino, por sua inegável qualidade. Elaboradíssimo na arte de fazer cinema, mas, principalmente, atado em roteiro muito bem acabado. A impressão que fica é que essa qualidade tem a ver com a boa literatura de nossos vizinhos. “As leis de família” (2006) e “Roma – um nome de mulher” (2006) nos comoveram. Lágrimas vertidas.

Não se trata de desmerecer o cinema brasileiro e nem querer compará-lo com o que a Argentina produz baseado do quesito “conquistar”. No nosso caso, de cada quatro filmes nacionais que tentamos assistir, no máximo, um conseguimos chegar até o final...  Já em relação ao cinema argentino, sinceramente, todos, ultimamente, têm nos envolvido e nos deixados grudados na telinha.

Em “As lei de família” a história gira em torno de pai e filho, ambos advogados, mas somente o pai vive de advogar, o filho é professor e defensor público. O foco da câmara é centrado no filho e na relação familiar que mantém com sua bela esposa e seu filhinho, um garotinho de 3, talvez 4 anos, com um carisma incrível.  O filme é um exercício para quem assiste, em nível daquela máxima que serve tão bem ao cinema, quanto à literatura: “a forma como a história é contada é mais importante do que a própria história”.



Elenco de "As leis..." 

De repente, numa determinada altura do filme, sua esposa viaja e o personagem assume uma relação mais estreita com seu filho, ao mesmo tempo que acontece uma reaproximação com pai. Esse talvez seja o grande clímax, mas estamos diante de um filme onde não há exageros, por que eles não são necessários. Daniel Burman, um grande e reconhecido realizador argentino, dirige “As leis de família”. Uma história comovente e contagiante, onde há muita ternura, como na vida real. Só é preciso saber como e quando essa ternura é oferecida para dela usufruir.

Em “Roma – um nome de mulher”, escritor argentino radicado na Espanha, acerta com sua editora que vai escrever uma autobiografia. Ele é um cara mal humorado e fechado, que aceita um jovem estudante de jornalismo, para ajudá-lo na tarefa. Mesmo sem querer estabelece-se uma relação, quase afetuosa. Mas a relação mais grandiosa que o filme narra não é essa...



Na medida em que a história avança, enquanto a vida do escritor vai sendo passada a limpo, surge a figura de sua mãe, Roma, mulher de afeto e sinceridade generosos que não mede forças para que o filho se realize na vida. Sozinha nessa batalha – perdeu o marido, músico,  quando o filho ainda era um garoto, Roma vai nos mostrar do que é capaz uma mãe, sem estardalhaços e sem encarnar o estilo latino.





O cineasta argentino Adolfo Aristarain se utiliza de uma fotografia muito intencional e com curioso trabalho de cores para contar sua história e brincar com os flashbacks. É incrível como consegue desenvolver as duas narrativas (presente e passado) tão bem contextualizadas e com personagens perfeitamente encaixados. Ao longo do drama, uma passagem ao largo pela história da Argentina, país que também teve seus anos de chumbo, mas nada de panfletarismo. O centro das atenções é mesmo a relação entre mãe e filho. Prato cheio para psicanalistas freudianos. Belíssimo filme!

Hum...humm

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