Todo dia a mesma situação. Mentira, têm dias que algo nos cutuca cedo e aí sabemos que quer se evadir. Noutros dias, quando chega a hora, é sempre um momento de tensão. Nas redações dos veículos de comunicação finalizar uma edição é o momento crucial diário. Qual vai ser a manchete principal, o que será que nossos concorrentes vão manchetar, o que vai despertar mais interesse do público leitor... São algumas das questões que passam pela cabeça aflita do editor. Por conta dessa dolorosa realidade, de ter que direcionar suas decisões a aspectos comerciais e à concorrência, ser editor é sofrer.
Ou não. Ele pode simplesmente ligar o piloto automático... Acontecimentos fortuitos, de última hora, podem desencadear um deus nos acuda e a finalização da edição pode sofrer uma reviravolta. É mais ou menos como em alguns setores, onde determinada palavra não se fala; ou nem se pensa em usar determinada cor na estreia e qualquer coisa pode ser uma premonição de que vai dar errado. Quando alguma personalidade famosa está por um fio pra sair fora deste mundo. Sobreaviso é a palavra da hora.
Mas, nessa conversa de morte, nem precisa se chegar à comunicação. Na intimidade, em nossos mundinhos particulares, já vivenciamos isso. Morrer é tabu. A sociedade, pelo menos a ocidental, ainda está longe de encarar os "passamentos" com naturalidade. Um amigo, por sinal já fora de cena, me contou de uma lista com nomes de umas dez pessoas e seus telefones que tinha numa página de caderno arrancada. O cara não tinha agenda. Nunca teve...
Era só um papel velho guardado numa gaveta perdida. Eis que um dia ao a saber do falecimento de uma dessas pessoas anotadas. Foi lá e riscou o nome. Passou mais um tempo, outro relacionado também se manda e é riscado da lista. E depois mais um. No espaço de menos de um ano, quatro pessoas da lista subiram ao andar de cima. O que o amigo fez? Foi até a gaveta e pegou a agourenta lista e deu um sumiço absoluto nela.
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Lá vai uma chalana... |
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Nanini e Ney Latorraca em "O Segredo de Irma Vap" |
Ontem, anteontem, mas não mais do que tresanteontem, vimos que o grande artista Ney Latorraca está muito debilitado. Pensamos até em escrever algo sobre ele, cujo trabalho teatral apreciamos. "Todos os dias tem artista morrendo". Esfriei a pauta. Hoje, também leio sobre a piora no estado do Oscar Niemeyer. Falar de morte requer lembrar de Deus, porém, neste caso, de forma desconfigurada. É que, graças a Deus (olha ele de novo), nossos escritos e nosso porto digital nadam de braçadas na informalidade.
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