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domingo, 30 de outubro de 2011

Cinco dias sem Nora


Filmes que não requerem grande esforço para ser entendidos, e que nada chama tanta atenção em matéria da técnica cinematográfica, mas que valem a pena ser assistidos.  Porque são histórias bonitas e, acima de tudo, bem contadas. Sempre lembrando que tudo que é escrito aqui, ou quase tudo, está impregnado por uma dosagem de opinião pessoal. “Bem vindo” (França/2009) e “Cinco dias sem Nora” (México/2008) são os filmes que fizeram a nossa cabeça nos últimos dois dias e chegou a hora de repassar. É difícil discorrer sobre dois filmes sem comparações, similaridades ou as dissimilaridades.



Em “Cinco dias sem Nora”, dirigido por Mariana Chenilla, o discurso é o passado e Nora, personagem ausente é, talvez, a principal protagonista. Os acertos e erros de vidas em comum são passados a limpo e o presente é ajuste de contas, dos ponteiros do relógio. Na vida conjugal o amor costuma ser subjugado pelas mágoas, dúvidas, descontentamento e tristezas inexplicáveis. Este drama, com leves pitadas de humor, roteiro pela própria diretora, desenvolve-se a partir de uma situação totalmente inusitada que vai colocar em xeque conflitos religiosos e as delicadas relações entre as pessoas.  




Em “Bem vindo”, direção de Philippe Lioret, não há passado. O presente é a preparação para o futuro. Um jovem iraquiano se submete a um longo trajeto por terra e mar para, ilegalmente, tentar chegar a Londres, onde está a sua amada. Na França, em dificuldades para seguir viagem, aproxima-se de um ex-atleta, professor de natação e a relação entre eles é o fio da meada no desenrolar da história. O professor, que separou-se recentemente da esposa, descobre que não foi capaz de caminhar nem dez metros quando a mulher disse que o abandonaria. Vê, então, no exemplo de um jovem inexperiente, que correr atrás do amor pode ser algo recomendável. Ou não!
  
Os dois filmes em questão nos transportam para o complexo terreno das relações humanas. Deixam transparecer que, por mais complicada que seja a situação, dá-se um jeito. E depois, não há mesmo outra coisa a fazer a não ser encarar os fatos e tocar a vida.