segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Natureza, Turismo e Sustentabilidade

Lodge Cristalino (MT): Avistamento de aves é aqui!
Este domingo não teve, como nos dois últimos, tapioca comprada no trailer aqui pertinho de casa. Rolou um coquetel chique, lá no Centro de Eventos do Pantanal, após abertura do II Congresso de Natureza, Turismo e Sustentabilidade, o Conatus.

Um evento técnico com especialistas do Brasil e de outros países com experiências pra repassar na área do turismo em unidades de conservação (principalmente parques nacionais). Tem gente da África do Sul, Peru, Nova Zelândia, Alta Floresta (MT), Bonito (MS) e Poconé (MT), que vai expor experiências exitosas, trocar informações e compartilhar conhecimentos.

Abismo anhumas, Bonito(MS)
 
Baleias de Abrolhos


Nova Zelandia: aqui nasceu o Bungy jump

A canoa não vira!

Turismo e comunidade local, dá certo
Também na pauta o turismo de pesca, já em decadência, mas que deixou consequências nefastas como a prostituição e a exploração do trabalho infantil.  O Conatus tem uma programação extensa até quinta aqui em Cuiabá.
O turismo é um serviço (antigamente diziam indústria) que mais cresce no mundo, um jargão velho pra burro! Uma rápida viagem à Europa faz qualquer pessoa constatar que o tal “Velho Mundo” tem um patrimônio histórico-cultural incontestável. O produto brasileiro é a natureza, também incontestável. Porém, se forem adotadas novas políticas e estratégias, corremos o risco de perder esse bonde também.



Concentração
Na abertura do Conatus, chamou atenção a apresentação dos mascarados de Poconé, uma manifestação cultural que existe há uns 250 anos e vem se perpetuando hereditariamente. Uma mistura de matizes e influências europeias, indígenas e negras, que resultam numa dança alegre com roupas ultra coloridas e cheias de detalhes. Homens, adolescentes e garotos (mulheres não participam) se apresentaram ao som de uma banda bastante animada, mostrando habilidade e muito ritmo. Fizeram a alegria da festa e, oxalá, o Conatus indique propostas e soluções para um desenvolvimento harmônico, menos impactante, e mais decente para todos nós.

A dança...



dos Mascarados de Poconé!

Miguel Milano com a neta Martina, no II Conatus 
Mais informações: www.conatus.org.br

domingo, 23 de outubro de 2011

A vida secreta das palavras

Procura-se um filme perfeito. Perfeito, segundo a opinião deste blog. De vez em quando acontece, ou bate na trave. E aí é um grande prazer reportar aqui. “A vida secreta das palavras” (Espanha, 2005) é uma obra já feliz no próprio título. Cheio de gratas surpresas, daqueles em que a emoção brota à flor da pele.

Nós aqui do interiorzão brasileiro estamos distantes do mar e o visual de uma plataforma de petróleo não nos parece um ponto de vista comum. Aquela coisa ilhada na imensidão do mar. Um corpo estranho oceânico. O mar, quando quebra na praia, é bonito... é bonito. Mas, como seria quando quebra numa plataforma?

Dizem que esse povo que trabalha nas plataformas ganha super bem. Deve ser mesmo. As pessoas ficam ali experimentando uma estranha solidão, sei lá quanto tempo. Isso deve mexer com a cabeça delas. E é nesse ambiente que acontece a história de “A vida secreta das palavras”, para onde se muda a personagem central, uma fria e misteriosa enfermeira. Lá ela vai cuidar de um sujeito que foi vitimado num acidente e teve graves queimaduras.

A diretora Isabel Coixet, que também escreveu o roteiro, explora com incrível habilidade este drama pesado com personagens fortes, num trabalho de elenco maravilhoso. Toda a tal da carpintaria cinematográfica é brilhante. A relação que se desenvolve entre a enfermeira e seu paciente, filmada com esmero, é uma dessas coisas transformadoras às quais a boa arte nos submete. Tim Robbins e Sarah Polley estão impecáveis como o casal protagonista.

O filme tem o seu ritmo necessário, não deixando nunca o interesse do espectador cair. Vale-se para isso, claro, da sobriedade da fotografia e de uma trilha sonora de muita sensibilidade, onde estão músicos como Antony e Tom Waits. Percebe-se que as músicas, ao longo do filme, surgem de forma espontânea, dando um clima especial às cenas.


A literatura é praticamente uma personagem de “A vida...”. O romance do século XVII, “Cartas Portuguesas”, que surge e ressurge ao longo do filme, na cabeça do personagem de Robbins, é o pivô de uma situação amorosa desconfortável que o envolve. O livro citado registra um amor, aparentemente, não consumado, mas que deu muito pano pra manga e rendeu muitas cartas.


“De si nada mais quero. Sou uma doida, passo o tempo a dizer a mesma coisa. É preciso deixá-lo e não pensar mais em si. Creio mesmo que não voltarei a escrever-lhe. Que obrigação tenho eu de lhe dar conta de todos os meus sentimentos?”. (trecho de Cartas Portuguesas)
E o amor costuma produzir filmes que valem a pena, como este, “A vida secreta das palavras”. Nos deixou meio emudecidos, engolindo em seco. Sempre ouvi dizer que uma sensação que nos faz apreciar um filme, música ou livro, é o ‘estranhamento’. Neste filme, particularmente, não houve estranhamento. Sobrou encantamento. Por favor, assistam!!!   
“Não devemos dar certos livros de presente a alguém
 que passa muito tempo só”...

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Nojento!!

Nojo. Palavra estranha. Mas é daquelas que só de se ler, ou falar, já traz a força do significado. “Nóooojento...”. Leitores mais maduros deste blog hão de se lembrar desse bordão do humorista “Tião Macalé”, já ausente. Nossa... bordão, que palavra antiga!! Vai ver que tá em desuso,  mas a ressuscitamos aqui. Vamos “largá” mão de bordão, e voltar ao nojo. Coisa que todo mundo sente, mas que nem por isso chega a ser um sentimento.
Seria apelar demais aqui abrir o leque e citar tudo aquilo que dá nojo. Privada suja, por exemplo, é covardia. Em meus tempos de universitário, na porta de um banheiro, uma trova tão sincera, quase filosófica: “Em toda minha vida, nunca vi privada tão fedida assim. Não sei se estou cagando nela, ou ela cagando em mim”. 
Então passemos a algo mais light. Esses locais onde a gente arrisca quando tá brocado e encara, sabendo das consequências, o tradicional pastel de rodoviária, as rechonchudas coxinhas que gotejam óleo saturado, a porção de frango a passarinho, que temé mais pele frita que carne, o quibe cô ovo e, por falar em ovo, vale também os coloridos que bóiam lindamente em conservas liquefeitas.


Hoje, uma amiga contou-me trágico incidente que protagonizou na antiga Estação Bispo. Sedenta e encalorada, achegou-se a uma barraquinha em busca de uma garapa (ou caldo de cana) para arrefecer a goela.  Ao escorar no balcão, percebeu que a atendente estava abaixada e limpava as unhas do pé. Mesmo assim, pediu a garapa - tamanha a sede, porque acreditava que a mulher fosse lavar as mãos antes de recolher a garapa da cana e roubar a doçura desse mel. Qual nada. Das unhas dos pés, a bandida partiu para o preparo do caldo. E a sonsa da minha amiga, com vergonha, bebeu a garapa mesmo assim. Que nojo!       


Em outros áureos tempos, o chique Hotel Áurea tinha lá suas estrelas e era badalado. Essa dupla do Tyrannus foi lá numa de forrar o estômago com ligeira pompa. Era um prato simples, não me lembro qual, mas tinha o recorrente purê de batatas. E eis que nos servem um purê assim... meio vencido. Tava azedo, sejamos francos. Chamamos o garçom e informamos a situação. Ele sumiu pros lados da cozinha, demorou alguns minutos e de lá voltou com a cara mais lambida do mundo e com uma conversinha bem esfarrapada: “Olha, não é que o purê tá azedo... Ele só está um pouco mal feito”.  Purê de dar nojo, desculpa nojenta.



Nessa história de nojo temos alguns clichês. Cabelo na comida... eccaaaa. Uma touca e até um boné bem ajambrado na cachola reduzem bastante o risco. Outro dia (sem querer) vi a Ana Maria Braga preparando uma receita sem nada prendendo os cabelos. Depois, lembrei-me ter visto a Nigella mandando bala num petisco com as madeixas soltas. Pensei bem e cheguei à conclusão que não existe imparcialidade. A Nigella pode. A Ana Maria Braga não. Falando em cabelo, coisa mais desagradável é pegar num sabonete peludo, entendeu? É o ó!


Outras coisas me enojam, como por exemplo, um barulho. Aquele ruído característico de uma barata sendo pisada. Alguns pequenos animais são bem nojentos. A mosca que pousou na minha sopa, as baratas que não me deixam ver suas patas, as pulgas que habitam minhas rugas e os ratos que entram nos sapatos dos cidadãos civilizados. São todos escrotos.


Não perdôo a cor fosforescente das moscas zumbideiras a varejo: de tão lindas!!! Nunca comi escargot e não sei se gostaria de ter essa oportunidade. Mas acho errado cismar com acepipes extravagantes. Vou de ostra, sem ostracismo. 
  

Tirirical em Cuiabá


Tirirical instalado

Cuiabá cresce a olhos vistos. É só deixar de passar por um lugar por uns tempos, depois você volta lá e... onde é que estou mesmo?????  A paisagem urbana é alterada, renovada, remodelada, destruída e perdida em um espaço de tempo cada vez menor. A tal da especulação imobiliária se instalou de vez por aqui, com a força e a voracidade que exige o capitalismo selvagem. Aos que têm poder econômico, bairros chiques, murados, isolados, com toda infra interna e externa, oferecida pelos poderes públicos.

Aos de menor poder aquisitivo, bairros são construídos com milhares de casas, na maior parte das vezes, por meio de projetos que passam ao largo dos conceitos decentes de morar bem. Viver com acesso à mobilidade urbana, como ruas, avenidas e transporte público adequado é algo que está longe de ser oferecido pelos governantes. Tudo bem, há programas federais para a habitação e para o crescimento, como o PAC e o MCMV (Programa de Aceleração do Crescimento e Minha Casa, Minha Vida). Bereré grosso. E uma briga ferrenha pra ver quem pega esta ou aquela obra é o que rola. Faturar, como sempre, é a palavra de ordem. O resto... bem, o resto é resto o que a gente vê nos bairros periféricos é uma carência de serviços públicos na distribuição de água, tratamento de esgoto, asfalto, iluminação pública, escolas, segurança, postos de saúde...

Bairro Dr. Fábio

E os prédios despontam do solo como “tiririca”, aquela gramínea que é uma praga. Já tem um tirirical em Cuiabá, ali pras bandas do Pantanal Shopping. São torres (é assim que se chamam os prédios altos, agora) edificadas de tal forma, que estão formando um paredão, barrando a pouca brisa e tapando a bela paisagem de Chapada dos Guimarães. Será que ninguém vê isso? Acho que não, pois o assunto só é questionado na imprensa e na justiça, depois que as torres estão erguidas, de frente pras nossas caras deslavadas!

Tirirical instalado II

Há uns tempos falou-se em urbanização das margens do glorioso rio Cuiabá.  Depois, veio uma cheia, retiraram todos os moradores da área e colocaram abaixo seus barracos e comércios, porque ali é área de inundação do rio. É área de preservação permanente etc e tal. Pra tirar pobre tem um zilhão de desculpas e leis. O engraçado é que depois foram construindo nessas áreas e ninguém fala nada. Ali, no antigo Grande Terceiro (acho que era esse mesmo o nome do bairro), hoje, de onde foram retirados os moradores pobres de antigamente, estão instaladas empresas que atuam em diversas áreas e também se alastram as torres mencionadas acima.



A desculpa, atualmente, é que com a Usina de Manso, as cheias agora são controladas. Como se fosse possível controlar a natureza! Planejamento e obediência à legislação no que se refere à utilização da área urbana virou piada em Cuiabá.
E tá crescendo. Só que cresce esta cidade onde nós vivemos. Um sujeito que foi prefeito de Cuiabá tempos atrás, certa vez, num lugar mais alto da cidade, avistou um agrupamento de casas miseráveis que se formava – o tal do grilo, e declarou, orgulhosa e estupidamente: “Mais um bairro em nossa cidade”.  E assim tem sido a urbanização (?) deste pedaço calorento do Centro Oeste brasileiro.

Minha casa, minha vida

A capital vai se aproximando do seu primeiro milhão de habitantes, cada vez mais precária na infraestrutura, mais violenta, mais quente e até na tampa de problemas sociais. A qualidade de vida do cuiabano, é hora de assumir... está mesmo na UTI. E essa decadência segue a passos largos, infelizmente. A Copa do Mundo de 2014 vem aí. Não desejamos ser pessimistas, mas é inevitável vislumbrar que não acontecerão as mudanças necessárias pra Cuiabá voltar a ser um lugar maravilhoso de se viver.

 Centro Histórico: arborização mandou lembrança

Só se fala em projetos grandiosos, envolvendo milhões e milhões de reais. Viadutos, trevos, um novo Verdão, VLT, reforma no aeroporto etc... Obras pra ricos, pra gente que tem carro e mora bem, que exerce o livre direito de ir e vir, gastando à vontade. É isso, absolutamente isso, o que vem por aí. Não se fala em míseros cobres para arborização pública, construção de calçadas, ciclovias, recuperação dos córregos urbanos, restauração dos casarões e do centro histórico, praças, passarelas, pontos de ônibus dignos, banheiros públicos, áreas de lazer, teatro, espaços de convivência, piscinão (igual ao de Ramos, no RJ), centros esportivos, pista de skate, aterro sanitário, coleta seletiva de lixo, reciclagem, campanhas educativas... É o fim!!!


Pascoal fundou Cuiabá. E quem tá afundando?


terça-feira, 18 de outubro de 2011

Medalhas e marcação de touca

Enquanto assistimos a uma competição de natação, de repente uma pergunta: você queria ser fundista ou velocista? Eu queria ser velocista. Eu não... queria ser fundista. Perder a oportunidade de discordar não é algo frequente entre casais, mas aqui... Continuamos grudados na transmissão dos Jogos Pan-Americanos, que estão acontecendo lá na terra do Zapata, Frida Kahlo, Maias, Octavio Paz, Chapolin Colorado, Aztecas, Carlos Fuentes, Alejandro Iñárritu,  Gael Garcia, Subcomandante Marcos y otros.

"Não contava com minha astúcia..."
 
Os Maias e a profecia para 2012!!!
 
El subcomandante de EZLN

Não é mistério nessa altura do campeonato, com tanta informação circulando por aí, a diferença entre um fundista e um velocista. O velocista é anaeróbico, explode. O fundista é aeróbico, resiste. Aeróbico é quando acontece o equilíbrio entre o consumo e a absorção de oxigênio. Anaeróbico não tem nada disso. Há um esforço físico em tamanha intensidade, que respirar equilibradamente não combina com a coisa. De uma forma ou de outra, atletas desse nível costumam ter uma companheira inseparável: a dor. A dor está para eles, assim como a preguiça está para este blogueiro. 
 
Na velocidade da luz

Mas, no caso das corridas, vale lembrar que os louros mais “louros” vão para os cem metros rasos e para a maratona. São as provas que colocam os atletas laureados com o ouro, no Olimpo, como verdadeiros deuses. Velocidade e tenacidade formam o conjunto vitorioso.
Somos meros espectadores, grandes torcedores. Volta e meia tem alguém gritando e xingando. Sim, somos apaixonados pelos esportes e, no caso de um evento desse vulto, que mistura competição e confraternização, a nossa tara começa na cerimônia de abertura e vai até quando a chama da tocha olímpica finalmente se esmaece e apaga, tristemente.

Óia o Hoyama com 10 de ouro

 
Organização marca "touca" e quase tira o ouro de Léo de Deus (ajuda!)

Nesta quarta tem pedreira braba no Pan. O time brasileiro de futebol masculino enfrenta a eterna rival, a Argentina, logo na estreia. Não quero nem ver. No futebol feminino, nossas meninas já despacharam las hermanas (que sirva de exemplo aos homens). E o Pan continua na maior disputa aqui na telinha, hora de fechar o texto. A Fátima ainda quer delongar a conversa de fundista e velocista, explorar um cunho filosófico nessa história (se houver). Não to nem aí, sou velocista, vou mais é terminar. Já vi tudo... a resistência da fundista ali não é lá grandes coisas, foi pra cozinha atrás de um pedaço de pizza!

Não sem apelar para uma isquinha de bairrismo, coisa aceitável nessa conversa de torcer: Felipe Lima, cuiabano, que conhecemos desde quando era “criança pequeno”. O danado nhapou uma medalha de prata na natação contando com nossa escandalosa torcida. Parabéns para o Felipe, prá Wilma e Hélio (seus pais) e Lívia (a mana). Imagino coração deles.  Ô, se ele, o Felipe, ainda estiver por lá, na volta, bem que poderia trazer pra gente um sombrero mexicano, porque aqui o sol tá quase cozinhando nossas cabeças! Inté...


Xará, valeu! Vou dar um giro e comprar sombrero pra pacuzada 




segunda-feira, 17 de outubro de 2011

No labirinto...

Planos, mudanças e decisões tendem a iniciar nas segundas-feiras. Seja em caráter pessoal ou profissional...  já o horário de verão começa sempre no domingo, com aquela sensação de que perdemos uma hora. Quando tomamos a decisão de começar algo na segunda, como um regime, a ginástica, o estudo, ou terminar algo que está aí no limbo, esperando; é natural que adotemos precauções pra dar certo. Por exemplo: dormir cedo, uma jantinha saudável, um filminho light, uma lavanda gostosa e um rala-e- rola básico (pra evitar qualquer possibilidade de contusão). Tudo de acordo com o figurino.
E assim foi. Ou era pra ser. Noite adentro, ainda domingo, sonho: “hoje é domingo, pé de cachimbo, cachimbo é de ouro, bate no touro, o touro é fraco ... caaiiiiiiiiii no buracoooooooo, o buraco é fundoooooo.... acabou-se o munnnnnndo”. Algo não tá legal. Um mal estar tão forte, que desperto. Abro os olhos, pra que? O quarto, o mundo gira, gira, gira... cada vez maisr. Para, para, que eu quero descer!!!!!!!!!!!


Sem coragem pra investir em qualquer movimento a não ser retornar a cabeça pesada, vagarosamente, até o travesseiro. E esperar, sem pressa, passar essa sensação de instabilidade, tonteira, zonzeira, vertigem, desequilíbrio; de estar num chapéu mexicano, num carrossel a mil. O retorno, sei, será lento e me arrasto e tateando as paredes, buscando as sensações que entram pelos seis buracos da minha cabeça, porque em um dos buracos a sensação é de que algo quer sair, ser expelido.


Tal qual Teseu em busca do caminho de volta e às voltas com o seu/meu Minotauro de cada dia, à espreita. Um labirinto, creiam ou não, existe. Que seja dentro de nossos ouvidos, parte do corpo que também comporta martelo, bigorna e o que mais? “Labirintite, você está com isso”, informo a vítima, estendida ao meu lado. Putz, o horário de verão é uma merda tão significativa, que não chega sozinha. Traz seus males colaterais. Assim é a vida... mitológica, patológica etc!



O remédio é remédio mesmo. A farmácia mais próxima pode ser a salvação da lavoura. Abandonar o travesseiro requer uma química. Mesmo com o desconforto e o infortúnio e suas conseqüências, o cérebro não para e começam a surgir os pensamentos que derivam da combinação labirinto/labirintite. “Percorrer correndo corredores em silêncio... penetrar no labirinto o labirinto de labirintos... dentro do apartamento”.

Desequilíbrio corporal e mental. O trágico conto da Clarice Lispector em que a mulher se vinga do marido adúltero, que dorme, despejando uma chaleira de água fervente em seu ouvido. O surto de loucura de Van Gogh que decepa a própria orelha. De um lugar mais recôndito brota da memória a sensação do dia em que uma formiga decidiu investigar-me o ouvido adentro. Que horror! Ainda bem que não era uma lacraia.
O labirinto, os olhos, a pele, os músculos e articulações, são alguns dos órgãos e sistemas que nos equilibram. O labirinto informa a direção dos movimentos, os olhos sobre a posição do corpo no espaço, a pele sobre qual parte do corpo está em contato com a superfície, os músculos e articulações sobre os movimentos e partes do corpo que estão envolvidas com eles. Há que ter coerência. Informações conflitantes resultam em sensação de desequilíbrio, tontura, vertigem. E “a marvada pinga é que me atrapalha...”
 
Assim é a vida... mitológica, patológica etc!


sábado, 15 de outubro de 2011

Fauna nossa

"Escurece, tingetinto, nosso funamburlesco mundo animal”. Diretamente do Finnegans Wake, para o Tyrannus, com certa dose de melancolia.
A sexta-feira, dia de folga, foi de reflexão. Desde que o Tyrannus Melancholicus caiu na rede vem galgando uma linha crescente de acessos, que corresponde com as mensagens e as demonstrações pessoais de incentivo. Sabemos que fidelizar não é pra qualquer um, vibramos com os acessos conquistados.
Só que ao regressarmos de Festival de Brasília houve um “boom”, quase atingimos os quatro dígitos no acesso diário e depois “miou”. Fomos pressionados pela hierarquia que comanda os destinos disso aqui. Conversei com a Fátima e ela conversou comigo e recebemos o recado de nossos superiores: “Os acessos ao blog, tem que subir novamente, porque senão, vocês nunca terão um investidor anjo”, disseram pra nosotros.
Joyce, autor de livre louco livro: Finnegans Wake
Como registraria o I Ching, oráculo transcendental, por isso segue: vamos escrever sobre bichos, porque se dá audiência na televisão, há de lograr êxito também por aqui.
Visita que pode feder!

Eis que aparece um passarinho verde. Conhecem essa história? Premonitório de uma boa notícia? Costuma-se dizer, para alguém que demonstra alegria exagerada, exatamente isso: “Você viu um passarinho verde?”.  Na verdade não era um passarinho verde... era um periquito verde. Tava aqui no oiti bem em frente do lar Tyrannus. E não foi uma coisa de passagem, ficou um tempo. Ele, sozinho, fazia uma tremenda algazarra. Saímos pra ver qual era. Localizamos o bichinho camuflado no meio da folhagem. Ele nos olhando desconfiado e nós encantados. Ele gritava e a gente respondia com grunhidos, assoviamos e ele respondeu com vários tipos de assovios. Acho que era um fujão, asas cortadas... fugiu de alguma casa das redondezas, lhe ofereci uma manga num galho mais baixo da árvore. E nada. Não desceu. Entramos e depois de certo tempo  e ele se mandou. Deixou a esperança, que é da cor das suas plumas...


Essas aves “trepadoras” são monogâmicas, elegem seus pares para tocar uma vida inteira a dois. Quando um aparece sozinho, provavelmente, o outro se deu mal. Talvez tenha sido isso. Mas essa história de fidelidade, monogamia entre animais é um assunto interessante. No condomínio Oiti, um casal de rolinhas marrons está construindo um ninho. Preparam-se, aí vem cegonha.  
Mas, voltando à monogamia, me vem à memória uma entrevista que assisti com o psicanalista, articulista e escritor, Contardo Caligaris (ele deve ter o seu gabinete). O papo com o entrevistador foi pros lados das relações humanas a dois. Caligaris enfatizou que pratica a monogamia, ou algo mais ou menos assim. Sempre devoto e dedicado a uma mesma mulher. Mas, disse que tem no currículo mais de dez casamentos. Ah, bom...
Calligaris e sua monogamia relativa
Pô bicho, voltemos a eles. Ficamos uns dias preocupados com o mais recente morador daqui, um belo exemplar do Tupinambis merianae, disparadamente, mais conhecido como lagarto tiú. E não sei por que, em todos os lugares onde vejo seu nome vulgar assinalado, lá está lagarto teiú. Ora ora... é tiú, porra. Andei lendo sobre esse réptil, de preferência, ao som da música “Reptilia”. Tem quase um mês que começamos a avistar o “bicho do chão” aqui em casa, foi no dia do lançamento do “Mundo Cerrado”, foi um bom agouro, tudo a ver!!!
Mané quando chegou...
 
Hoje, ambientado


The Strokes, fazendo a trilha
Folgado, o calangão foi flagrado, anteontem, comendo a ração dos gatos. Até ai normal, o inusitado foi que a Nikita, nossa gatinha, tava do lado, observando tão ancestral bicho, com seu ar blasé. Bom, ele é um bicho do mato, do cerrado, e a gente fica sem saber direito no que vai dar essa convivência. Tenho lá minhas duvidas... vivendo entre seres humanos e gatos! Tememos também pelo jovem Troppo, um gato de rua que se mudou pra cá, bem pequenininho. Ele está crescendo, “virando homem”, tomando conta do pedaço e... Bem, gatos são predadores vorazes. Por enquanto o “Mané”, nome que demos ao tiú, tem encarado o Troppo, seguindo a linha o respeito é bom e eu gosto.  
Troppo em busca...

 
... da maturidade

Gente boa que acessa o Tyrannus, por hoje é isso mesmo, e espero que nosso mundo animal seja do interesse de todos aqueles que nos visitam. Ah, e quem tiver alguma ideia sobre como lidar com o Mané, por favor, mande e-mail. Agradecemos a gentileza do nosso amigo, Luís Carlos Ribeiro (Ginho cerradianus), que ofereceu a iguana que mora em sua casa pra acasalar com o Mané, só que não sabemos se será possível essa tal estripulia sexual, são espécies diferentes... As bitolas são diferentes e aí, né... num rola!!!